O MEIO AMBIENTE NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
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O MEIO AMBIENTE NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988


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o art. 584 do mesmo Código Civil, que diz que \u201csão 
proibidas construções capazes de poluir, ou inutilizar para o uso ordinário, a 
água de poço ou fonte alheia, a elas preexistente\u201d. 
Em seguida veio o Regulamento da Saúde Pública (Dec. nº. 16.300/23), 
que previu a possibilidade de impedir que as indústrias prejudicassem a saúde 
dos moradores de sua vizinhança, possibilitando o afastamento das indústrias 
nocivas ou incômodas. 
A partir da década de 30 começaram a surgir as primeiras leis de proteção 
ambiental específicas como, por exemplo, o Código Florestal (Dec. nº. 
23.793/34), substituído posteriormente pela atual Lei Federal nº. 4.771/65, o 
Código das Águas (Dec. nº. 24.643/34), assim como o Código de Caça e o de 
Mineração. A Lei de Proteção da Fauna (Dec. nº. 24.645/34) estabelece medidas 
de proteção aos animais, e o Dec. nº. 25/37 organizou a proteção ao Patrimônio 
Histórico e Artístico Nacional. 
Na década de 60, foi editada importante legislação sobre temas ambientais, 
como o Estatuto da Terra (Lei nº. 4.504/64), o novo Código Florestal (Lei nº. 
4.771/65), a nova Lei de Proteção da Fauna (Lei nº. 5.197/67), a Política 
Nacional do Saneamento Básico (Dec. nº. 248/67) e a criação do Conselho 
Nacional de Controle da Poluição Ambiental (Dec. nº. 303/67). 
A participação brasileira na Conferência das Nações Unidas para o Meio 
Ambiente, realizada em Estocolmo em 1972, foi muito importante, despertando 
as autoridades para intensificação do processo legislativo, na busca da proteção e 
preservação do meio ambiente. Já no ano seguinte, através do Dec. nº. 
73.030/73, art. 1º, foi criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), 
\u201corientada para a conservação do meio ambiente e uso racional dos recursos 
naturais\u201d. As competências outorgadas à SEMA lhe deram condições de 
administrar os assuntos pertinentes ao meio ambiente de uma forma integrada, 
por vários instrumentos, inclusive influenciando nas normas de financiamento e 
na concessão de incentivos fiscais. 
Foi na década de 80 que a legislação ambiental teve maior impulso. O 
ordenamento jurídico, até então, tinha o objetivo de proteção econômica, e não 
ambiental. São quatro os marcos legislativos mais importantes: a Lei nº. 
6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e 
mecanismos de formulação e aplicação; a Lei nº. 7.347/85, que disciplina a ação 
civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente; a 
Constituição Federal de 1988, que abriu espaços à participação/atuação da 
população na preservação e na defesa ambiental, impondo à coletividade o dever 
de defender o meio ambiente (art. 225, caput) e colocando como direito 
fundamental de todos os cidadãos brasileiros a proteção ambiental determinada 
no art. 5º, LXXIII (Ação Popular); finalmente, a Lei nº. 9.605/98, que dispõe 
sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e 
atividades lesivas ao meio ambiente. 
 
3 Tutela constitucional do meio ambiente 
 
A Constituição Federal de 1988 foi a primeira a tratar do meio ambiente. 
Anteriormente a sua promulgação, o tema estava abordado somente de forma 
indireta, mencionado em normas hierarquicamente inferiores. 
Edis Milaré (2005, p. 183) registra: 
 
A Constituição do Império, de 1824, não fez qualquer referência à matéria, apenas cuidando da 
proibição de indústrias contrárias à saúde do cidadão (art. 179, n. 24). Sem embargo, a medida já 
traduzia certo avanço no contexto da época. O Texto Republicano de 1891 atribuía competência 
legislativa à União para legislar sobre as suas minas e terras (art. 34, n. 29). A Constituição de 
1934 dispensou proteção às belezas naturais, ao patrimônio histórico, artístico e cultural (arts. 10, 
III, e 148); conferiu à União competência em matéria de riquezas do subsolo, mineração, águas, 
florestas, caça, pesca e sua exploração (art. 5º, XIX, j). A Carta de 1937 também se preocupou 
com a proteção dos monumentos históricos, artísticos e naturais, bem como das paisagens e 
locais especialmente dotados pela natureza (art. 134); incluiu entre as matérias de competência 
da União legislar sobre minas, águas, florestas, caça, pesca e sua exploração (art. 16, XIV); 
cuidou ainda da competência legislativa sobre subsolo, águas e florestas no art. 18, \u2018a\u2019 e \u2018e\u2019, 
onde igualmente tratou da proteção das plantas e rebanhos contra moléstias e agentes nocivos. 
 
A Constituição de 1967 insistiu na necessidade de proteção do patrimônio histórico, cultural e 
paisagístico (art. 172, parágrafo único); disse ser atribuição da União legislar sobre normas 
gerais de defesa da saúde, sobre jazidas, florestas, caça, pesca e águas (art. 8º, XVII, \u2018h\u2019). A 
Carta de 1969, emenda outorgada pela Junta Militar à Constituição de 1967, cuidou também da 
defesa do patrimônio histórico, cultural e paisagístico (art. 180, parágrafo único). No tocante à 
divisão de competência, manteve as disposições da Constituição emendada. Em seu art. 172, 
disse que \u2018a lei regulará, mediante prévio levantamento ecológico, o aproveitamento agrícola de 
terras sujeitas a intempéries e calamidades\u2019 e que o \u2018mau uso da terra impedirá o proprietário de 
receber incentivos e auxílio do Governo\u2019. Cabe observar a introdução, aqui, do vocábulo 
ecológico em textos legais. 
 
A partir da Constituição Federal de 1988 o meio ambiente passou a ser tido 
como um bem tutelado juridicamente. Como bem coloca José Afonso da Silva 
(2004, p. 46), \u201ca Constituição de 1988 foi, portanto, a primeira a tratar 
deliberadamente da questão ambiental\u201d, trazendo mecanismos para sua proteção 
e controle, sendo tratada por alguns como \u201cConstituição Verde\u201d. 
A matéria é tratada em diversos títulos e capítulos. O Título VIII (Da 
Ordem Social), em seu Capítulo VI, no art. 225, caput, diz que \u201ctodos têm 
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do 
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à 
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras 
gerações\u201d (grifo nosso). 
Dessa forma, o Direito Constitucional brasileiro criou uma nova categoria 
de bem: o bem ambiental, portanto, um bem de uso comum do povo, e, ainda, 
um bem essencial à sadia qualidade de vida. 
Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2003, p. 545) leciona que \u201cconsideram-se 
bens de uso comum do povo aqueles que, por determinação legal ou por sua 
própria natureza, podem ser utilizados por todos em igualdade de condições\u201d. 
Ou seja, são aqueles de que o povo se utiliza, sem restrição, gratuita ou 
onerosamente, sem necessidade de permissão especial. \u201cNão cabe, portanto, 
exclusivamente a uma pessoa ou grupo, tampouco se atribui a quem quer que 
seja sua titularidade\u201d (FIORILLO, 2007, p. 67). 
Assim, nenhum de nós tem o direito de causar danos ao meio ambiente, 
pois estaríamos agredindo a um bem de todos, causando, portanto, danos não só 
a nós mesmos, mas aos nossos semelhantes. 
No tocante à sadia qualidade de vida, Paulo Affonso Leme Machado 
(2006, p. 120) observa que \u201csó pode ser conseguida e mantida se o meio 
ambiente estiver ecologicamente equilibrado. Ter uma sadia qualidade de vida é 
ter um meio ambiente não poluído\u201d. 
O equilíbrio ecológico \u201cé o equilíbrio da natureza; estado em que as 
populações relativas de espécies diferentes permanecem mais ou menos 
constantes, mediadas pelas interações das diferentes espécies\u201d (ART, 1998, p. 
194). 
O meio ambiente oferece aos seres vivos as condições essenciais para a sua 
sobrevivência e evolução. Essas condições, por sua vez, influem sobre a saúde 
humana podendo causar graves conseqüências para a qualidade de vida e para o 
desenvolvimento dos indivíduos. Para o Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira 
(2000, p. 15), \u201ca degradação ambiental coloca em risco direto a vida e a saúde 
das pessoas, individual