AGROTÓXICO E MEIO AMBIENTE
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AGROTÓXICO E MEIO AMBIENTE


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abundância.
· - Caso ocorra contato com os olhos, lave-os imediatamente com água corrente durante
quinze minutos e se houver irritação, procurar o médico com urgência.
 3.9. AÇÕES OU LESÕES CAUSADAS PELOS AGROTÓXICOS
Os agrotóxicos são produtos químicos de composição e características
químicas específicas, podendo produzir intoxicações de distintas características.
O grupo químico que compõem o defensivo agrícola, provoca característicos
sintomas e lesões no homem. Os sintomas mais comuns apurados nos casos de
intoxicações pelos grupos químicos, são:
I - NEUROCOMPORTAMENTAIS: a Neurotoxicidade Retardada causada por
certos organofosforados, carbamatos e desfolhantes. A Neuropatia Periférica
provém de certos organofosforados, herbicidas clorofenóxis (2,4-D e 2,4,5-T),
piretróides, compostos arsenicais, dinitrofenol, tálio, dietil-ditiocarbamatos,
metilbrometo. O Metilbromato, organofosforados e certos organoclorados,
provocam Alterações na conduta.
II - Nos ÓRGÃOS da REPRODUÇÃO:-atrofia testicular: tridemorfe; -
Oligospermia: dibromocloropropano e tálio; -Diminuição do índice de
fertilidade: Hidrocarbonetos clorados, captam e dioxina; -Amenorréia: Tálio.
III - Sobre a PELE: -dermatite de contato: mercuriais, paraquat, 2,4-D, captafol,
mancozeb, rotenona, ácido gliberélico, captan, folpet, amitrol, dazomet;-Reações
alérgicas: Arsênico, DDT, molinate, lindane, zineb, malathion, (Dicloro-difenil-
tricloroetano). piretróides, clordimeforme, flumeturon, etilhexenodiol, bentazone,
captafol, cloranil, clorotalinil, ciprex, captan, -Reações fotoalérgicas: benomil,
zineb, HCB ( hexaclorobenzeno ); 
IV - OFTALMOLÓGICOS: - catarata: Paraquat, diquat; - Atrofia do Nervo
Ótico: Brometo de metila; - Alterações na mácula13: fention.
V - PULMÕES: - Pneumonia: piretrinas, paraquat, cobre; - fibrose: Paraquat.
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VI - FÍGADO: - metaldeído, molinate, simazine, ácido acético, naftaleno,
falone, alfa naftiltouréia, dimetilsuccinato, cloranil, dinitrofenol, paraquat, diquat,
DDT, mirex, pentaclorofenol, arsênico.
VII - RINS: - dinitrofenol, metaldeído, certos clorados, fenoximercuriais, metóxi-
etil mercurios e tálio.
VIII - MUTAGÊNICOS: - trifuralina, DDT, malation, dibrometo de etileno,
hidrazida.
IX - CANCERÍGENOS: - Comprovados: Aminotriazol, arsênico, óleos
minerais. - Prováveis: dibrometo de etileno, óxido de etileno, nitrosaminas
(trifluralina e os dinitroderivados). -Possíveis:amitrade, aramita, clordecone,
clorofenóis, BHC, clorofenóxis, DDT, mirex, toxafeno, dicloropropano, sulfato,
maneb.
 3.10. Uso Seguro de Agrotóxicos
As pessoas que sofrem severos ataques de asma ou convulsões, devem
ser rejeitados para o trabalho com agrotóxicos que possuem ação neurotóxica ou
irritativa para as vias respiratórias.
Os portadores de patologia crônicas de pele, tais como eczemas e
psoríase, podem agravar estes quadros quando em contato com os agrotóxicos ou
com os solventes contidos nos mesmos. Os que apresentam patologias epáticas ou
renais devem ser evitados neste tipo de atividade.
Os preparadores e aplicadores de pesticidas devem possuir registros
indicativos de seu estado de saúde, grupo sangüíneo, agrotóxicos manuseados,
etc., para que em caso de intoxicação aguda, ele receba tratamento rapidamente
eficiente.
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 13. Mancha no olho.
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 4. Controle Integrado de Pragas
O homem desde o início da civilização, vem se utilizando das condições
que o solo lhe oferece para produzir alimentos necessários à subsistência.O solo
lhe oferecia resposta significativa, não precisando repor nutrientes para manter as
propriedades do mesmo. Com o passar do tempo as quedas na produção foram se
manifestando e forçaram o homem em repor os elementos do solo, consumidos
pelas culturas, através de produtos químicos. O aparecimento significante de
doenças, obrigou o homem a usar agrotóxicos para conseguir produzir, não
havendo até então, de um modo geral, outra maneira concreta que fosse colocada
em prática para o uso de fertilizantes e agrotóxicos. Surgiram, a partir de então,
os agrotóxicos, com o claro objetivo de minimizar e incutir a idéia de \u201cdefesa\u201d.
Os consumidores, conscientizados dos malefícios da ação dos agrotóxicos para a
saúde, levaram alguns produtores a produzirem naturalmente e, principalmente
pelo custo dos produtos químicos.
Estudos relacionados às alternativas ao uso de agrotóxicos no trabalho
agrícola, desencadeou medidas alternativas para os tratamentos, possibilitando
aos agricultores assegurar sua produção e protegendo sua saúde, tais como:
· a substituição do adubo químico pela adubação orgânica;
· adaptação de máquinas agrícolas às nossas condições de solo;
· preservação de áreas silvestres;
· uso de plantas repelentes e plantas companheiras;
· controle biológico natural.
4.1. Substituição do Adubo Químico pelo Orgânico
Muitos dizem que o solo tropical é pobre e por isso precisa ser
enriquecido com adubos químicos. Com a colocação de adubos químicos, a
adaptação da planta é prejudicada e a torna dependente do homem. Esse fato
resulta em menor resistência da planta, conseqüentemente, mais sujeita ao ataque
de pragas e doenças.
 Dessa forma, ocasionando uma super utilização de produtos químicos
tão prejudicais à saúde do consumidor. A matéria orgânica devolve ao solo sua
micro-vida, automaticamente se obtêm plantas que simplesmente não são
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atacadas por pragas e agentes patogênicos. O alimento da vida do solo é a matéria
orgânica.
4.2. Adaptação das Máquinas Agrícolas às nossas Condições de
Solo
Um solo biológicamente tratado é aquele que tem um bom nível de
matéria orgânica e uma microflora14 ativa. No entanto, no Brasil esse ideal de
solo é prejudicado pelo uso de tecnologias que não condizem com a realidade
climática, social e econômica.
O trator para as nossas terras é o microtrator, que só tem condições de
ser usado em pequenas propriedades. O interessante seria que a engenharia
mecânica brasileira, em desenvolvesse máquinas agrícolas mais leves, um trator
próprio para as terras brasileiras, que não compactasse tanto o solo e também não
sufocasse os microorganismos.
 4.3. Preservação de Áreas Silvestres
A agricultura convencional vê o mato como planta invasora. Porém,
existem especialistas que consideram o contrário, sendo que algumas espécies,
como o capim Guaxuma, o Alecrim e o Capim-barba-de-bode, podem servir para
indicar o solo que está fraco e compactado. A preservação da área silvestre evita
um ataque mais direto das pragas sobre as culturas, devido ao aspécto da menor
seletividade encontrada pelas mesmas. Na agricultura alternativa fica, assim,
proibido o uso de herbicidas especialmente em cultivos perenes15, tais como
pomares e parreiras. A erva é uma restituidora de matéria orgânica do solo. Em
cultivos perenes, por que não deixar crescer ervas nativas e leguminosas? Neste
caso não haveria nem capina, apenas uma roçada regular protegendo o solo,
evitando a erosão, ao mesmo tempo mantendo a umidade.
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14. Flora constituída pelos vegetais microscópicos (algas, bactérias).
15. Plantações que duram muitos anos.
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 4.4. Plantas Repelentes, Atrativas e Companheiras
Estudos mostram que determinadas plantas têm características atrativas
ou repelentes para certos insetos. Assim, essas plantas, quando associadas às
hortaliças, permitem um controle biológico natural. Conhecendo as possibilidades
dos vegetais encontrados em sua propriedade, o agricultor passa a ter condições
para controlar ou evitar a grande maioria dos problemas que atingem suas
culturas. A exemplo do que se afirma, a Camomila catinga, Camomila romana
e Macela galega, plantas do gênero Anthemis spp., possuem em suas flores,
substâncias com boas propriedades inseticidas.
A Camomila verdadeira (Matricaria amomilla) é conhecida
universalmente por suas propriedades