Matéria Filosofia AV2
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DisciplinaFilosofia Geral e Jurídica977 materiais9.376 seguidores
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na esfera da coerção externa, como a causa de um móbil, diferente do respeito à lei moral, pois é externa. [27]
 
8.2 DOUTRINA DO DIREITO
 
Conforme Kant, a doutrina do direito compreende três partes:
1) O direito privado
2) O direito público
3) O direito cosmopolítico
 
Em Kant, a lei moral tem como fundamento a liberdade, a propriedade da razão ser lei para si mesma. O homem se torna autolegislador, assim como Rousseau também pensava. Ele então repudia a heteronímia, pois as éticas devem ter como fundamento o dever interno à razão.
Uma ética deve privilegiar o sujeito e a razão, pois isso é que possibilita o agir mediante leis de forma autônoma.
Para Kant, a liberdade, a autonomia, é o fundamento da lei moral, que tem para o homem, um ser ao mesmo tempo sensível e inteligível, a forma imperativa. O homem só é livre porque é submetido à lei da razão. A razão precisa ordenar certas condutas, pois o homem não é apenas um ser racional, ele possui inclinações e essas condutas denominam-se em obrigações, sendo que a razão a chama de imperativos.
Esse imperativo categórico possui três formulas: a fórmula da lei universal, a fórmula da humanidade e a fórmula do reino dos fins. [28]
Kant distingue moral e direito. Ele afirma que as leis da liberdade podem ser internas demandando apenas, a conformidade com o dever. A concordância com as primeiras é denominada moralidade da ação; a concordância com as segundas é denominada de ética da ação. A ação legal é a ação em conformidade com o dever. Não é importante, no caso do direito, se o motivo da ação é por dever, interessa só o cumprimento do dever. A ação moral exige que se alguém cumpre um dever moral por motivo externo à razão, ou seja, coagido por algo que não seja o respeito ao dever, a ação não é moral. O direito aceita a coação exterior. O direito está sempre ligado à possibilidade da coação exterior, pois é lei externa. O cumprimento de todo dever jurídico é um dever moral. A obediência à ordem jurídica emana do imperativo categórico e ele constitui a verificação da legitimidade do conteúdo jurídico. [29]
Para GOMES, a moral não exige que soframos, exige apenas a conformidade com o dever. O ideal é que cumpramos nossos deveres por respeito à lei moral, pela coação da razão. No direito basta que uma exteriorização do livre uso da liberdade de escolha que não entre em choque com a exteriorização do livre uso da liberdade de escolha de outro, já que a escolha pode decorrer de motivos exteriores à razão. [30] O direito é uma espécie de médium entre o reino dos fins e o estado de natureza, entre um mundo em que o outro é sempre tratado como fim, nunca como meio e um mundo em que não há lei, em que reina o arbítrio bruto. [31] O direito representa para Kant, de acordo com GOMES, \u2018\u2019o ponto de equilíbrio entre o idealismo do mundo numenal e a facticidade do mundo fenomenal. \u2019\u2019 [32]
No entendimento de LEITE, a vontade jurídica é heterônoma, ela recebe a lei de seu exterior, sendo que a lei moral é autônoma, pois o sujeito espontaneamente resolve agir cumprindo o seu dever. [33]
 
8.2.1 A Coerência na Doutrina do Direito:
 
Para distinguir deveres de virtude de deveres jurídicos, GOMES entende ser necessário levar em consideração que os deveres de virtude não podem ser impostos através da coerção, enquanto que nos deveres jurídicos ela é essencial, pois admite coerção externa e o autoconstrangimento. [34].
Kant define o direito como: \u2018\u2018a soma das condições sob as quais a escolha de alguém pode ser unida à escolha de outrem de acordo com uma lei universal de liberdade. \u201d[35].
Para Kant, a coação não é imoral, pois ela apenas viola certo uso da liberdade de escolha de alguém quando esse executa essa violação da lei universal. No plano da ética, a coerção não é admitida, pois, a vontade de agir por dever deve ser natural, não havendo qualquer forma de coação. [36]
O principio supremo da filosofia prática de Kant, é o agir em conformidade com uma lei universal da razão. [37]
O direito regulando a relação dos livres-arbítrios deve garantir a liberdade individual. E isso apenas realiza-se se houver uma legislação universal, pois a garantia da liberdade individual implica a garantia da liberdade geral, para todos. Kant estabelece que haja uma Constituição civil justa, que provém do conceito de direito, e realizá-la consiste num dever. O problema é alcançar uma sociedade civil que administre o direito de forma universal.
De fato, para o mesmo autor, essa liberdade significa que o homem não deve ser considerado como meio, somente fim em si mesmo. [38]
 
8.2.2  Autonomia e Heteronomia
 
Esses dois conceitos são notadamente kantianos, eis o que significam: A autonomia da vontade é a qualidade que significa que a vontade tem de ser uma lei para si mesma. A autonomia é atribuída à vontade moral, pois as leis devem ser dadas por si mesmo, pelo próprio sujeito, a vontade moral é, portanto, uma vontade autônoma.
Para BOBBIO, a heteronomia é quando a vontade busca a lei, não em si mesma, mas em outro lugar, exterior a si mesma. Porém Kant nunca afirmou se o direito compõe a esfera da heteronomia.[39] E essa é uma questão que os pesquisadores custam a obter uma certeza.
Após a apresentação das principais contribuições e reflexões de Kant acerca da filosofia e do direito, é necessário abordarmos, por fim, mais dois conceitos: a paz perpétua e o pós-positivismo.
 
8.2.3  A Paz Perpétua
 
Conforme a visão de LEITE, a paz perpétua, é elaborada a partir da idéia de paz perpétua entre os Estados e de uma comunidade de pátrias. Como diria Boutroux \u201ca doutrina de Kant não é o reflexo de uma época nem sequer a expressão do pensamento de um povo: pertence à humanidade.\u201d[40]
Para MOI e OLIVEIRA, Kant compreendeu que para que seja possível que a paz seja assegurada para sempre, os Estados devem transpor o estado de natureza em que vivem, no plano internacional, para o estado civil, e, além disso, a presença de guerra deve ser limitada, para conservar a própria humanidade e o mundo. [41]
 
 
8.2.4 O Pós\u2013positivismo
 
Kant e sua filosofia crítica tornaram-se muito importantes para o estudo hodierno do direito. Podemos citar duas questões principais: o fundamento da validade do direito e a argumentação por princípios e o senso de adequação. [42]
Kant resolve o problema da busca da integração da dimensão ética ao direito, sem adotar um direito natural heterônomo, então assim ele supera o positivismo antes dele surgir nas palavras de GOMES. [43]
 BENJAMIN CONSTANT-INTRODUÇÃO
O presente texto se passa em um discurso proferido por Benjamin Constant, ao comparar a liberdade dos antigos e dos modernos. Inicialmente, o autor constata através de Roma, a plenitude do exercício dos direitos políticos na Antiguidade, com a ausência do sistema representativo de governo, inserido pela organização social da época. Contrapõem a liberdade dos modernos como mais independente, com a relativização da liberdade, dada por um governo representativo, dotado de liberdade política, bem como seus cidadãos e de plena legitimidade para o exercício do poder.
DESENVOLVIMENTO
A obra, primariamente apresentada, parece uma contradição enfática, uma vez que o autor da publicação foi o idealizador do Poder Moderador, quarto poder este instituído pela Constituição de 1824, durante o período imperial em terrae brasilis, caracterizado por ser um recurso de armazenamento de poder dos mais perigosos, com a concentração das decisões a livre convencimento do líder do Estado.
Constant induz ao leitor moderno à, de início, ter certa preferência pela liberdade dos antigos, dada pelo ostracismo de Atenas, pelo governo das virtudes, com sistemas fechados de governo e a ausência de governos representativos, ou seja, com os direitos de participação exercidos de forma direta pelo poder coletivo. Para os antigos, liberdade seria exatamente isso, com o governo praticado por todos os entes de mesma pátria, buscando, através da liberdade, as garantias e os privilégios. Antes de transitar para a