AV2 Clinico 2 Enfermagem - Saúde da Mulher
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lactação através de
ordenha manual, caso o
bebê ainda não esteja su-
gando plenamente o seio
materno.
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 Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente
horas junto da mãe. A permanência na enfermaria caracteriza a segun-
da etapa do método. Para que mãe e filho participem dessa etapa alguns
aspectos são fundamentais:
a) os relacionados à mãe são: ser participante e ter disponibilidade de
tempo para o método; estar compromissada em aplicá-lo sem inter-
rupções; ser capaz de reconhecer situações de risco do RN (mudan-
ça de coloração da pele, pausas respiratórias, regurgitações e dimi-
nuição de movimento); não ser portadora de limitações físicas ou de
patologias que interfiram no cuidado com o bebê;
b) os relacionados ao bebê são: peso corporal mínimo de 1250g;
não ser portador de patologia que contra-indique o uso do mé-
todo; ter ganho de peso sucessivo sem alimentar-se com sonda
e/ou leite artificial; ter capacidade para sugar o seio materno
ou para utilizar a técnica do copinho com coordenação entre
sucção e deglutição.
! Cuidados importantes na Enfermaria Canguru:
No caso de incapacidade da mãe ou de qualquer
indisponibilidade (como, por exemplo, tomar banho ou ordenha),
outra pessoa poderá substituí-la, desde que sejam seguidas as condu-
tas higiênicas básicas.
Em relação ao vestuário, a mãe deve, respeitando-se sempre
seus costumes culturais, colocar roupas intimas de algodão e usar
vestimentas largas (para poder acariciar facilmente a criança e man-
ter um controle de observação). Recomenda-se não usar lã, colares,
perfumes ou sutiãs de renda. Todas as roupas, tanto da mãe quanto
da criança, devem ser lavadas com sabão neutro (hipoalergênico). A
mãe também deve evitar, na sua toalete pessoal, qualquer produto
\u201cagressivo\u201d como perfumes e cremes.
Em relação à higiene do bebê é necessário ter cuidado para
que ele não perca temperatura. A criança não deve ser despida com-
pletamente para a realização da higiene.
A cada troca de fralda, é necessário limpar as regiões genital,
perianal e glútea com água morna, tendo o cuidado de enxugá-las bem
para não deixar qualquer vestígio de umidade. Manter a cabeça da cri-
ança elevada, apoiada numa almofada, evitando-se pressionar a região
abdominal com a elevação dos membros inferiores, prevenindo assim o
risco de regurgitação por pressão gástrica.
Quanto à alimentação, o aleitamento materno deve ser sempre
recomendado e privilegiado. Durante esse período, a mãe deve ser ori-
entada e treinada sobre a ordenha do seu leite.
Não é indicado nenhum tipo de prótese, bico ou bombas de
tirar leite. A mãe deverá receber orientações adequadas, apoio, estí-
A criança não deve estar
envolvida em mantas ou
portar pulseiras, figas, co-
lares, pois poderá machu-
car-se e até mesmo sufo-
car.
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mulo e ter reforçada sua auto-confiança quanto à capacidade de
amamentar.
No caso de uma impossibilidade qualquer (morte materna, rejei-
ção) o aleitamento materno será substituído ou complementado por leite
maternizado adaptado às crianças de baixo peso de nascimento ou por
leite humano ordenhado pasteurizado distribuído pelo banco de leite.
A noite, a pessoa que carrega a criança deve dormir em posição
semi-sentada, apoiada em travesseiro ou almofadas, afim de mantê-la
sempre em posição vertical. A criança permanece preferencialmente
24 horas nessa posição.
Quanto à duração, é a criança que determina o tempo de perma-
nência na posição canguru. De maneira natural, chega o momento em
que ela deseja deixar essa posição, porque já está pronta para regular
sua temperatura. Começa a se sentir desconfortável, chora e procura
tirar seus pés e mãos.
14- ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
AO RN PORTADOR DE PATOLOGIAS
PREVALENTES NO PERÍODO NEONATAL
14.1 Prematuridade
A assistência aos prematuros teve início no final do século
XIX com a construção da primeira incubadora e, nos dias de hoje,
os inúmeros recursos tecnológicos e terapêuticos disponíveis têm
possibilitado a sobrevida de bebês com peso e IG cada vez mais
baixos.
Apesar disso, o nascimento prematuro é responsável por mais
de 50% da mortalidade e da morbidade entre os RNs. Quanto me-
nor a IG e o peso ao nascimento, maior o risco de morte e de apareci-
mento de complicações.
Assim sendo, a sobrevida dos prematuros com peso de nasci-
mento entre 1250 e 1500 gramas é de 90%. Para os que nascem
com peso entre 750 e 1000 gramas, a taxa de sobrevida é de aproxi-
madamente 60%. A possibilidade de sobrevivência dos bebês ex-
tremamente prematuros \u2014 peso ao nascimento menor que 750 gra-
mas e IG de 25 semanas \u2014 é bastante reduzida, estando por volta
de 20%18 .
Caso seja necessária a
utilização de complemento
alimentar, deve ser ofereci-
do leite humano ordenha-
do.
O horário noturno é o mais
importante para a manuten-
ção da posição, pois o padrão
respiratório estável materno
contra o corpo da criança esti-
mula o bebê, evitando com
isso a apnéia comum dos
prematuros.
18 Trindade, 1995.
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 Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente
O nascimento de um bebê prematuro pode estar associado às
seguintes condições maternas:
! desnutrição materna e ausência de assistência pré-natal relacio-
nadas à baixa condição sócio-econômica;
! idade materna (menor de 16 anos ou maior de 35 anos);
! patologias da gestação: doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG),
placenta prévia, excesso de líquido amniótico, malformações, traumatismos
uterinos e infecção do líquido amniótico;
! gestações múltiplas e gestações consecutivas com intervalo re-
duzido entre os partos.
Em função do nascimento prematuro, os órgãos e sistemas dos
bebês não se encontram ainda completamente desenvolvidos, acarre-
tando com isso vários problemas que requerem cuidados e atenção es-
pecializada.
Os prematuros são também mais vulneráveis à ação dos microrga-
nismos, principalmente daqueles presentes no ambiente hospitalar. Sen-
do assim, é muito importante o emprego das medidas de pre-
venção e controle de infecções hospitalares.
14.1.1 Nutrição dos prematuros
Após o nascimento, a principal fonte de energia e nutri-
entes para o RN é o leite materno por meio da amamentação.
Porém, alguns bebês podem estar impossibilitados de sugar o
seio materno por motivos relacionados a seu estado de saúde
e/ou relacionados a sua mãe.
A nutrição de bebês prematuros constitui-se em um dos
grandes desafios no campo da neonatologia. Essas crianças
precisam de um suporte nutricional que possibilite um cresci-
mento e desenvolvimento de todos os seus órgãos e sistemas,
semelhante ao que ocorreria intra-uterinamente. Durante o
último trimestre de gestação há um acentuado crescimento e
desenvolvimento corporal e cerebral, além do armazenamento de gor-
dura, cálcio e vitaminas. O ganho de peso ideal para essas crianças gira
em torno de 15 gramas por dia.
Os prematuros apresentam dificuldades diversas para serem ali-
mentados relacionadas à instabilidade clínica, imaturidade do trato
gastrintestinal (dificultando a absorção e digestão adequada dos
nutrientes)e deficiência de reflexos.
Embora o reflexo de sucção esteja presente a partir da 27a - 28a
semana de gestação, a coordenação entre sucção, deglutição e respira-
ção, fundamental para que o bebê receba alimentos por via oral, é ob-
servada somente entre a 32a e a 34a semana de gestação.
No Brasil, assim como nos
demais países em desenvol-
vimento, as condições
socioeconômicas contribuem
significativamente para au-
mentar o risco da ocorrência
de parto prematuro.
O leite humano deve ser
sempre a primeira opção
para sua alimentação.
Hoje sabe-se inclusive que
o leite de mulheres que
tiveram parto prematuro é
ainda mais adequado para
esses bebês, pela maior
concentração de gordura,
eletrólitos e anticorpos pre-
sentes na sua composição.