AV2 Clinico 2 Enfermagem - Saúde da Mulher
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os sinais acima, se inicie a administra-
ção de SRO e se procure o serviço de saúde.
! PLANO B \u2013 A criança com diarréia e sinais de desidratação.
A reidratação oral com o SRO é o tratamento de escolha para os
pacientes com desidratação devido a diarréia e vômitos.
Os refrigerantes não devem ser utilizados como soluções de
reidratação, pois, além de ineficazes podem piorar a diarréia.
A quantidade da solução ingerida dependerá da sede da criança e
deverá receber de 50 a 100 ml/kg, no período de 4 a 6 horas.
Os lactentes amamentados no seio deverão continuar recebendo o
leite materno, junto com a SRO. Os pacientes com outro tipo de
alimentação deverão receber somente a solução reidratante, enquan-
to mantém sinais de desidratação.
A solução deve ser oferecida com freqüência, usando-se copo, co-
lher ou conforme os hábitos da criança.
*Se o paciente vomitar, o volume administrado deverá ser reduzido
e a freqüência da administração aumentada.
! Como preparar o soro caseiro?
O soro caseiro, feito com açúcar, sal e água, é muito bom para
crianças e adultos com diarréia. É fácil de prepará-lo:
1. Lave bem as mãos.
2. Encha um copo grande (200 ml) com água limpa, fervida.
3. Coloque uma medida pequena e rasa de sal.
4. Coloque duas medidas grandes e rasas de açucar.
5. Mexa bem e dê em colheradas.
Prove o soro antes de oferecer ao doente, para verificar que não
esteja mais salgado que água de côco ou lágrimas.
! Outro tipo de soro caseiro
Podemos fazer outro Soro Caseiro usando farinha de arroz
ou fubá ou farinha de mandioca (macaxeira/aipim) ou fari-
nha de trigo.
Dissolvemos quatro colheres de sopa de uma dessas farinhas em
água fria e colocamos em um litro de água fervendo por 5 minu-
tos, junto com três pitadas de sal.
Assim temos um ótimo Soro Caseiro, que podemos dar ao do-
ente da mesma maneira como o Soro Caseiro de açúcar, sal e
água.
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! Preparação da Solução de Sais de Reidratação Oral (SRO)
1. Dissolver um pacote de sal reidratante em um litro de água
Manter rigorosamente essa relação (1 pacote/1 litro).
2. Usar água limpa em temperatura ambiente.
3. A solução depois de preparada pode permanecer em tempe-
ratura ambiente até 24 horas. Após esse período, deve ser descarta-
da e preparada nova solução.
4. Os sais não podem ser diluídos em outro líquido que não seja
água, nem acrescido de açúcar ou outras substâncias visando me-
lhorar o sabor.
! PLANO C \u2013 A criança com diarréia e desidratação grave.
O tratamento é feito a nível hospitalar, através de reidratação oral
e/ou venosa, conforme o estado de hidratação da criança.
! Acompanhamento
*Os sinais clínicos de desidratação desaparecem paulatinamente
durante o período de reidratação. Os pacientes deverão ser
reavaliados com freqüência. Quando já ingerido o volume inicial
prescrito e os sinais clínicos de desidratação ainda estiverem pre-
sentes, prescreve-se um volume adicional correspondente. São pou-
cas as crianças que necessitam desta prescrição adicional.
*A febre causada pela desidratação geralmente cede na medida em
que a criança se reidrata. O uso de antitérmicos nesta fase deve ser
evitado.
*As crianças com desidratação deverão permanecer na unidade de
saúde até a reidratação completa.
* A fase de reidratação termina quando desaparecem os sinais de
desidratação. Se isto acontecer, antes mesmo da ingestão de todo
o volume inicial prescrito, deve-se interromper esta fase, alimen-
tar a criança e administrar o SRO após cada evacuação.
! Manutenção do estado de hidratação
*Terminada a reidratação, a criança deverá receber alta. Os fa-
miliares deverão ser informados que a diarréia poderá durar ain-
da alguns dias;
*Fornecer dois envelopes de SRO, cuja preparação deve ser en-
sinada e demonstrada;
*Após cada evacuação líquida, oferecer SRO nos seguintes volumes;
Crianças até 12 meses 50 a 100 ml (1/4 a ½ copo)
Crianças acima de 12 meses 100 a 200 ml (1/2 a 1 copo)
10 anos ou mais a quantidade que desejar
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 Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente
*O aleitamento materno deve ser mantido e estimulado. Enfatizar
que o leite materno é o melhor alimento e ajuda a prevenir a diarréia
e outras infeções. Para crianças que recebem outros alimentos, ori-
entar a mãe para manter a alimentação normal. Deve-se recomen-
dar o uso de colheres e outros utensílios mais fáceis de serem man-
tidos limpos do que mamadeiras.
*A dieta deve ser a habitual da criança, corrigidos os erros dietéticos.
A criança deve comer o quanto e quando quiser;
*Enfatizar a importância de acrescentar uma refeição diária até a
recuperação nutricional;
*A criança deve retornar ao serviço de saúde, para reavaliação após
24 a 48 horas;
*Orientar sobre os sinais de piora: sede intensa, vômitos freqüen-
tes, piora da diarréia, irritabilidade ou prostração. Indicar quem caso
isso ocorra, deve-se administrar SRO e voltar imediatamente ao
Serviço de Saúde.27
Na análise das diarréias e desidratações, existe um fator que não
pode deixar de ser considerado: a alimentação inadequada em função
da falta de informação dos responsáveis e não propriamente por insufi-
ciência de recursos. Quando a criança não recebe alimentos na quanti-
dade e qualidade necessárias, cresce com uma série de deficiências que
podem levá-la a não ter vontade de brincar com outras crianças, a ter
dificuldade de concentração e de aprendizado, resultando, ainda, em
episódios freqüentes de internação hospitalar.
Um acometimento bastante prejudicial ao desenvolvimento in-
fantil são as verminoses, cujos parasitas são transmitidos devido à con-
taminação da água, dos alimentos e do próprio solo. Ao agredirem a
mucosa intestinal poderão causar diarréias. Considerando que a maior
parte de nossa população vive em condições insatisfatórias de higiene e
saneamento básico, é preciso promover a melhoria dessas condições a
fim de preservar a população dos \u201chóspedes indesejáveis\u201d.
19.3 Desnutrição proteico-calórica
Chamamos de desnutrição o processo de atraso no crescimento e
desenvolvimento infantil por carência alimentar. Quando há principal-
mente ausência ou carência de proteínas, a desnutrição é chamada de
kwashiokor, que acontece muito comumente quando a criança é des-
mamada. Nesse caso ela se mostra enfraquecida, com as extremidades
frias, abdome globoso, pele áspera e seca, cabelos igualmente secos,
ásperos e opacos.27 Manual de Assistência e Controle das
Doenças Diarréicas, 1993
Em recente pesquisa (mar-
ço/2001) realizada pela
Fundação Oswaldo Cruz/
Rio de Janeiro nas comuni-
dades carentes adjacen-
tes, constatou-se que
aproximadamente 45%
das crianças examinadas
eram portadoras de
parasitoses intestinais.
Que relação existe entre
esse fato e as condições
de vida dessa população?
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A outra forma de desnutrição é chamada de marasmo. É uma
forma mais grave de desnutrição e acontece por ingestão insuficiente
de proteínas e calorias. É comum em famílias nas quais os adultos se
alimentam antes das crianças, em época de carência de alimentos \u2014
época de seca, por exemplo. A criança com marasmo apresenta-se
irritadiça, retraída, letárgica, com a pele flácida e enrugada, com apa-
rência de velha. É freqüente o aparecimento de doenças debilitantes
nessas crianças, como: tuberculose, parasitoses, disenteria, e outras. O
marasmo significa não só a ingestão insuficiente de nutrientes, mas
também encarna a síndrome da falta de afeto e de proteção.
19.4 Principais problemas
hematológicos
Anemia significa redução do número de hemácias ou de
hemoglobinas circulantes. Como são elas as responsáveis pelo transporte
de oxigênio até os tecidos, sua diminuição pode significar importante
sofrimento. Os valores normais de hematócrito durante a infância de-
vem oscilar entre 35% e 50% e a hemoglobina entre 13g/dl