Penal - Codigo Penal Brasileiro - Biblioteca do Exilado

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prestando assistência.
O desacato se verifica não só quando o funcionário se acha no exercício da função (seja, ou não, o ultraje infligido propter officium), senão também quando se acha extra officium, desde que a ofensa seja propter officium.
CONCLUSÃO
86. É este o projeto que tenho a satisfação e a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência.
O trabalho de revisão do projeto Alcântara Machado durou justamente 2 (dois) anos. Houve tempo suficiente para exame e meditação da matéria em todas as suas minúcias e complexidades. Da revisão resultou um novo projeto. Não foi este o propósito inicial. O novo projeto não resultou de plano preconcebido; nasceu, naturalmente, à medida que foi progredindo o trabalho de revisão. Isto em nada diminui o valor do projeto revisto. Este constituiu uma etapa útil e necessária à construção do projeto definitivo.
A obra legislativa do Governo de Vossa Excelência é, assim, enriquecida com uma nova codificação, que nada fica a dever aos grandes monumentos legislativos promulgados recentemente em outros países. A Nação ficará a dever a Vossa Excelência, dentre tantos que já lhe deve, mais este inestimável serviço à sua cultura.
Acredito que, na perspectiva do tempo, a obra de codificação do Governo de Vossa Excelência há de ser lembrada como um dos mais importantes subsídios trazidos pelo seu Governo, que tem sido um governo de unificação nacional, à obra de unidade política e cultural do Brasil.
Não devo encerrar esta exposição sem recomendar especialmente a Vossa Excelência todos quantos contribuíram para que pudesse realizar-se a nova codificação penal no Brasil: Dr. Alcântara Machado, Ministro A. J. da Costa e Silva, Dr. Vieira Braga, Dr. Nelson Hungria, Dr. Roberto Lira, Dr. Narcélio de Queiroz. Não estaria, porém, completa a lista se não acrescentasse o nome do Dr. Abgar Renault, que me prestou os mais valiosos serviços na redação final do projeto.
Aproveito o ensejo, Senhor Presidente, para renovar a Vossa Excelência os protestos do meu mais profundo respeito.
FRANCISCO CAMPOS
 
 Código Penal Brasileiro
 
 
 
Código Penal
DECRETO-LEI N. 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940 (4)
Código Penal.
O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição, decreta a seguinte Lei:
\u2022\u2022 Refere-se à Constituição de 1937. Vide arts. 22, I, e 84, IV, da CF.
CÓDIGO PENAL
PARTE GERAL
\u2022\u2022 Parte Geral com redação determinada pela Lei n. 7.209, de 11-7-1984.
TÍTULO I
 DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL
Anterioridade da lei
Art. 1.º Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
\u2022\u2022 Igual disposição traz a CF, art. 5.º, XXXIX.
\u2022
Vide art. 2.º do CPP.
\u2022
Vide art. 1.º do Decreto-lei n. 3.914, de 9-12-1941.
\u2022
Vide art. 61 da Lei n. 9.099, de 26-9-1995 (infrações de menor potencial ofensivo).
\u2022
Vide art. 9.º do Pacto de São José da Costa Rica, que dispõe sobre o princípio da legalidade e da retroatividade (Decreto n. 678, de 6-11-1992).
Lei penal no tempo
Art. 2.º Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
\u2022\u2022
Vide art. 5.º, XXXVI e XL, da CF.
\u2022\u2022
Vide art. 107, III, do CP.
\u2022\u2022
Vide art. 66, I, da Lei n. 7.210, de 11-7-1984.
\u2022
Vide art. 2.º do CPP.
\u2022
Vide art. 9.º do Pacto de São José da Costa Rica (Decreto n. 678, de 6-11-1992).
\u2022
Vide Súmulas 611 e 711 do STF.
Parágrafo único. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.
Lei excepcional ou temporária
Art. 3.º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.
Tempo do crime
Art. 4.º Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.
\u2022
Vide art. 13 (relação de causalidade) e art. 111 (termo inicial da prescrição) do CP.
Territorialidade
Art. 5.º Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.
\u2022\u2022
Vide arts. 1.º, 89 e 90 do CPP.
\u2022\u2022
Vide art. 2.º da LCP (Decreto-lei n. 3.688, de 3-10-1941).
\u2022 Sobre extradição vide arts. 76 a 94 do Estatuto do Estrangeiro (Lei n. 6.815, de 19-8-1980).
\u2022
Vide arts. 5.º, LII, e §§ 2.º a 4.º, e 20, VI, da CF.
\u2022 O Decreto n. 4.388, de 25-9-2002, promulga o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional.
§ 1.º Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.
§ 2.º É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.
Lugar do crime
Art. 6.º Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
\u2022\u2022
Vide arts. 70 e 71 do CPP.
\u2022\u2022
Vide art. 63 da Lei n. 9.099, de 26-9-1995.
Extraterritorialidade
Art. 7.º Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:
\u2022
Vide arts. 1.º e 88 do CPP.
I \u2013 os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
\u2022
Vide art. 109, IV, da CF (competência).
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
\u2022
Vide arts. 312 a 327 do CP (crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral).
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;
\u2022 A Lei n. 2.889, de 1.º-10-1956, define e pune o crime de genocídio.
\u2022
Vide art. 1.º, parágrafo único, da Lei n. 8.072, de 25-7-1990 (crimes hediondos).
\u2022 O art. 6.º do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional dispõe sobre o crime de genocídio (Decreto n. 4.388, de 25-9-2002).
II \u2013 os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
\u2022
Vide art. 109, V, da CF (competência).
b) praticados por brasileiro;
\u2022
Vide art. 12 da CF.
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados.
§ 1.º Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.
§ 2.º Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
\u2022 Sobre extradição vide arts. 76 a 94 do Estatuto do Estrangeiro (Lei n. 6.815, de 19-8-1980).
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
\u2022 Extinção da punibilidade: arts. 107 a 120 do CP.
§ 3.º A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve