Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014


DisciplinaDireito Processual Penal I18.734 materiais138.476 seguidores
Pré-visualização50 páginas
se manifesta em sentido diverso, anuindo com a sua realização\u201d (STJ, HC 148364/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJe 06.02.2012).
 
 
 
 
 
 		
 Procedimentos Específicos de Interrogatório
 
 
 
 		
 Interrogatório do deficiente auditivo (\u201csurdo, mudo, surdo-mudo\u201d);
 Interrogatório do desconhecedor da língua nacional;
 Interrogatório do réu preso em estabelecimento prisional;
 Interrogatório do réu preso por videoconferência.
 
 
 
 
 
 
 
 
 		
 Requisitos do Interrogatório por videoconferência
 
 
 
 		
 Fundada suspeita de que o preso integra organização criminosa;
 Fundada suspeita que preso poderá empreender fuga durante o deslocamento;
 Para viabilizar a participação do réu com relevante dificuldade para comparecimento em juízo por enfermidade ou outra circunstância pessoal;
 Impedir a influência do réu no ânimo de testemunha ou da vítima, desde que não seja possível colher o depoimento destas por videoconferência, nos termos do art. 217 do CPP; Caso de gravíssima questão de ordem pública.
 
 
 
 8.9.4.3. Direito ao silêncio
 O art. 186 CPP impõe que o juiz, antes de iniciar o interrogatório, após qualificar e dar ciência ao réu do teor da acusação, informe-o de seu direito de permanecer calado e não responder às perguntas que lhe forem formuladas.
 O parágrafo único adverte que o silêncio não importará em confissão nem poderá ser interpretado em prejuízo da defesa.
 O direito ao silêncio é uma das manifestações da garantia da não autoincriminação (nemo tenetur se detegere). Essa garantia concretiza o direito de não ser obrigado a produzir provas contra si mesmo previsto no art. 5.º, LXIII, da CF/1988 (\u201co preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado...\u201d) e ainda pelo art. 8.º.2, \u201cg\u201d, da Convenção Americana de Direitos Humanos (art. 8.º.2 \u2013 \u201cToda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas: (...) g) direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada\u201d).
 O não comparecimento do acusado no interrogatório é uma das formas de exercitar o direito ao silêncio. Por esse motivo, entendese que a condução coercitiva do réu prevista na parte inicial art. 260, CPP, não foi recepcionada pela Constituição Federal.
 A autoridade, contudo, poderá mandar conduzi-lo à sua presença no tocante aos demais atos de instrução (reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado), conforme dispõe a parte final do art. 260, pois se entende que o seu silêncio e passividade serão respeitados.
 Ressalte-se que o entendimento predominante é no sentido de que o direito ao silêncio e a garantia contra a autoincriminação alcançam não somente o réu em seu interrogatório, mas qualquer pessoa inquirida, independentemente da posição que se encontrar no processo, inclusive testemunhas que não precisam responder a perguntas incriminadoras.
 Direito ao silêncio e impossibilidade de condução coercitiva para interrogatório. \u201cA Constituição garante a qualquer um o direito de permanecer calado (art. 5.º, LXIII), o que faz com que a resposta à inquirição investigatória consubstancie uma faculdade. Ora, não se prende alguém para que exerça uma faculdade. Sendo a privação da liberdade a mais grave das constrições que a alguém se pode impor, é imperioso que o paciente dessa coação tenha a sua disposição alternativa de evitá-la. Se a investigação reclama a oitiva do suspeito, que a tanto se o intime e lhe sejam feitas perguntas, respondendo-as o suspeito se quiser, sem necessidade de prisão\u201d (STF, HC 95.009, Rel. Min. Eros Grau, j. 06.11.2008, Plenário, DJE 19.12.2008).
 Direito de não produzir prova contra si mesmo e \u201cbafômetro\u201d. \u201cDireito de não produzir prova contra si mesmo: nemo tenetur se detegere. (...) Lesões corporais e homicídio culposo no trânsito. Não se pode presumir a embriaguez de quem não se submete a exame de dosagem alcoólica: a Constituição da República impede que se extraia qualquer conclusão desfavorável àquele que, suspeito ou acusado de praticar alguma infração penal, exerce o direito de não produzir prova contra si mesmo: Precedentes\u201d (HC 93.916, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 10.06.2008, Primeira Turma, DJE 27.06.2008).
 Direito ao silêncio para testemunha que estava depondo sobre fatos que a colocavam na qualidade de investigado. \u201cFalso testemunho (CPM, art. 346). Negativa em responder às perguntas formuladas. Paciente que, embora rotulado de testemunha, em verdade encontrava-se na condição de investigado. Direito constitucional ao silêncio. Atipicidade da conduta\u201d (STF, HC 106.876, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 14.06.2011, Segunda Turma, DJE 1.º.07.2011). No mesmo sentido: HC 73.035, Rel. Min. Carlos Velloso, j. 13.11.1996, Plenário, DJ 19.12.1996.
 8.9.4.4. Confissão
 A confissão consiste no meio de prova pelo qual o réu reconhece a autoria e veracidade dos fatos que lhes são imputados na ação penal, seja total ou parcialmente. É mais um meio de prova previsto no Código de Processo Penal, disciplinado nos arts. 197 a 200.
 Na perspectiva do processo penal em um Estado Democrático, seu valor probatório, como qualquer outra prova, é relativo: a confissão deve ser confrontada com outros meios de prova também admitidos e avaliada conforme determina o sistema do livre convencimento motivado, de acordo com o que versa o art. 197. O art. 190 CPP impõe que, se o réu confessar a autoria, deverá ser perguntado sobre os motivos e circunstâncias do fato.
 São requisitos da confissão: a verossimilhança; a clareza; a pessoalidade (não se admite confissão por interposta pessoa); a espontaneidade; a saúde mental do réu.
 A confissão, como dispõe o art. 200 CPP, tem como características:
 (i)   Divisibilidade \u2013 juiz não é obrigado a valorar a confissão como um todo, podendo aceitar apenas parte;
 (ii)   Retratabilidade \u2013 é possível ao réu, mesmo após ter confessado, voltar atrás, cabendo ao juiz confrontar a confissão e retratação com os demais meios de prova.
 
 
 
 
 
 		
 O interrogatório após a Lei 10.792/2003
 
 
 
 		
 Considerado meio de defesa;
 Conferido o direito ao silêncio \u2013 garantia contra a autoincriminação;
 Impossibilidade de condução coercitiva para interrogar.
 
 
 
 8.9.5. Perguntas ao ofendido
 O ofendido ou vítima é o sujeito passivo da infração, titular do bem jurídico protegido pela norma penal.
 No sistema processual penal brasileiro, a declaração judicial do ofendido não é tomada como depoimento de testemunha. O ofendido tem tratamento diferenciado da testemunha: enquanto a testemunha é terceiro desinteressado no deslinde do feito, o ofendido tem interesse na condenação do réu (reparação cível), sendo-lhe facultado integrar a relação jurídica processual penal na figura de assistente da acusação.
 Por esse motivo, o ofendido não responde pelo crime de falso testemunho, que, nos termos do art. 342, CP, somente pode ser cometido pelas testemunhas, peritos, contadores, tradutores ou intérpretes. É possível, no entanto, que o ofendido responda por crime de denunciação caluniosa (art. 339, CP), ou, se descumprir a ordem de comparecimento para prestar depoimento, por crime de desobediência (art. 330, CP).
 Da mesma forma, sua indicação no rol de provas a serem produzidas não é computada entre o rol de testemunhas. A oitiva do ofendido será feita, nos termos do art. 201 do CPP,