Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.752 materiais138.640 seguidores
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CPP, determinando que as perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. Com isso, foi abolido o sistema presidencialista da inquirição de testemunhas, em que somente o juiz formulava diretamente as perguntas às testemunhas.
 As perguntas serão feitas tanto pela parte que arrolou a testemunha (primeira a inquirir) quanto pela outra parte (que pode reinquirir), naquilo que a doutrina chama de exame cruzado (cross examination).
 O juiz não pode, contudo, assistir passivamente o exame cruzado. Cabe-lhe impedir intimidação, ameaças e manipulação (pergunta que induz a resposta), que corroem a espontaneidade do depoimento, além de controlar a pertinência das inquirições. A lei exige também que o juiz não admita perguntas que não tiverem relação com a causa ou repetem outra pergunta já respondida.
 O parágrafo único do art. 212 prevê a possibilidade de complementação pelo juízo dos pontos não esclarecidos nos depoimentos. No entendimento do Supremo Tribunal Federal, a inversão da ordem de inquirições feita pelo juízo que não atende ao novo sistema de exame cruzado e inicia a inquirição de testemunha leva à nulidade relativa, devendo a parte comprovar o prejuízo (ver no tópico \u201cJurisprudência\u201d adiante).
 Inversão, pelo juízo, na ordem de perguntas às testemunhas gera nulidade relativa. \u201c1. A magistrada que não observa o procedimento legal referente à oitiva das testemunhas durante a audiência de instrução e julgamento, fazendo suas perguntas em primeiro lugar para, somente depois, permitir que as partes inquiram as testemunhas, incorre em vício sujeito à sanção de nulidade relativa, que deve ser arguido oportunamente, ou seja, na fase das alegações finais, o que não ocorreu. 2. O princípio do pas de nullité sans grief exige, sempre que possível, a demonstração de prejuízo concreto pela parte que suscita o vício\u201d (STF, HC 103525/PE, Rel. Min. Carmem Lúcia, j. 27.08.2010).
 
 
 
 
 
 
 		
 Prova Testemunhal
 
 
 
 		
 Quem pode depor
 
 		
 Toda pessoa poderá ser testemunha (art. 202, CPP), menos as que, em razão da função, ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, que são proibidas de depor (art. 205, CPP), a não ser que sejam desobrigadas pela parte.
 
 
 
 		
 Depoimento
 
 		
 \u2022 Oral (vedado depoimento por escrito, com exceção dos casos dos deficientes auditivos, art. 223, CPP, e depoimento do Presidente e do Vice-Presidente da República, presidentes do Senado, Câmara Federal e do STF, que podem ser escritos);
 \u2022 Compromisso de dizer a verdade e dever de depor (art. 203, CPP).
 
 
 
 		
 Não prestam compromisso de dizer a verdade
 
 		
 Art. 206, CPP: ascendentes, descendentes, cônjuge, irmão, pai ou mãe, filho; Art. 208, CPP: doentes, deficientes mentais, menores de 14 anos.
 
 
 
 		
 Testemunha militar
 
 		
 Requisitada ao superior hierárquico.
 
 
 
 		
 O Presidente da República, o Vice-Presidente, senadores, deputados federais, ministros de Estado, governadores, secretários de Estado, prefeitos, deputados estaduais, membros do Poder Judiciário, ministros do Tribunal de Contas da União e demais autoridades arroladas no art. 221, CPP
 
 		
 Inquiridos em local, dia e hora previamente ajustados.
 
 
 
 		
 Presidente e Vice-Presidente da República, presidentes do Senado, Câmara Federal e do STF
 
 		
 Depoimento poderá ser feito por escrito.
 
 
 
 		
 Não comparecimento injustificado das autoridades arroladas no art. 221, CPP, no local, dia e hora por eles ajustados
 
 		
 STF: não atendimento ao chamado da justiça para prestar o testemunho por mais de trinta dias gera a perda da prerrogativa prevista no caput do art. 221, CPP.
 
 
 
 8.9.7.2. Classificação das testemunhas
 As testemunhas classificam-se em:
 1) Diretas: aquela que presenciou os fatos.
 2) Indiretas: aquela que ouviu falar dos fatos.
 3) Informantes: aquele que é ouvido, mas sem compromisso de dizer a verdade (vide acima, por exemplo, o rol do art. 208 do CPP).
 4) Referidas: são as pessoas que são mencionadas pelas testemunhas.
 5) Numerárias: são aquelas que integram o rol de testemunhas oferecidas pelas partes.
 6) Extranumerárias: são arroladas além do número permitido pela lei.
 7) Própria: é a testemunha que fala sobre os fatos que estão sendo imputados ao réu.
 8) Imprópria: testemunha que depõe sobre um ato específico do processo.
 8.9.7.3. Antecipação de depoimento nos casos de pessoas protegidas no programa especial de proteção a vítimas e testemunhas ameaçadas \u2013 Lei 12.483, de 08.09.2011, e Lei 9.807/1999
 A Lei 12.483, de 08.09.2011, incluiu o art. 19-A e parágrafo na Lei 9.807/1999 \u2013 Lei do Programa Especial de Proteção a Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas.
 A partir dos novos dispositivos, terão prioridade na tramitação o inquérito e o processo criminal em que figure indiciado, acusado, vítima ou réu colaboradores, vítima ou testemunha protegidas pelos programas de que trata essa Lei.
 E mais: determina o texto legal que qualquer que seja o rito processual criminal, o juiz, após a citação, tomará antecipadamente o depoimento das pessoas incluídas nos programas de proteção previstos nesta Lei, devendo justificar a eventual impossibilidade de fazê-lo no caso concreto ou o possível prejuízo que a oitiva antecipada traria para a instrução criminal.
 Trata-se de nova exceção ao princípio da concentração da instrução criminal. Assim, na hipótese de testemunhas, vítimas ou réus ameaçados e protegidos pelo Programa Federal de Assistência a Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas, a regra é a tomada de depoimento antecipadamente ao restante da instrução. Caso isso não ocorra, o juiz deverá proferir decisão fundamentando os motivos pelos quais não houve tal antecipação.
 
 
 
 
 
 
 		
 Classificação das Testemunhas
 
 
 
 		
 Diretas
 
 		
 Presenciaram os fatos
 
 
 
 		
 Indiretas
 
 		
 Ouviram falar dos fatos
 
 
 
 		
 Informantes
 
 		
 Não prestam compromisso
 
 
 
 		
 Referidas
 
 		
 Mencionadas por outras testemunhas nos depoimentos
 
 
 
 		
 Numerárias
 
 		
 Integram o rol de testemunhas oferecidas pelas partes
 
 
 
 		
 Extranumerárias
 
 		
 Arroladas além do número permitido pela lei
 
 
 
 		
 Própria
 
 		
 Testemunha que fala sobre os fatos imputados ao réu
 
 
 
 		
 Imprópria
 
 		
 Presta depoimento sobre um ato especifico do processo
 
 
 
 8.9.8. Acareação
 A acareação consiste em procedimento pelo qual são confrontadas pessoas que apresentaram depoimentos divergentes entre si, para que possam reconhecer equívocos ou manter as posições anteriores. O procedimento da acareação não configura meio de prova distinto, pois decorre de provas anteriores, como depoimentos de outras testemunhas,