Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014


DisciplinaDireito Processual Penal I18.734 materiais138.476 seguidores
Pré-visualização50 páginas
da portaria ou do auto de prisão em flagrante, poderão ser supridas a todo o tempo, antes da sentença final\u201d).
 b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvado o disposto no art. 167
 De acordo com o art. 158 do CPP, nos crimes que deixam vestígios, é indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto. Inicialmente, a ausência de prova da materialidade do crime é hipótese de rejeição da denúncia, absolvição sumária ou absolvição final (art. 386, I e II, CPP). Por outro lado, trata-se de valoração probatória (e não nulidade), podendo até \u2013 na visão dominante \u2013 tal exame ser determinado pelo juízo, na busca da verdade real ou, ainda, gerar sentença de rejeição da peça inicial ou absolvição.
 Quanto ao art. 167 CPP, trata-se de hipótese de impossibilidade de exame de corpo de delito direto, que pode ser suprido por prova testemunhal.
 c) a nomeação de defensor ao réu presente, que o não tiver, ou ao ausente, e de curador ao menor de 21 anos
 A falta de nomeação de defensor ao réu presente implica ausência de defesa técnica, o que viola a ampla defesa prevista constitucionalmente e gera nulidade absoluta. A Súmula 523 do STF determina que, \u201cNo processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu\u201d.
 No caso do réu citado regularmente e ainda assim não constituir advogado, deve o juiz comunicar à Defensoria Pública, que designará defensor público para tanto. Caso o réu nomeie advogado, que se queda inerte para determinado ato, o juiz deve nomear defensor substituto para o ato.
 Se houver renúncia do advogado constituído, o juiz deve suspender o ato e intimar o réu para que indique outro defensor. A Súmula 708 do STF dispõe que \u201cÉ nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da renúncia do único defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro\u201d.
 No que se refere ao curador do menor de 21 anos e maior de 18 anos, o Código Civil atual determinou que a menoridade cessa aos 18 anos completos (art. 5.º), gerando a desnecessidade da figura do \u201ccurador\u201d. Além disso, o art. 194, que tratava da nomeação de curador, foi revogado pela Lei 10.792/2003, que, curiosamente, esqueceu de alterar também o 564, III, \u201cc\u201d.
 d) a intervenção do Ministério Público em todos os termos da ação por ele intentada e nos da intentada pela parte ofendida, quando se tratar de crime de ação pública
 A ausência da intervenção do Ministério Público na ação penal pública gera nulidade do ato. Entretanto, cabe distinguir a hipótese de ausência por falta de intimação pessoal para o ato, da hipótese de não comparecimento mesmo tendo sido intimado. É o caso da falta do promotor na oitiva de testemunha de defesa que nada acrescentará ao processo, não gerando nulidade.
 e) a citação do réu para ver-se processar, o seu interrogatório, quando presente, e os prazos concedidos à acusação e à defesa
 A falta de citação sem o comparecimento espontâneo gera nulidade absoluta, contaminando os demais atos subsequentes. A falta ou a nulidade da citação, da intimação ou notificação estará sanada, desde que o interessado compareça, antes de o ato consumar-se, embora declare que o faz para o único fim de argui-la. O juiz ordenará, todavia, a suspensão ou o adiamento do ato, quando reconhecer que a irregularidade poderá prejudicar direito da parte.
 f) a sentença de pronúncia, o libelo e a entrega da respectiva cópia, com o rol de testemunhas, nos processos perante o Tribunal do Júri
 Não há mais o libelo (revogação do antigo teor do art. 416, CPP), restando a nulidade da falta de decisão de pronúncia.
 g) a intimação do réu para a sessão de julgamento, pelo Tribunal do Júri, quando a lei não permitir o julgamento à revelia
 Novamente, há nulidade absoluta pela falta de comunicação de ato processual, no caso, a intimação para a sessão de julgamento do Tribunal do Júri.
 h) a intimação das testemunhas arroladas no libelo e na contrariedade, nos termos estabelecidos pela lei
 Outra alínea que deveria ter sido revogada, pela extinção do libelo.
 i) a presença pelo menos de 15 jurados para a constituição do júri
 Trata-se de número mínimo que o legislador considerou adequado para a obtenção de sorteio disputado na formação do conselho de sentença. Caso não haja tal número mínimo, é caso de nulidade absoluta.
 j) o sorteio dos jurados do conselho de sentença em número legal e sua incomunicabilidade
 São mencionadas duas hipóteses de nulidade: a primeira, quanto ao sorteio, afeta o possível direcionamento dos jurados; a segunda, afeta a imparcialidade, pois permite influências de toda sorte (tanto externas quanto internas ao próprio corpo de jurados).
 k) os quesitos e as respectivas respostas
 Trata-se de zelar pela boa extração da vontade dos jurados, o que é essencial no Tribunal do Júri. A Súmula 156 do STF dispõe que \u201cÉ absoluta a nulidade do julgamento, pelo júri, por falta de quesito obrigatório\u201d.
 l) a acusação e a defesa, na sessão de julgamento
 A falta da acusação e da defesa, em plena sessão de julgamento, impede que o Juiz-Presidente do Tribunal do Júri possa continuar a sessão, caso uma delas abandone o plenário.
 m) a sentença
 A ausência de sentença impõe a nulidade absoluta dos atos subsequentes. Apesar de não ter sido prevista no art. 564, a hipótese mais corriqueira consiste na deficiência da sentença, em especial a falta de fundamentação. Nesse sentido, já decidiu o STF que \u201cÉ absoluta a nulidade do julgamento, pelo júri, por falta de quesito obrigatório\u201d (HC 103.037, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 22.03.2011, Primeira Turma, DJE 31.05.2011).
 n) o recurso de oficio, nos casos em que a lei o tenha estabelecido
 As hipóteses legais de duplo grau de jurisdição obrigatório ou reexame necessário, impropriamente denominado \u201crecurso de ofício\u201d (por exemplo, o art. 746, CPP, sobre o reexame de ofício da concessão de reabilitação) exigem o reexame da decisão por parte do juízo ad quem. Assim, a falta de recurso de ofício é, na realidade, vício da certidão que atestou o trânsito em julgado de decisão que deveria estar sujeita ao reexame necessário. Claro que, se a parte interpõe recurso voluntário, não há prejuízo.
 o) a intimação, nas condições estabelecidas pela lei, para ciência de sentenças e despachos de que caiba recurso
 A falta de intimação que gera prejuízo é causa de nulidade. Caso de ausência de prejuízo ocorre se a parte, mesmo na ausência de intimação, realiza o ato espontaneamente.
 p) no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais de Apelação, o quorum legal para o julgamento
 É caso de nulidade absoluta, uma vez que se trata de matéria de ordem pública referente à formação do colegiado natural competente.
 14.3. Interesse nas nulidades
 A demonstração do prejuízo, por sua vez, incumbe àquele que a alega, que deve demonstrar que o vício apontado gerou gravame ao devido processo legal (em relação a uma das partes ou ainda ao juízo). Cumpre-se, assim, o princípio do interesse, que consiste na exigência da parte que alegue nulidade ser beneficiada por tal reconhecimento, bem como não ter contribuído para a própria nulidade. Nesse sentido, dispõe o art. 565, CPP, que \u201cNenhuma das partes poderá arguir nulidade a que haja dado causa, ou para que tenha concorrido, ou referente a formalidade cuja observância só à parte contrária interesse\u201d. A vedação de alegar nulidade provada pela própria parte (non concedat venire contra factum proprium) é restrita às nulidades relativas, pois a nulidade absoluta, por definição, não convalida.
 No caso do Ministério Público, que busca a aplicação da lei penal e um título executivo judicial penal válido, cabe-lhe um esforço adicional: deve combater os vícios que prejudicam