Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.702 materiais138.345 seguidores
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pedido de decretação judicial de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico ou ainda interceptação telefônica, devendo a autoridade policial ter realizado diligências posteriores que demonstrem que tais quebras de sigilo eram imprescindíveis (\u201cOperação Boi Barrica\u201d, HC 191.378, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 6.ª Turma, j. 15.09.2011).
 Quanto ao tempo de duração da interceptação, por determinação legal, não pode exceder o prazo de quinze dias, podendo ser renovada por igual tempo, uma vez, se comprovada a indispensabilidade da medida. Contudo, já se encontra praticamente pacificado o entendimento nos nossos tribunais no sentido da validade de prorrogações, uma vez que a lei não limita o número de prorrogações possíveis. O próprio STF, em sua competência originária, já autorizou a prorrogação de interceptação telefônica repetidamente. Nesse sentido, decidiu o STF que \u201c(...) É lícita a prorrogação do prazo legal de autorização para interceptação telefônica, ainda que de modo sucessivo, quando o fato seja complexo e, como tal, exija investigação diferenciada e contínua (...)\u201d (Inq. 2.424, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 26.11.2008, Plenário, DJE 26.03.2010).
 Com isso, cabe ao magistrado, de modo fundamentado, autorizar as prorrogações necessárias para o deslinde dos fatos, respeitado o critério da razoabilidade.
 Quanto ao texto final do inciso XII, art. 5.º, que determina que admite a interceptação das comunicações para \u201cfins de investigação criminal ou instrução processual penal\u201d, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal admite que a prova obtida por interceptação para instruir investigação criminal possa servir como \u201cprova emprestada\u201d e ser \u201cutilizada em processo administrativo disciplinar\u201d (RMS 24194/DF, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 07.10.2011) e outros processos.
 Também cabe mencionar que a Lei 9.296/1996 permite a interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática, particularmente útil nos casos de correio eletrônico, chats, redes sociais e outras formas de comunicação da internet. Essa previsão legal não viola o direito à privacidade constitucional, que não é absoluto, podendo ser limitado \u2013 no caso, pela lei \u2013 para que se assegurem os direitos fundamentais de terceiros, vítimas de crimes sujeitos à pena de reclusão (ou seja, crimes graves).
 De acordo com o STF não há necessidade de transcrição de todas as conversas obtidas com a interceptação, somente dos principais trechos que efetivamente se ligam ao crime. Tampouco é necessária a perícia de voz para testar a autenticidade da degravação. Nessa linha, o STF decidiu que \u201csó é exigível, na formalização da prova de interceptação telefônica, a transcrição integral de tudo aquilo que seja relevante para esclarecer sobre os fatos da causa sub iudice\u201d (Inq. 2.424, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 26.11.2008, Plenário, DJE 26.03.2010).
 Nesse mesmo sentido, decidiu o STF que \u201cÉ desnecessária a juntada do conteúdo integral das degravações das escutas telefônicas realizadas nos autos do inquérito no qual são investigados os ora pacientes, pois basta que se tenham degravados os excertos necessários ao embasamento da denúncia oferecida, não configurando, essa restrição, ofensa ao princípio do devido processo legal (art. 5.º, LV, da CF). Liminar indeferida\u201d (HC 91.207-MC, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, j. 11.06.2007, Plenário, DJ 21.09.2007).
 A interceptação fora das hipóteses previstas em lei configura crime.
 Podem requerer a interceptação telefônica a autoridade policial, membro do Ministério Público. Posição majoritária da doutrina e jurisprudência entende ser legítimo o normativo legal que admite que o juiz determine a interceptação de ofício, em nome da chamada verdade real.
 De acordo com o art. 4.º da Lei 9.296/1996, o pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração de que sua realização é necessária à apuração de infração penal, com indicação dos meios a serem empregados. A regra é a de que o pedido de interceptação seja feito de forma escrita. No entanto, excepcionalmente, o juiz poderá aceitar o pedido verbal. Nesse caso, a concessão da interceptação somente poderá ser feita após sua redução a termo. O juiz não pode decidir sobre a concessão verbalmente.
 Nos termos da lei, a diligência será conduzida pela autoridade policial, que poderá requisitar auxílio aos serviços e técnicos especializados às concessionárias de serviço público, sempre com prévia ciência do Ministério Público, que poderá acompanhá-la, se entender necessário.
 Se houver possibilidade de gravação da comunicação interceptada, será determinada sua transcrição, encaminhando-se ao juiz competente, acompanhada com o devido auto circunstanciado, que deverá conter o resumo das operações realizadas. A gravação que não interessar à prova será inutilizada por decisão judicial, durante o inquérito, a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada.
 Após o término da diligência, pode o defensor do investigado ter acesso aos autos, instalando-se o contraditório diferido ou postergado. Essa postergação do contraditório é aceita pelo STF, para não inviabilizar a colheita da prova pela prévia ciência daquele que terá sua comunicação telefônica interceptada.
 Possibilidade de quebra de sigilo de correspondência. \u201cOs direitos e garantias fundamentais, por possuírem característica essencial no Estado Democrático, não podem servir de esteio para impunidade de condutas ilícitas, razão por que não vislumbro constrangimento ilegal na captação de provas por meio da quebra do sigilo de correspondência, direito assegurado no art. 5.º, XII, da CF, mas que não detém, por certo, natureza absoluta\u201d (STJ, HC 97336/RJ, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe 02.08.2010).
 Apreensão física de dados em computador não configura quebra de sigilo de comunicação de dados. \u201cNão há violação do inciso XII, art. 5.º, da Constituição que, conforme se acentuou na sentença, não se aplica ao caso, pois não houve quebra do sigilo da comunicação de dados (interceptação de dados), mas sim apreensão de base física, na qual se encontravam os dados, mediante prévia e fundamentada decisão judicial. A proteção a que se refere o art. 5.º, XII, da Constituição, é da comunicação de dados e não dos dados em si mesmos, ainda quando armazenados em computador\u201d (STF, RE 418416/SC, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 10.05.2006, Tribunal Pleno).
 Licitude de gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores sem a ciência do outro. \u201cÉ lícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores, ou com sua autorização, sem ciência do outro, quando há investida criminosa deste último. É inconsistente e fere o senso comum falar-se em violação do direito à privacidade quando interlocutor grava diálogo com sequestradores, estelionatários ou qualquer tipo de chantagista\u201d (STF, HC 75.338/RJ, Rel. Min. Nelson Jobim, j. 11.03.1998, Tribunal Pleno).
 Prova obtida por interceptação telefônica em investigação criminal pode ser utilizada em processo administrativo. \u201cProva licitamente obtida por meio de interceptação telefônica realizada com autorização judicial para instruir investigação criminal pode ser utilizada em processo administrativo disciplinar. Inexistência de comprovação de cerceamento de defesa em razão do indeferimento de produção de provas avaliadas como prescindíveis pela administração pública em decisão devidamente fundamentada\u201d (STF, RMS 24194/DF, Rel. Min. Luiz Fux, publicação DJE-193, 07.10.2011).
 Possibilidade de prorrogação de interceptações telefônicas quantas vezes necessárias quando houver necessidade para o deslinde dos fatos. \u201cAs questionadas prorrogações de interceptações telefônicas foram, todas, necessárias para o deslinde dos fatos. Ademais, as decisões que, como no presente caso, autorizam a prorrogação de interceptação telefônica sem acrescentar novos