Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.750 materiais138.628 seguidores
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motivos evidenciam que essa prorrogação foi autorizada com base na mesma fundamentação exposta na primeira decisão que deferiu o monitoramento. Como o impetrante não questiona a fundamentação da decisão que deferiu o monitoramento telefônico, não há como prosperar o seu inconformismo quanto às decisões que se limitaram a prorrogar as interceptações. De qualquer forma, as decisões questionadas reportam-se aos respectivos pedidos de prorrogação das interceptações telefônicas, os quais acabam por compor a fundamentação de tais decisões, naquilo que se costuma chamar de fundamentação per relationem (HC 84.869, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 19.08.2005, p. 46)\u201d (STF, HC 92020/DF, Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 21.09.2010, Publicação DJe-213, 08.11.2010).
 Permitida interceptação de sinais eletromagnéticos, óticos e acústicos mediante autorização judicial. \u201cPara fins de persecução criminal de ilícitos praticados por quadrilha, bando, organização ou associação criminosa de qualquer tipo, são permitidos a captação e a interceptação de sinais eletromagnéticos, óticos e acústicos, bem como seu registro e análise, mediante circunstanciada autorização judicial\u201d (STF, Inq. 2.424, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 26.11.2008, Plenário, DJE 26.03.2010).
 Não é necessária a transcrição e juntada de todo o conteúdo obtido com a interceptação. \u201cÉ desnecessária a juntada do conteúdo integral das degravações das escutas telefônicas realizadas nos autos do inquérito no qual são investigados os ora pacientes, pois bastam que se tenham degravados os excertos necessários ao embasamento da denúncia oferecida, não configurando essa restrição ofensa ao princípio do devido processo legal (art. 5.º, LV, da CF). Liminar indeferida\u201d (STF, HC 91.207-MC, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, j. 11.06.2007, Plenário, DJ 21.09.2007). No mesmo sentido: Inq. 2.774, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 28.04.2011, Plenário, DJE 06.09.2011; AI 685.878-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 05.05.2009, Primeira Turma, DJE 12.06.2009.
 Conversa gravada por um dos interlocutores, mesmo com ajuda de terceiro, não é interceptação telefônica. \u201cNão há interceptação telefônica quando a conversa é gravada por um dos interlocutores, ainda que com a ajuda de um repórter\u201d (STF, RE 453.562-AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 23.09.2008, Segunda Turma, DJE 28.11.2008).
 
 
 
 
 
 		
 Requisitos da interceptação telefônica
 
 
 
 		
 Indícios razoáveis de autoria ou participação l (art. 2.º, I, Lei 9.296/1996);
 
 
 
 		
 Único meio de prova disponível (art. 2.º, II, Lei 9.296/1996);
 
 
 
 		
 Crime investigado punido com reclusão (art. 2.º, III, Lei 9.296/1996);
 
 
 
 		
 Determinada por autorização judicial (art. 3.º, Lei 9.296/1996).
 
 
 
 8.9.12.2. Da busca e apreensão
 A busca e apreensão foi elencada pelo CPP como meio de prova, mas a doutrina reconhece sua natureza de diligência e instrumento processual para coleta de material probatório de natureza cautelar ou instrutório.
 De uma forma geral, pode-se afirmar que as normas necessárias para o cumprimento de mandado de busca e apreensão estão dispostas no CPP.
 O art. 240, CPP, define que há duas modalidades de busca: a busca domiciliar e a busca pessoal.
 8.9.12.2.1. Busca pessoal
 O § 2.º do art. 240 determina que \u201cproceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras \u201cb\u201d a \u201cf\u201d e letra \u201ch\u201d do parágrafo anterior\u201d.
 O rol apresentado pelo artigo é exemplificativo, como dispõe a alínea \u201ch\u201d: é possível a medida sempre que houver suspeita que a pessoa oculte qualquer elemento de convicção, termo genérico que abarca outros bens não previstos nas demais alíneas.
 A busca ou revista pessoal podem ser realizadas sem autorização judicial, no caso de (i) prisão ou quando houver (ii) fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de (iii) objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou (iv) quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar.
 8.9.12.2.2. Busca domiciliar
 A Constituição Federal assegura a inviolabilidade do domicílio, determinando que \u201ca casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial\u201d (art. 5.º, XI).
 A busca domiciliar é uma das hipóteses de reserva de jurisdição: somente pode ser efetuada mediante prévia autorização judicial, como visto, o que impede que a busca domiciliar seja autorizada pelos demais órgãos públicos que investigam, como a Polícia, MPF ou mesmo as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), que têm \u201cpoderes de investigação próprios das autoridades judiciais\u201d como estabelece o art. 58, § 3.º, CF, mas não podem determinar busca e apreensão.
 O conceito de domicílio é amplo e está definido no art. 70 do Código Civil: \u201cdomicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo\u201d. Para o STF, o conceito de \u201ccasa\u201d é abrangente, atingindo todo e qualquer (i) compartimento privado não aberto ao público, onde determinada pessoa possui (ii) moradia ou (iii) exerce profissão ou atividade.
 Para o STF, então, a proteção constitucional do domicílio abrange:
 (i) Qualquer compartimento habitado, inclusive trailers, barcos, aposento ocupado de habitação coletiva etc.
 (ii) os locais de exercício de qualquer atividade nos espaços não abertos ao público existentes em empresas, escritórios de contabilidade, consultórios médicos e odontológicos, entre outros (HC 93.050, Rel. Min. Celso de Mello, j. 10.06.2008, Segunda Turma, DJE 1.º.08.2008).
 De acordo com a CF/1988, há dois regimes constitucionais de proteção da inviolabilidade domiciliar: (i) com autorização do morador; e (ii) sem autorização do morador.
 Com a autorização do morador, não há necessidade de ordem judicial.
 Sem autorização do morador, cabe a entrada a qualquer momento por parte das autoridades públicas ou terceiros, nas seguintes hipóteses: 1) na ocorrência de flagrante delito ou iminência de o ser (art. 150, § 3.º, II, do CP); 2) na ocorrência de desastre e 3) para prestar socorro (ver adiante maiores detalhes).
 Finalmente, no caso de inexistência de autorização do morador e somente durante o dia, cabe a entrada de determinada pessoa em uma casa por ordem judicial.
 Recentemente, houve uma ruptura do paradigma da inviolabilidade domiciliar na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. O STF reconheceu como válida a invasão domiciliar por ordem judicial durante a noite, tendo fundamentado sua decisão com base na (i) inexistência de alternativa, pois a invasão durante o dia frustraria o objetivo da medida, inviabilizando a tutela judicial penal justa; (b) houve supressão mínima da privacidade, pois o escritório de advocacia cujo recinto foi invadido pelos policiais federais (para instalação de aparelho de interceptação ambiental) estava vazio (Inq. 2.424, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 26.11.2008, Plenário, DJE 26.03.2010).
 Quanto à fiscalização tributária, esta exigirá também ordem judicial caso os documentos do estabelecimento comercial estejam em área reservada vedada ao público. Na ausência de ordem judicial nessas situações, a prova será ilícita (STF, RE 331.303-Agr, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 10.02.2004).
 A contrario sensu, a fiscalização tributária pode conferir as áreas abertas ao público do estabelecimento comercial, que não estão abarcadas pelo conceito amplo de domicílio, sendo desnecessária a ordem judicial.
 8.9.12.2.3. Busca domiciliar sem autorização judicial
 A Constituição