Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014


DisciplinaDireito Processual Penal I18.734 materiais138.476 seguidores
Pré-visualização50 páginas
A realização de inquérito é função que a Constituição reserva à polícia. Precedentes\u201d (STF ADI 1.570, Rel. Min. Maurício Corrêa, j. 12.02.2004, Plenário, DJ 22.10.2004).
 Desnecessidade de esmiuçar no mandado judicial documentos e objetos a serem apreendidos na busca e apreensão. \u201cNão há no ordenamento jurídico pátrio qualquer exigência de que a manifestação judicial que defere a cautelar de busca e apreensão esmiúce quais documentos ou objetos devam ser coletados, até mesmo porque tal pormenorização só é possível de ser implementada após a verificação do que foi encontrado no local em que cumprida a medida, ou do que localizado em poder do indivíduo que sofreu a busca pessoal. Ao contrário, o artigo 243 da Lei Processual Penal disciplina os requisitos do mandado de busca e apreensão, entre os quais não se encontra o detalhamento do que pode ou não ser arrecadado. Não há no ordenamento jurídico pátrio qualquer exigência de que a manifestação judicial que defere a cautelar de busca e apreensão esmiúce quais documentos ou objetos devem ser coletados, até mesmo porque tal pormenorização só é possível de ser implementada após a verificação do que foi encontrado no local em que cumprida a medida, ou do que localizado em poder do indivíduo que sofreu a busca pessoal\u201d (STJ, HC 142205/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 13.12.2010).
 
 
 
 
 
 
 		
 Busca domiciliar sem autorização judicial
 
 		
 Busca domiciliar com autorização judicial
 
 
 
 		
 \u2022 Flagrante delito
 
 		
 \u2022 Realizada durante o dia e com apresentação do mandado;
 
 
 
 		
 \u2022 Desastre ou para prestar socorro
 
 		
 \u2022 Indicação o mais precisa possível da casa onde realizada a diligência;
 \u2022 Indicação do nome do morador;
 \u2022 Nome da pessoa que sofrerá busca pessoal;
 \u2022 Motivo e finalidade da busca e apreensão.
 
 
 
 		
 \u2022 STF: Áreas privadas de estabelecimento comercial ou escritório são consideradas domicílio; entrada de autoridades inclusive para fins de fiscalização depende de prévio mandado; áreas abertas ao público dos estabelecimentos comerciais não são consideradas domicílio (não são invioláveis).
 \u2022 STF: Veículos, barcos e aeronaves só terão status de domicílio se pessoas neles viverem com ânimo definitivo e em situação de regular permanência (nos termos do art. 33 do CC).
 
 
 
 8.9.12.3. O sigilo fiscal
 Os dados bancários e fiscais (relativos aos tributos oponíveis), assim como outros dados pessoais, são facetas do direito à intimidade e vida privada. Consequentemente, o sigilo bancário, fiscal e de dados não são absolutos e podem ser afastados, para proteção de direitos de terceiros, vítimas da prática de crimes e viabilizando a persecução criminal.
 Os dados fiscais de uma pessoa (física ou jurídica) referem-se às informações sobre a situação econômica ou financeira prestadas ao Fisco (de qualquer esfera do Poder), que, conforme dispõe o art. 198 do Código Tributário Nacional, é sujeito ao sigilo fiscal, que veda ao Fisco e seus servidores divulgar, sob qualquer forma, tais informações.
 Em virtude da relatividade das liberdades públicas, o sigilo fiscal não é absoluto e pode ser transferido para atender a investigação ou processo penal nas seguintes hipóteses:
 (i) por ordem judicial, no seio de investigação ou processo criminal;
 (ii) Comissão Parlamentar de Inquérito, federal ou estadual, que pode apurar fato que terá, depois, repercussão criminal a ser apurada pelo MP;
 (iii) Ministério Público da União, de acordo com Lei Complementar 75/1993.
 A transferência (\u201cquebra\u201d) de sigilo fiscal não é submetida à cláusula de reserva de jurisdição.
 A transferência de sigilo fiscal para o Ministério Público da União, sem a mediação do Poder Judiciário, é tema controverso e se baseia no art. 8.º, § 2.o, da LC 75/1993, que determina que \u201cnenhuma autoridade poderá opor ao Ministério Público, sob qualquer pretexto, a exceção de sigilo, sem prejuízo da subsistência do caráter sigiloso da informação, do registro, do dado ou do documento que lhe seja fornecido\u201d.
 Ultimamente, há vários precedentes judiciais que entendem que o MPF não pode obter diretamente a transferência do sigilo fiscal, devendo requerer ordem judicial, podendo essa questão ser tida já como pacificada em desfavor do poder do MPF.
 Nesse sentido, decidiu o Superior Tribunal de Justiça que \u201co sigilo fiscal se insere no direito à privacidade protegido constitucionalmente nos incisos X e XII do art. 5.º da Carta Federal, cuja quebra configura restrição a uma liberdade pública, razão pela qual, para que se mostre legítima, exige a demonstração ao Poder Judiciário da existência de fundados e excepcionais motivos que justifiquem a sua adoção\u201d. Determinou-se, então, o desentranhamento das provas decorrentes da quebra do sigilo fiscal realizada diretamente pelo Ministério Público sem autorização judicial (Habeas Corpus 160.646/SP (2010/0015138-3), Rel. Min. Jorge Mussi, j. 01.09.2011).
 A divulgação indevida dos dados cobertos pelo sigilo fiscal consiste no crime de \u201cviolação de sigilo funcional\u201d e é punido de acordo com a previsão do art. 325 do Código Penal (Violação de sigilo funcional: art. 325 \u2013 \u201cRevelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação: Pena \u2013 detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave\u201d).
 Comunicação de crime ao Ministério Público não afronta sigilo fiscal. \u201cCrime contra a ordem econômica (Lei 8.176/1991). Inquérito policial instaurado com base em apreensão ilícita de documentos. Trancamento pretendido. 1. Eventual vício na primeira apreensão, que foi desconstituída judicialmente, não contamina a segunda apreensão, que foi precedida de prévia autorização judicial. Discutível, ademais, cogitar-se de apreensão ilícita, uma vez que a comunicação de possível crime ao Ministério Público não configura afronta ao sigilo fiscal (CTN, art. 198, § 3.º, I). 2. Habeas corpus indeferido\u201d (STF, HC 87654, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, j. 07.03.2006).
 8.9.12.4. Sigilo Bancário
 O sigilo bancário consiste na vedação de divulgação indevida dos dados e informações constantes nas contas correntes e aplicações diversas em instituições financeiras devem ser utilizados para o correto cumprimento das normas financeiras existentes.
 Para fins de investigação e processo penal, a LC 105 elenca uma série de entes que podem, de modo fundamentado (ver adiante), requerer ao Banco Central ou às instituições financeiras o acesso aos dados com a transferência do sigilo bancário:
 1) Poder Judiciário, em inquéritos ou processos criminais.
 2) Comissões parlamentares de inquérito, por decisão aprovada em seu plenário.
 O Ministério Público não foi contemplado pela LC 105/2001, mas há aqueles que defendem que ele possui, contudo, a autorização prevista no art. 8.º, § 2.º, da LC 75/1993 (supra). Por sua vez, a LC 105 determina que, caso o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários verifiquem a ocorrência de crime definido em lei como de ação pública, ou indícios da prática de tais crimes, esses entes informarão ao Ministério Público, juntando à comunicação os documentos necessários à apuração ou comprovação dos fatos.
 Salvo nessa hipótese, cabe ao MP requerer, fundamentadamente, o acesso e transferência de sigilo bancário ao Poder Judiciário, que deferirá ou não a medida. A única hipótese de acesso direto do MP à movimentação bancária e financeira acobertada pelo sigilo bancário aceita pelo STF consiste nas informações financeiras e bancárias referentes às verbas públicas. Para o STF, a publicidade