Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.734 materiais138.515 seguidores
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negativo, pode (i) requisitar mais diligências para esclarecimento dos fatos ou (ii) requerer o arquivamento do inquérito, nos termos do art. 28, CPP, que dispõe:
 
 Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao Procurador-Geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.
 
 O art. 28, CPP, estabelece que se, após análise do conjunto de elementos de colhidos no inquérito, o Ministério Público não conceber a possibilidade de ajuizar a ação penal com base na inexistência do crime, ausência de tipicidade, ilicitude, culpabilidade ou punibilidade do fato, deve requerer o arquivamento.
 Pelo sistema do Código Processual Penal, o Ministério Público deve enviar o arquivamento ao juízo, que o homologará caso concorde com a tese.
 Caso haja discordância, o juiz deve enviar à instância hierárquica superior do membro do Ministério Público que formulou o arquivamento para revisão \u2013 na esfera federal, a atribuição é da Câmara de Coordenação e Revisão Criminal, conforme art. 62, IV, da Lei Complementar 75/1993 (na esfera estadual, a revisão cabe ao Procurador-Geral de Justiça).
 Se, na revisão, a decisão concordar com a manifestação do órgão que formulou o arquivamento, o juiz está obrigado a homologá-lo. Se, ao contrário, a instância de revisão do Parquet entender que é caso de oferecimento de denúncia, um novo membro é designado para propô-la. O mesmo procedimento do arquivamento do inquérito policial vale para arquivamento das demais peças de informação a que se refere o Código de Processo Penal.
 O entendimento atual da cúpula do Ministério Público Federal (2013) prega a possibilidade jurídica de a promoção de arquivamento do inquérito policial pelo órgão ministerial ser remetida diretamente à 2.ª Câmara de Coordenação e Revisão (CCR \u2013 responsável pela matéria criminal) para homologação, sem passar pelo juízo. Com isso, impede-se que o Juiz participe, mesmo que indiretamente, da formação da opinio delicti e, ao mesmo tempo, assegura-se revisão de todas as promoções de arquivamento tomadas pelo Procurador da República da área criminal.
 De acordo com a interpretação deste órgão de cúpula do MPF, \u201ca interpretação do art. 28 (...) deve ser sistemática, considerando não só a literalidade do art. 28 do CPP, mas observando a Constituição Federal de 1988 (art. 129) e a LC 75/1993 (art. 62, IV), e, principalmente, o sistema acusatório\u201d. Entende a citada CRR que \u201cafigura-se (...) inarredável o conhecimento por esta Câmara de Coordenação e Revisão Criminal de promoção de arquivamento formulado nos autos de inquérito policial, para fins de homologação, nos exatos termos do art. 62, IV, da LC n.º 75/1993. Ademais, tal entendimento decorre também da própria Resolução CJF n.º 063, de 26.06.2009, que regulou o trâmite direto do inquérito policial entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal\u201d.2 Anote-se que esse entendimento não eliminou, mesmo no MPF, a praxe dos Procuradores da República oficiantes na área criminal de cumprir a literalidade do art. 28 do CPP por meio do pedido de arquivamento perante o juízo.
 Esse posicionamento da cúpula do MPF, contudo, está em linha com futuras reformas pretendidas do CPP, que extinguem o \u201crito do art. 28\u201d e inauguram um rito de revisão total (espécie de \u201cart. 28 automático\u201d, que não dependa da provocação do juízo) de todas as promoções de arquivamento de inquéritos policiais, aumentando a transparência e permitindo maior controle das decisões de arquivamento. Afinal, a praxe forense indica que, em geral, os juízos federais criminais dificilmente utilizam a faculdade do art. 28 CPP, o que pode gerar fragmentação da política criminal do Estado brasileiro e violação da igualdade entre as pessoas. Por exemplo, em uma Subseção da Justiça Federal, o juiz federal criminal e o Procurador da República podem \u2013 de comum acordo e em nome da independência funcional de ambos \u2013 entender que determinado crime federal \u201cX\u201d não foi recepcionado pela CF, mesmo que no resto do Brasil a persecução e as condenações sejam corriqueiras. Com a promoção e homologação do arquivamento de todos os inquéritos da Polícia Federal, não há medida ordinária de reversão de tais decisões, restando somente a traumática decisão de remoção compulsória dos envolvidos.
 Finalmente, a autoridade judicial (mesmo um Tribunal, nos casos do inquérito contra indivíduo com prerrogativa de foro) também não pode promover o arquivamento ex officio de peças informativas ou de inquéritos policiais, pois essa prerrogativa é exclusiva do MP. Cabe ao juízo, contudo, reconhecer a ausência de justa causa e situação de injusto constrangimento, podendo conceder, ex officio, ordem de habeas corpus em favor daquele submetido a ilegal coação por parte do Estado (CPP, art. 654, § 2.º \u2013 HC 106.124-MC, Rel. Min. Celso de Mello, decisão monocrática, j. 1.º.08.2011, DJE 05.08.2011).
 
 
 
 
 
 
 		
 Quadro sinóptico
 
 
 
 		
 Garantias do investigado
 
 		
 \u2022Investigado é sujeito de direitos e garantias;
 \u2022 Inquérito policial: peça investigatória e informativa, sem presidência judicial. Não há o contraditório lato sensu, mas é possível participação do investigado.
 
 
 
 		
 Conflito de atribuições entre membros do Ministério Público
 
 		
 \u2022 Discrepância estabelecida entre membros do Ministério Público sobre a responsabilidade ativa para a persecução penal antes da judicialização do feito;
 \u2022 Entre membros do MPF: Câmara de Coordenação e Revisão, com recurso para o Procurador-Geral da República;
 \u2022 Entre membros do MPU: resolvido pelo PGR;
 \u2022 Compete ao STF dirimir conflito de atribuição entre membro do Ministério Público Federal e membro do Ministério Público do Estado;
 \u2022 Atenção: Compete ao Superior Tribunal de Justiça decidir sobre conflito de jurisdição entre Justiça federal e Justiça comum, ou entre órgãos jurisdicionais da justiça comum de diferentes Estados-membros (art. 105, I, \u201cd\u201d, da CF).
 
 
 
 		
 Arquivamento de inquéritos e peças de investigação criminais
 
 		
 \u2022 Autoridade policial não tem atribuição legal nem para determinar o arquivamento nem para oferecer a denúncia;
 \u2022 Concluído o IPL, se não houver elementos suficientes para MP denunciar: pode requisitar mais diligências para esclarecimento dos fatos ou requerer o arquivamento do inquérito, nos termos do art. 28, CPP;
 \u2022 Art. 28, CPP: pedido de arquivamento é remetido ao juízo, para homologação. Caso não concorde, deve encaminhar o pedido para instância hierárquica superior do membro do MP que formulou o arquivamento para revisão (esfera federal: Câmara de Coordenação e Revisão Criminal, conforme art. 62, IV, da LC 75/1993 \u2013 esfera estadual: Procurador-Geral de Justiça);
 \u2022 Se a instância de revisão do Parquet concordar com o arquivamento, o juiz está obrigado a homologá-lo; se discordar, um novo membro é designado para o oferecimento da denúncia;
 Nota: Ministério Público Federal defende a possibilidade jurídica de remessa direta da promoção de arquivamento pelo órgão ministerial à Câmara de Coordenação e Revisão (CCR) de matéria criminal para homologação, sem passar pelo juízo;
 \u2022 Mesmo procedimento do arquivamento do inquérito policial vale para arquivamento das demais peças de informação.
 
 
 
 3.3.12.1. Arquivamento