Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.642 materiais138.158 seguidores
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implícito
 O arquivamento implícito acontece quanto o Ministério Público não inclui na denúncia um fato que foi investigado ou uma das pessoas investigadas, e também não se manifesta expressamente sobre essa omissão. A doutrina entende que o arquivamento implícito será consumado caso o juiz não se pronuncie em relação aos fatos que foram omitidos na denúncia.
 Essa forma de arquivamento não tem previsão legal, pois, quando o MPF entender pelo descabimento da ação penal, deve requerer o arquivamento de modo expresso e fundamentado.
 Caso ocorra o arquivamento implícito, deve o juiz federal abrir prazo ao Ministério Público Federal para que se manifeste, oferecendo denúncia quanto ao fato omitido, ou, ainda, requerendo expressamente o arquivamento. Caso o juízo também se omita, pode o MP ajuizar ação penal futuramente quanto ao fato criminoso olvidado.
 Essa importante consequência do arquivamento implícito foi reconhecida pelo STF no RHC 95.141 (Rel. Min. Lewandowski, j. 06.10.2009, Primeira Turma, DJE 23.10.2009).
 3.3.12.2. Arquivamento indireto
 O arquivamento indireto consiste no reconhecimento, pelo membro do Ministério Público oficiante no inquérito policial, que há incompetência do juízo ao qual o inquérito foi vinculado, com o que o magistrado em questão pode (i) concordar ou (ii) discordar.
 Caso concorde, o inquérito será encaminhado a novo juízo federal. Por sua vez, pode o juízo que recebe os autos não concordar com a tese da competência encampada pelo juízo original, devendo suscitar conflito negativo de competência. Se o citado conflito for entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos, deve ser dirimido pelo Superior Tribunal de Justiça (art. 105, inciso I, letra \u201cd\u201d, CF/1988). No caso que seja entre juízes vinculados a um mesmo Tribunal, o conflito deve ser apreciado por este.
 Nesse caso, aplica-se analogicamente o art. 28 do Código de Processo Penal, com remessa dos autos à cúpula da instituição (no caso federal, a 2.ª Câmara de Coordenação e Revisão), que poderá concordar com a tese ministerial e encaminhar para o juízo competente, ou concordar com a tese divergente do juízo e impor a outro membro do Ministério Público a atribuição para atuar no inquérito policial.
 3.3.13. Consequências do arquivamento
 A promoção de arquivamento do inquérito policial ou de peças de informação pelo MP é um ato (i) unilateral, (ii) irretratável, (iii) irrevogável, mas (iv) potencialmente revisado, de acordo com o art. 28 do CPP (ver o posicionamento específico da 2.ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, supra) pela instância superior do MP (ver, entre outros, STF, Inq. 2.028/BA, Relator para o acórdão, Min. Joaquim Barbosa, em especial o voto do Min. Cezar Peluso, j. 28.04.2004).
 As consequências da determinação judicial do arquivamento do inquérito policial são as seguintes:
 (i) Criação de coisa julgada formal, caso o fundamento aceito pelo juízo seja a insuficiência de elementos produzidos pela investigação para embasar denúncia criminal idônea, naquele momento e rebus sic stantibus. Pode, assim, ser proposta a ação penal em data futura, caso surjam novas evidências (art. 18 do CPP e Súmula 524 do STF: \u201cArquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas\u201d).
 (ii) Criação de coisa julgada material caso seja usado qualquer um dos seguintes fundamentos para o arquivamento: (i) prescrição da pretensão punitiva e (ii) atipicidade da conduta. Consequentemente, não há mais possibilidade de propositura de uma denúncia criminal sobre o fato.
 3.3.13.1. Arquivamento realizado pelo Procurador-Geral da República
 Na área federal, o pronunciamento a favor do arquivamento de inquérito ou peças de informação promovido pelo Procurador-Geral da República nos casos de competência criminal originária do Supremo Tribunal Federal e o do Superior Tribunal de Justiça deve ser acolhido pelos citados Tribunais Superiores sem que se questione ou se entre no mérito da avaliação deduzida pelo titular da ação penal, na visão da jurisprudência dominante do STF. O pedido de arquivamento pelo Procurador-Geral da República não pode ser recusado e o arquivamento é automático.
 Excepcionalmente, porém, o STF decidiu que, caso o PGR alegue (i) atipicidade da conduta e (ii) extinção da punibilidade, poderá o Tribunal analisar o mérito das alegações trazidas pelo PGR, uma vez que essas hipóteses resultam em formação da coisa julgada material. Esse posicionamento visa manter, no âmbito judicial, o poder de ditar a formação \u2013 ou não \u2013 da coisa julgada material da investigação criminal no STF.
 \u201cInquérito \u2013 Arquivamento implícito. A ordem jurídica em vigor não contempla o arquivamento implícito do inquérito, presentes sucessivas manifestações do Ministério Público visando a diligências. Promotor natural \u2013 Alcance. O princípio do promotor natural está ligado à persecução criminal, não alcançando inquérito, quando, então, ocorre o simples pleito de diligências para elucidar dados relativos à prática criminosa. A subscrição da denúncia pelo promotor da comarca e por promotores auxiliares não a torna, ante a subscrição destes últimos, à margem do Direito\u201d (STF, RHC 93.247, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 18.03.2008, Primeira Turma, DJE 02.05.2008). Vide: RHC 95.141, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 06.10.2009, Primeira Turma, DJE 23.10.2009.
 \u201cPraticados dois roubos em sequência e oferecida a denúncia apenas quanto a um deles, nada impede que o MP ajuíze nova ação penal quanto delito remanescente. Incidência do postulado da indisponibilidade da ação penal pública que decorre do elevado valor dos bens jurídicos que ela tutela. Inexiste dispositivo legal que preveja o arquivamento implícito do inquérito policial, devendo ser o pedido formulado expressamente, a teor do disposto no art. 28 do Código Processual Penal. Inaplicabilidade do princípio da indivisibilidade à ação penal pública\u201d (STF, RHC 95.141, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 06.10.2009, Primeira Turma, DJE 23.10.2009).
 \u201cA decisão que determina o arquivamento de inquérito policial, a pedido do Ministério Público e determinada por juiz competente, que reconhece que o fato apurado está coberto por excludente de ilicitude, não afasta a ocorrência de crime quando surgirem novas provas, suficientes para justificar o desarquivamento do inquérito, como autoriza a Súmula 524 deste STF\u201d (HC 95.211, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 10.03.2009, Primeira Turma, DJE 22.08.2011).
 \u201cNenhuma afronta ao princípio do promotor natural há no pedido de arquivamento dos autos do inquérito policial por um promotor de justiça e na oferta da denúncia por outro, indicado pelo procurador-geral de Justiça, após o juízo local ter considerado improcedente o pedido de arquivamento\u201d (HC 92.885, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 29.04.2008, Primeira Turma, DJE 20.06.2008).
 \u201cInquérito policial: arquivamento com base na atipicidade do fato: eficácia de coisa julgada material. A decisão que determina o arquivamento do inquérito policial, quando fundado o pedido do Ministério Público em que o fato nele apurado não constitui crime, mais que preclusão, produz coisa julgada material, que \u2013 ainda quando emanada a decisão de juiz absolutamente incompetente \u2013 impede a instauração de processo que tenha por objeto o mesmo episódio\u201d (HC 83.346, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 17.05.2005, Primeira Turma, DJ 19.08.2005).
 
 
 
 
 
 
 
 		
 Arquivamento implícito
 
 		
 Arquivamento indireto
 
 		
 Arquivamento pelo PGR
 
 
 
 		
 Ministério Público deixa de incluir na denúncia algum fato investigado ou algum dos indiciados, sem justificação ou expressa manifestação desse procedimento; arquivamento