Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.642 materiais138.158 seguidores
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foro conferida a deputado estadual, ainda que na fase pré-processual, torna ilícitos os atos investigatórios praticados após sua diplomação\u201d (HC 94.705, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 09.06.2009, Primeira Turma, DJE 07.08.2009).
 \u201cAlegada nulidade da ação penal, que teria origem em procedimento investigatório do Ministério Público e incompatibilidade do tipo penal em causa com a CF. Caso em que os fatos que basearam a inicial acusatória emergiram durante o inquérito civil, não caracterizando investigação criminal, como quer sustentar a impetração. A validade da denúncia nesses casos \u2013 proveniente de elementos colhidos em inquérito civil \u2013 se impõe, até porque jamais se discutiu a competência investigativa do Ministério Público diante da cristalina previsão constitucional (art. 129, II, da CF). Na espécie, não está em debate a inviolabilidade da vida privada e da intimidade de qualquer pessoa. A questão apresentada é outra. Consiste na obediência aos princípios regentes da administração pública, especialmente a igualdade, a moralidade, a publicidade e a eficiência, que estariam sendo afrontados se de fato ocorrentes as irregularidades apontadas no inquérito civil\u201d (HC 84.367, Rel. Min. Ayres Britto, j. 09.11.2004, Primeira Turma, DJ 18.02.2005).
 \u201cNão há nulidade na decisão que, embora sucinta, apresenta fundamentos essenciais para a decretação da quebra do sigilo telefônico, ressaltando, inclusive, que \u2018o modus operandi dos envolvidos\u2019 \u2018dificilmente\u2019 poderia \u2018ser esclarecido por outros meios\u2019\u201d (HC 94.028, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 22.04.2009, Primeira Turma, DJE 29.05.2009).
 \u201cA prova ilícita, caracterizada pela escuta telefônica, não sendo a única produzida no procedimento investigatório, não enseja desprezarem-se as demais que, por ela não contaminadas e dela não decorrentes, formam o conjunto probatório da autoria e materialidade do delito. Não se compatibiliza com o rito especial e sumario do habeas corpus o reexame aprofundado da prova da autoria do delito. Sem que possa colherse dos elementos do processo a resultante consequência de que toda a prova tenha provindo da escuta telefônica, não há falar-se em nulidade do procedimento penal\u201d (HC 75.497, Rel. Min. Mauricio Correa, j. 14.10.1997, Segunda Turma, DJ 09.05.2003).
 \u201cProcesso. Distribuição. Direcionamento injustificado da causa a determinado juízo. Ato não aleatório. Ofensa aos princípios do juiz natural e da distribuição livre, que asseguram a imparcialidade do juiz e integram o justo processo da lei. Nulidade processual absoluta. Art. 5.º, XXXVI. Desnecessidade de indagação de prejuízo. (...) Aplicação do art. 5.º, XXXVII e LIV, da CF. Distribuição injustificada de causa a determinado juízo ofende o justo processo da lei (due process of law) e, como tal, constitui nulidade processual absoluta\u201d (AI 548.203-ED, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 12.02.2008, Segunda Turma, DJE 07.03.2008).
 \u201cEm se tratando de apelação interposta contra sentença proferida pelo Tribunal do Júri, sua devolutividade está restrita às hipóteses previstas no art. 593, III, do CPP. Precedentes. É firme a jurisprudência deste Supremo Tribunal no sentido de que a competência territorial do Tribunal do Júri é relativa e, portanto, sujeita à preclusão se não arguida em momento oportuno\u201d (HC 95.139, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 23.09.2008, Primeira Turma, DJE 08.05.2009).
 \u201cO direito processual penal, na contemporaneidade, não pode mais se basear em fórmulas arcaicas, despidas de efetividade e distantes da realidade subjacente, o que é revelado pelo recente movimento de reforma do CPP com a edição das Leis 11.689 e 11.690, ambas de 09.06.2008, inclusive com várias alterações no âmbito do procedimento do Tribunal do Júri. O regime das nulidades processuais no direito processual penal é regido por determinados princípios, entre os quais aquele representado pelo brocardo pas de nullité sans grief. A impetrante não indica, concretamente, qual teria sido o prejuízo sofrido pelo paciente\u201d (HC 92.819, Rel. Min. Ellen Gracie, j. 24.06.2008, Segunda Turma, DJE 15.08.2008).
 \u201cA falta de protesto em tempo oportuno, resultante da inércia de qualquer dos sujeitos da relação processual penal, opera a preclusão de sua faculdade jurídica de reclamar contra eventuais erros ou defeitos ocorridos ao longo do julgamento\u201d (HC 83.107, Rel. Min. Celso de Mello, j. 19.08.2003, Segunda Turma, DJ 11.03.2005). No mesmo sentido: HC 100.598, Rel. Min. Ayres Britto, j. 11.05.2011, Plenário, DJE 04.10.2011).
 \u201cO STF tem entendimento de que nulidade quanto à dosimetria da pena não vicia inteiramente a sentença e o acórdão das instâncias inferiores, mas diz respeito apenas ao critério adotado para a fixação da pena. Tudo o mais neles decidido e valido, em face do princípio utile per inutile non vitiatur (HC 59.950/RJ, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 1.º.11.1982)\u201d (HC 94.888, Rel. Min. Ellen Gracie, j. 24.11.2009, Segunda Turma, DJE 11.12.2009).
 Processo Penal
 
 
 PROVA
 8.1. Teoria da Prova
 As provas no âmbito do processo penal consistem no conjunto de meios de certificação de alegações e fatos incertos ou controvertidos. A doutrina ainda assinala dois outros significados possíveis: (i) a prova pode ser considerada todo resultado que advém dessa atividade de certificação; e ainda (ii) a prova pode ser o objeto dessa atividade de certificação.
 Nesse sentido, cumpre distinguir os meios de prova, que consistem nos instrumentos diretos ou indiretos utilizados para atingir a certeza da alegação ou fato controvertido; objeto de prova, que se refere ao conteúdo da incerteza ou da controvérsia; e fontes de prova, que abarcam as pessoas ou coisas das quais advém a certeza sobre alegação ou fato.
 Reconhece-se a existência de um direito à prova no processo penal, fruto do direito de ação e de defesa, ambos fundados no direito constitucional de acesso à justiça (art. 5.º, XXXV) e ainda no direito à ampla defesa (art. 5.º, LV). Por consequência, reconhece-se a liberdade constitucional de produção de prova. Apesar desses fundamentos constitucionais, o direito à prova, como qualquer direito constitucional, não é absoluto, admitindo-se sua limitação.
 Há na própria Constituição a ponderação explícita do direito à prova com outros direitos, resultando na existência de limites constitucionais do direito à prova, a saber: (i) são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos (CF/1988, art. 5.º, LVI, a ser estudado no capítulo sobre a teoria dos frutos da árvore envenenada); (ii) a Constituição impõe que sejam respeitados os direitos e garantias do acusado e terceiros; (iii) a CF/1988 determina que a dúvida do juízo sobre a autoria e materialidade delitiva deve pesar favoravelmente ao réu (in dubio pro reo). Por sua vez, o CPP ainda determina que (iv) somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil.
 A nova redação do CPP é clara e dispõe que são inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a (i) normas constitucionais ou (ii) legais (art. 157, CPP).
 O direito à prova pode ser exercido em quatro momentos: na postulação (ou requerimento) de produção das provas; na defesa de sua admissibilidade e conveniência para o processo; na exigência do cumprimento de sua produção; e, finalmente, na luta pela correta valoração da prova. Qualquer restrição indevida faz nascer o cerceamento da defesa ou da acusação.
 No processo penal, as provas servem para esclarecer as incertezas e confirmar os fatos controvertidos para formar a convicção do juízo. Com isso, a prova faz parte do processo. Como o princípio do contraditório é corolário do devido processo legal, toda prova deve ser submetida ao crivo do contraditório.
 O Código de Processo Penal trata da prova no Título VII, dos arts. 155 a 250. Inicialmente, os elementos apurados na fase