Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.754 materiais138.668 seguidores
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irá se consumar quando o juiz não se pronunciar com relação aos fatos omitidos na peça de acusação.
 
 		
 Membro do Ministério Público entende que não tem atribuição para oficiar em determinado feito, apontando a incompetência jurisdicional, e o magistrado, por sua vez, se diz com competência para apreciar a matéria. Aplica-se analogicamente o art. 28 do Código de Processo Penal.
 
 		
 1. Deve ser acolhido sem que se questione ou se entre no mérito (STF). Pedido não pode ser recusado e o arquivamento é automático.
 2. Excepcionalmente, decidiu o STF, o Tribunal poderá analisar o mérito das alegações trazidas pelo PGR no arquivamento se forem sobre (i) atipicidade da conduta e (ii) extinção da punibilidade (hipóteses resultam em formação da coisa julgada material).
 
 
 
 3.3.14. Instrumentos legais de obtenção de prova na investigação (previstos na Lei 12.850, de 02.08.2013, entre outras): colaboração premiada; infiltração de agente policial em organizações criminosas e ação controlada
 As técnicas especiais de investigação, que englobam, entre outras, a colaboração ou delação premiada, infiltração de agente policial em organizações criminosas e a ação controlada, configuram instrumentos indispensáveis no combate da macrocriminalidade e criminalidade organizada. Surgiram no ordenamento pátrio para atender diversas obrigações internacionais assumidas pelo Brasil, visando a melhoria da qualidade da investigação e persecução das condutas investigadas.
 Foram previstas na Lei 9.034, de 1995 (já revogada), e ainda foram mais detalhadamente especificadas na nova Lei 12.850, de 02.08.2013, embora estes não sejam os únicos diplomas que preveem cada uma dessas técnicas. A Lei 12.850/2013 prevê da seguinte forma as novas técnicas de investigação:
 
 \u201cArt. 3.º Em qualquer fase da persecução penal, serão permitidos, sem prejuízo de outros já previstos em lei, os seguintes meios de obtenção da prova: I \u2013 colaboração premiada; II \u2013 captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos; III \u2013 ação controlada; IV \u2013 acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas, a dados cadastrais constantes de bancos de dados públicos ou privados e a informações eleitorais ou comerciais; V \u2013 interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas, nos termos da legislação específica; VI \u2013 afastamento dos sigilos financeiro, bancário e fiscal, nos termos da legislação específica; VII \u2013 infiltração, por policiais, em atividade de investigação, na forma do art. 11; VIII \u2013 cooperação entre instituições e órgãos federais, distritais, estaduais e municipais na busca de provas e informações de interesse da investigação ou da instrução criminal\u201d.
 
 Sobre interceptação de dados telefônicos e telemáticos, captação ambiental e afastamento de sigilo bancário e fiscal falaremos especificamente no capítulo reservado às provas.
 
 
 
 
 
 		
 Inquérito Policial: Instrumentos legais de obtenção de prova na investigação
 
 
 
 		
 \u2022 Colaboração ou delação premiada: colaboração espontânea de um investigado ou acusado no intuito de esclarecer a autoria e as infrações praticadas por determinado grupo, em troca de benefícios que o Estado lhe concederá.
 \u2022 Infiltração de agente policial em organizações criminosas: meio de obtenção de prova baseado na dissimulação e no sigilo. Policiais e agentes de inteligência tornam-se membros sob disfarce (arts. 10 a 14 da Lei 12.850/2013).
 \u2022 Ação controlada: prática que consiste em adiar a intervenção policial na conduta delituosa, com a finalidade de que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações (arts. 8.º e 9.º da Lei 12.850/2013; e art. 53, II, Lei 11.343/2006).
 
 
 
 3.3.14.1. Colaboração ou delação premiada
 A delação premiada consiste na colaboração espontânea de um investigado ou acusado no intuito de esclarecer a autoria e as infrações praticadas por determinado grupo, em troca de benefícios concedidos pelo Estado (redução de pena, perdão judicial, aplicação de regime penitenciário mais brando etc.). Encontra-se prevista em dispositivos inseridos no Código Penal (art. 159, § 4.º), Lei 7.492/1986 (Lei dos Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional); Lei 8.072/1990 (Lei dos Crimes Hediondos); Lei 8.137/1990 (Lei dos Crimes Contra a Ordem Tributária); Lei 9.613/1998 (Lei de Lavagem de Dinheiro); Lei 9.807/1999 (Lei de Proteção às Testemunhas); Lei 11.343/2006 (Lei Antidrogas) e no art. 4.º da Lei 12.850/2013.
 Até o advento da Lei 9.807/1999, que regula o Sistema de Proteção a Vítimas e Testemunhas, a doutrina majoritária entendia que a delação premiada era aplicável somente aos tipos penais descritos nas citadas leis que previam o instituto. Esse benefício foi estendido a todos os tipos penais, uma vez que seu art. 14 dispõe que o indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na (i) identificação dos demais coautores ou partícipes do crime, (ii) na localização da vítima com vida e (iii) na recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um a dois terços.
 Assim, a posição majoritária entende que a aplicação da delação premiada passou a ser geral e irrestrita, uma vez que a Lei de Proteção a testemunhas não especificou expressamente para quais tipos penais estaria destinada.
 O caput do art. 4.º da Lei 12.850, de 02.08.2013, determina que o juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o (i) perdão judicial, (ii) reduzir em até 2/3 a pena privativa de liberdade ou (iii) substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal de crime envolvendo organização criminosa, desde que dessa colaboração advenha um ou mais dos seguintes resultados: I \u2013 a identificação dos demais coautores e partícipes da organização criminosa e das infrações penais por eles praticadas; II \u2013 a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas da organização criminosa; III \u2013 a prevenção de infrações penais decorrentes das atividades da organização criminosa; IV \u2013 a recuperação total ou parcial do produto ou do proveito das infrações penais praticadas pela organização criminosa; V \u2013 a localização de eventual vítima com a sua integridade física preservada.
 O § 1º ainda acrescenta: \u201cEm qualquer caso, a concessão do benefício levará em conta a personalidade do colaborador, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do fato criminoso e a eficácia da colaboração\u201d.
 Assim, para a concessão dos referidos benefícios, exige a Lei a presença cumulativa e obrigatória de alguns requisitos, sem quais não se aplicará o dispositivo. Tais requisitos são:
 (i) colaboração espontânea;
 (ii) efetividade das informações;
 (iii) relevância das declarações;
 (iv) personalidade do colaborador;
 (v) circunstâncias, natureza e repercussão social do fato compatíveis com o instituto.
 A Lei 12.850 sobre a criminalidade organizada possibilita vários momentos para a realização da delação premiada: (i) na fase pré-processual, com a possibilidade de oferta da delação pelo delegado ou pelo Ministério Público (a oferta pelo delegado é tida como polêmica, pois pode impactar na propositura da ação penal pelo titular, MP); (ii) no curso do processo penal já instaurado, a requerimento das partes; e, finalmente, (iii) na execução da pena (pode levar à redução da pena até a metade ou será admitida a progressão de regime ainda que ausentes os requisitos objetivos).
 Também ficou proibida a participação do próprio juiz nas negociações realizadas entre as partes para a formalização