Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.752 materiais138.640 seguidores
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os casos de utilização da técnica ainda são muito raros.
 O art. 10 da Lei 12.850, de 02.08.2013, determina que a infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação será precedida de \u201ccircunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial\u201d, que estabelecerá seus limites. Deve ser pedida ao juiz pelo delegado de polícia (representação) ou requerida pelo Ministério Público. Quando o Ministério Público requerer a infiltração no curso de inquérito policial, a requisição deve ser instruída com manifestação técnica do delegado de polícia.
 A infiltração somente pode ser utilizada por agentes de polícia ou de inteligência, em tarefas de investigação, constituída pelos órgãos especializados pertinentes, mediante circunstanciada autorização judicial. O caput do art. 10 é claro ao determinar que a autorização judicial será, além de motivada e circunstanciada, sigilosa. Além disso, o art. 12 da Lei 12.850/2013 estabelece que \u201co pedido de infiltração será sigilosamente distribuído, de forma a não conter informações que possam indicar a operação a ser efetivada ou identificar o agente que será infiltrado\u201d.
 A lei criou, portanto, hipótese de cláusula legal de reserva de jurisdição. para a infiltração policial: a medida somente poderá iniciar com prévia autorização judicial,3 sem a qual é caso de reconhecimento de prova ilícita.
 A infiltração policial também foi prevista no art. 53, inciso I, da Lei 11.343/2006 (Lei Antidrogas), que estabelece que, em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes previstos naquela Lei, também mediante prévia autorização judicial, será permitida a infiltração policial em tarefas de investigação constituída por órgãos especializados pertinentes.
 Da compreensão dos dois textos legais, temos que os requisitos para a infiltração policial são:
 (i) Prévia autorização judicial;
 (ii) Efetuada por agentes da polícia ou de inteligência (portanto, a lei permite que outros órgãos da Administração não pertencentes ao quadro da Polícia Judiciária participem da investigação);
 (iii) Investigação por órgãos especializados;
 (iv) Sigilo da autorização judicial.
 De acordo com os textos normativos que preveem a infiltração policial, ela pode ser admitida em qualquer fase da persecução, inclusive durante a instrução criminal. Cabe ao juiz que autorizar a infiltração estabelecer seus limites. Não é punível, no âmbito da infiltração, a prática de crime pelo agente infiltrado no curso da investigação, quando inexigível conduta diversa (art. 13, parágrafo único, da Lei 12.850). Entretanto, o agente que não guardar, em sua atuação, a devida proporcionalidade com a finalidade da investigação, ou seja, agir com abuso, aproveitando-se do disfarce, responderá pelos excessos praticados.
 
 
 
 
 
 
 		
 Requisitos para a infiltração policial
 
 		
 \u2022 Prévia autorização judicial;
 \u2022 Efetuada por agentes da polícia ou de inteligência (portanto, a lei permite que outros órgãos da Administração que não pertencentes ao quadro da Polícia Judiciária participem da investigação);
 \u2022 Investigação por órgãos especializados;
 \u2022 Sigilo da autorização judicial.
 
 
 
 3.3.14.3. Ação controlada
 A ação controlada consiste, nos termos da definição dada pelo art. 8.º da Lei 12.850/2013, em retardar a intervenção policial ou administrativa relativa à ação praticada por organização criminosa ou a ela vinculada, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz à formação de provas e obtenção de informações. Implica em permitir o chamado \u201cflagrante prorrogado ou postergado\u201d de determinado crime. Essa técnica de investigação especial também está prevista na Lei 11.343/2006 (art. 53, II).
 Nessa técnica especial, os agentes policiais já possuem elementos suficientes para interferir e flagrar a atividade criminosa, mas é decidido que podem enfraquecer ou destruir a organização criminosa se aguardarem momento posterior para agir. Para tanto, mantêm a ação criminosa sob observação e acompanhamento. Essa vigilância pode ser efetuada de várias formas, dentre elas interceptação telefônica (captação de conversa por terceiro sem o conhecimento dos interlocutores) ou mesmo a gravação ambiental (gravação visual ou auditiva com ciência do fato por parte de um dos interlocutores).
 De acordo com a Lei 12.850, o retardamento da intervenção policial ou administrativa será previamente comunicado ao juiz competente, que, se for o caso, estabelecerá os seus limites e comunicará ao Ministério Público. Até o encerramento da diligência, o acesso aos autos será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de polícia, como forma de garantir o êxito das investigações, evitando que a defesa possa ter acesso a diligências em curso. No término da diligência, será elaborado auto circunstanciado sobre a ação controlada.
 Ainda de acordo com a Lei 12.850, se a ação controlada envolver transposição de fronteiras, o retardamento da intervenção policial ou administrativa somente poderá ocorrer com a cooperação das autoridades dos países que figurem como provável itinerário ou destino do investigado, de modo a reduzir os riscos de fuga e extravio do produto, objeto, instrumento ou proveito do crime.
 Para o STF, é possível o uso dessa técnica em alguns casos, quando \u201cestando em jogo valores, há de ser observado o coletivo em detrimento, até mesmo, do individual\u201d (STF, HC 102.819/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 05.04.2011).
 \u201cAção controlada \u2013 Ambivalência \u2013 Administração Pública. A denominada ação controlada surge ambivalente, não devendo ser glosada em se tratando do dia a dia da Administração Pública, em que os desvios de conduta são escamoteados. Inquérito \u2013 Publicidade. Norteia a Administração Pública \u2013 gênero \u2013 o princípio da publicidade no que deságua na busca da eficiência, ante o acompanhamento pela sociedade. Estando em jogo valores, há de ser observado o coletivo em detrimento, até mesmo, do individual\u201d (STF, HC 102819/DF Rel. Min. Marco Aurélio, j. 05.04.2011).
 
 
 
 
 
 
 		
 Requisitos para a ação controlada
 
 		
 \u2022 Ação praticada por organização criminosa ou operações de tráfico e distribuição (Leis 12.850/2013 e 11.343/2006) ou pessoas a vinculadas a essas atividades;
 \u2022 Interdição policial adiada;
 \u2022 Acompanhamento e monitoramento por instrumentos previstos e admitidos na lei (interceptação telefônica, escuta ambiental);
 \u2022 Concretização do flagrante no momento mais eficaz do ponto de vista da persecução penal.
 
 
 
 
 
 ___________
 1 Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.
 2 Ministério Público Federal, Processo 1.22.006.000098/2009-79, Rel. Wagner Gonçalves, decisão de 26.11.2009.
 3 Sobre as cláusulas constitucionais de reserva de jurisdição, ver item próprio na presente obra.
 Processo Penal
 
 
 PEÇAS ACUSATÓRIAS
 A peça acusatória no processo penal é chamada de denúncia, no caso de ação penal de iniciativa pública, ou queixa, quando se trata de ação penal de iniciativa privada. Para permitir a ampla defesa e viabilizar a aplicação da lei penal, com subsunção do fato imputado à norma penal prevista no ordenamento, deve ser