Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.808 materiais138.984 seguidores
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deverá aditar a denúncia ou a queixa (trata-se da ação penal privada subsidiária da pública), no prazo de 5 (cinco) dias, reduzindo-se a termo o aditamento, quando feito oralmente. Não há previsão da mutatio libelli para a ação penal privada.
 Caso o órgão do Ministério Público não proceda ao aditamento, aplica-se o art. 28 do CPP por expressa previsão legal (antes da Lei 11.719/2008, tal incidência era aceita por analogia).
 Após o aditamento, será dado prazo de 5 (cinco) dias para ouvir o defensor. Admitido o aditamento, o juiz, a requerimento de qualquer das partes, designará dia e hora para continuação da audiência, com inquirição de testemunhas, novo interrogatório do acusado, realização de debates e julgamento.
 Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até três testemunhas, no prazo de cinco dias, ficando o juiz, na sentença, adstrito aos termos do aditamento.
 Se o aditamento não for recebido pelo juiz, o processo prosseguirá, cabendo recurso em sentido estrito dessa decisão.
 Da mesma forma que ocorre com a emendatio libelli, se, em consequência de definição jurídica diversa, houver possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo, o juiz deverá enviar os autos para que o Ministério Público proponha a suspensão do feito. Caso o Procurador da República recuse-se a propô-la, o Juiz Federal, dissentindo, remeterá a questão à 2.ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, aplicando-se o art. 28 do CPP (nesse sentido, Súmula 696 do STF).
 Se o juiz deixar de ser competente para processar e julgar os novos fatos, deve encaminhar os autos para o juízo competente. Como visto, na mutatio libelli constatam-se elementos que não estavam presentes na denúncia, e que modificam os fatos imputados ao acusado: há nova definição dos fatos, com necessidade de reformulação da acusação.
 5.3. Denúncia alternativa
 A doutrina chama de denúncia alternativa os casos em que na peça acusatória do Parquet vários fatos são imputados de maneira alternativa ao agente. Pode ser denúncia alternativa originária ou denúncia alternativa superveniente.
 A denúncia alternativa originária ocorre quando a hipótese de opção de conduta está contida na própria peça acusatória. Assim, a peça acusa o réu de cometer uma conduta criminosa ou outra. Entende-se pacificamente que esse tipo de acusação não é admitido pelo ordenamento, por violar o princípio da ampla defesa.
 A denúncia alternativa superveniente ou imputação alternativa superveniente ocorria nos casos de mutatio libelli antes da alteração do texto pela Lei 11.719/2008, quando o juiz poderia decidir com base na primeira denúncia ou na nova denúncia oferecida pelo Ministério Público com a mutatio libelli.
 Ocorre que, nos termos da nova redação do art. 384, § 4.º, determina-se expressamente que não haverá mais possibilidade de o réu ser condenado pelos fatos originariamente imputados, ficando o juiz vinculado aos novos termos do aditamento.
 Com isso, considerando que o juiz não pode julgar extra petita, bem como os postulados do princípio acusatório, não mais é possível, no ordenamento brasileiro, a imputação alternativa superveniente.
 5.4. Recebimento ou rejeição da inicial acusatória
 5.4.1. Recebimento
 Como já afirmado quando tratamos da garantia de motivação das decisões (art. 93, IX, CF), embora o texto constitucional explicite a necessidade de fundamentação de todas as decisões judiciais, manteve-se, na jurisprudência, a praxe existente antes de 1988 de não exigir fundamentação nas decisões de recebimento da ação penal.
 Para o STF, a decisão de recebimento da denúncia ou queixa em geral não precisa ser fundamentada (ver os casos específicos de fundamentação a seguir), pois embora tenha também conteúdo decisório, não se encaixa no conceito de \u201cdecisão\u201d, como previsto no art. 93, IX, da Constituição, sendo dispensável a sua fundamentação (art. 394 do CPP). A fundamentação é exigida, apenas, quando o juiz rejeita a denúncia ou a queixa (art. 516 do CPP), único caso em que cabe recurso (art. 581, I, do CPP), conforme entende o STF (STF, HC 95.354, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 14.06.2010, Segunda Turma, DJE 27.08.2010).
 No recebimento da ação penal, o juiz deve analisar a regularidade da denúncia ou da queixa. Verifica se estão presentes os pressupostos processuais e as condições da ação, bem como a presença de justa causa.
 A peça acusatória deve ser recebida logo após seu oferecimento, salvo se houver previsão legal de defesa preliminar.
 A defesa preliminar é a oportunidade oferecida ao réu, em determinados casos, para que ele se manifeste sobre a acusação antes do recebimento da denúncia. São casos em que há necessidade de defesa preliminar na esfera federal: ações penais para crimes previstos na Lei Antidrogas (Lei 11.343/2006); ações penais do Juizado Especial Criminal (art. 81 da Lei 9.009/1995), ações penais nos crimes funcionais afiançáveis (art. 514, CPP) e casos de autoridades com foro de prerrogativa de função, por aplicação da Lei 8.038/1990.
 Nas hipóteses em que a lei estabelece necessidade de defesa preliminar antes do recebimento da denúncia, entende-se que o recebimento da peça acusatória deve ser fundamentado.
 Conforme determina o 396 e parágrafo único, do CPP, no caso dos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de dez dias. No caso de citação por edital, o prazo para a defesa começará a fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído.
 Com o advento da 11.719/2008, que mudou a sistemática do Código para a maior parte dos crimes (procedimentos ordinário e sumário), posteriormente ao oferecimento da denúncia, nos crimes em que não há previsão de defesa preliminar, o juiz decidirá sobre o recebimento da denúncia. Então, o réu será citado para oferecer sua resposta inicial.
 Não cabe recurso contra o recebimento da denúncia. Obviamente, isso não obstaculiza a impetração de habeas corpus, desde que presentes seus requisitos.
 5.4.2. Rejeição da peça acusatória
 De acordo com o que determina o art. 395 do Código de Processo Penal, a denúncia ou queixa será rejeitada quando for (i) manifestamente inepta; (ii) faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou quando (iii) faltar justa causa para o exercício da ação penal.
 A inépcia da peça acusatória consiste na não observância às exigências e requisitos obrigatórios referentes à exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias e qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. Ou seja, é inepta a acusação que limita, dificulta ou impede o exercício pleno do direito de defesa. A falta de requisitos secundários à denúncia, inclusive a classificação legal da conduta delituosa imputada, não conduz à inépcia da denúncia, como já vimos.
 A ausência de pressuposto processual ou condição da ação, bem como de justa causa, resultam também na rejeição da inicial acusatória.
 A decisão de rejeição da inicial acusatória faz coisa julgada formal, isto é, sanado o vício ou defeito, nova peça acusatória pode ser oferecida. O recurso cabível contra a decisão que rejeita a peça de acusação é o recurso em sentido estrito. O recurso previsto para a rejeição da denúncia nos procedimentos da Lei 9.099/1995 é a apelação.
 \u201cEventual reconhecimento de inépcia da denúncia em relação a corréu não aproveita aos demais, se são diversas as condutas imputadas\u201d (STF, HC 88.523, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 02.02.2010, Segunda Turma, DJE 26.03.2010).
 \u201cNa atual redação do art. 395, incisos I e III, do Código de Processo Penal (dada pela Lei 11.719, de 20.06.2008), a denúncia ou queixa será rejeitada quando for manifestamente inepta