Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014


DisciplinaDireito Processual Penal I18.764 materiais138.735 seguidores
Pré-visualização50 páginas
\u201c1. Habeas corpus. 2. Alegada ocorrência de perempção. Não configuração. 3. A presença do querelante na audiência preliminar não é obrigatória, tanto por ser ato anterior ao recebimento ou rejeição da queixa-crime, quanto pelo fato de se tratar de mera faculdade conferida às partes. 4. A ausência do querelante à audiência preliminar pode ser suprida pelo comparecimento de seu patrono\u201d (STF, HC 86942/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, Julgamento: 07.02.2006).
 
 
 
 
 
 
 		
 Peças acusatórias
 
 
 
 		
 Peças acusatórias
 
 		
 \u2022 Denúncia;
 \u2022 Queixa.
 
 
 
 		
 Requisitos (art. 41 do CPP)
 
 		
 \u2022 Exposição do fato criminoso (narrativa do fato delituoso com todas as circunstâncias do caso concreto e individualização das condutas, sob pena de inépcia):
 \u2022 elementos essenciais (são aqueles que devem sempre estar presentes, sob pena de nulidade absoluta);
 \u2022 elementos acidentais (são aqueles ligados às circunstâncias de tempo e espaço, e cuja ausência pode gerar nulidade relativa, se comprovado prejuízo).
 * Crime societário: necessidade de se estabelecer vínculo do administrador ao ato ilícito, indicando a sua conduta (a denúncia não pode ser genérica).
 \u2022 Identificação do acusado (qualificação ou esclarecimentos suficientes para identificá-lo ou, ao menos, individualizá-lo, tornando-o identificável);
 \u2022 Classificação do crime (não é requisito obrigatório);
 \u2022 Rol de testemunhas (não é requisito obrigatório, mas, havendo testemunhas, é esse o momento adequado para arrolá-las).
 \u2022 Prazo:
 \u2022 réu preso \u2013 5 dias;
 \u2022 réu solto \u2013 15 dias;
 \u2022 Lei Antidrogas \u2013 10 dias;
 \u2022 Lei de Abuso de Autoridade \u2013 48 horas;
 \u2022 Lei de Crimes Contra a Economia Popular \u2013 2 dias.
 
 
 
 		
 Aditamento da peça acusatória
 
 		
 \u2022 Conceito: é a inclusão de fatos novos, coautores ou partícipes.
 \u2022 Aditamento da queixa: \u2022 impossibilidade de aditamento para inclusão de coautores ou partícipes;
 \u2022 possibilidade de inclusão de fatos novos, desde que não transcorrido o prazo decadencial;
 \u2022 o Ministério Público pode aditar, nos termos do art. 45 do CPP;
 \u2022 na ação penal privada subsidiária da pública o Ministério Público tem ampla liberdade para aditar, considerando a natureza pública da ação. Pode incluir tanto coautores, partícipes ou fatos novos.
 \u2022 Aditamento da denúncia (sempre poderá ser aditada antes do proferimento da sentença, enquanto não estiver prescrito o crime):
 \u2022 emendatio libelli (art. 338 do CPP): é a correção feita pelo juiz à peça acusatória em aspectos acidentais ou secundários da acusação, com permanência substancial de seus elementos essenciais. Nela, não há alteração do objeto do processo, o juiz promove a correção da inicial, com o escopo de adaptar o fato narrado e o efetivamente provado ao tipo penal previsto na lei;
 \u2022 mutatio libelli (art. 384 do CPP): se dá nas hipóteses em que o Ministério Público deve aditar a denúncia porque há a constatação de elementos não contidos na inicial acusatória que modificam os fatos imputados ao acusado. Assim, há nova definição dos fatos. Nesse caso, para garantir o contraditório, o defensor deve ser ouvido.
 * Tratando-se de nova acusação a ser formulada pelo Ministério Público, se o órgão acusatório não proceder ao aditamento no prazo legal, aplica-se o disposto no art. 28 do Código de Processo Penal, por expressa disposição legal (art. 384, § 1.º).
 
 
 
 		
 Denúncia alternativa
 
 		
 \u2022 Conceito: ocorre nos casos em que na peça acusatória do Parquet vários fatos são imputados de maneira alternativa ao agente;
 \u2022 Denúncia alternativa originária: a hipótese de alternatividade está contida na própria peça acusatória. Assim, a peça acusa o réu de cometer uma conduta criminosa ou outra. Esse tipo de acusação não é admitido pelo ordenamento, por violar o princípio da ampla defesa;
 \u2022 Denúncia alternativa superveniente: casos de mutatio libelli, quando o Ministério Público adita a peça acusatória com novos fatos. Havendo aditamento por conta da mutatio libelli, nos termos do expressamente previsto no §4.º do art. 384 (incluído pela Lei 11.719/2008), não haverá mais possibilidade de o réu ser condenado pelos fatos originariamente imputados, ficando o juiz vinculado aos novos termos do aditamento. Com isso, não mais é possível, no ordenamento brasileiro, a imputação alternativa superveniente.
 
 
 
 		
 Recebimento ou rejeição da inicial acusatória
 
 		
 \u2022 Recebimento: \u2022 desnecessidade de fundamentação (a decisão de recebimento da denúncia ou queixa não precisa ser fundamentada);
 \u2022 requisitos: pressupostos processuais, condições da ação e justa causa;
 \u2022 procedimentos ordinário e sumário: após o oferecimento da denúncia, nos crimes em que não há previsão de defesa preliminar, o juiz irá decidir sobre o recebimento da denúncia. Então, o réu será citado para oferecer sua resposta inicial;
 \u2022 defesa preliminar: é a oportunidade oferecida ao réu, em alguns casos, de se pronunciar sobre a acusação antes do recebimento da denúncia. Nesses casos, o recebimento deve ser fundamentado. Hipóteses na esfera federal: ações penais para crimes previstos na Lei Antidrogas (Lei 11.343/2006); ações penais do Juizado Especial Criminal (art. 81 da lei 9.009/1995), ações penais nos crimes funcionais afiançáveis (art. 514, CPP) e casos previstos na Lei de Imprensa e casos de autoridades com foro de prerrogativa de função, por aplicação da lei 8.038/1990;
 \u2022 Não cabe recurso contra o recebimento da denúncia, a não ser na hipótese de crime previsto na Lei de Imprensa (recurso em sentido estrito), e ressalvada a impetração de habeas corpus.
 \u2022 Rejeição:
 \u2022 Hipóteses: a denúncia ou queixa será rejeitada quando for manifestamente inepta, faltar pressuposto processual, condição da ação ou justa causa para o exercício da ação penal (art. 395);
 \u2022 inépcia: consiste na não observância às exigências e requisitos obrigatórios apontados no art. 41 CPP;
 \u2022 Coisa julgada formal (a decisão de rejeição da peça acusatória faz coisa julgada formal, podendo ser oferecida nova peça acusatória);
 \u2022 Recurso cabível: recurso em sentido estrito (exceções: Lei de Imprensa e procedimentos da Lei n.º 9.099/1995, hipóteses em que é cabível apelação).
 
 
 
 		
 Absolvição sumária (art. 397 do CPP)
 
 		
 \u2022 Decisão antecipada de mérito na qual o magistrado, verificando a ocorrência de uma das quatro hipóteses elencadas na lei, deverá absolver sumariamente o acusado.
 \u2022 Hipóteses:
 \u2022 presença de causa excludente da ilicitude do fato;
 \u2022 presença de causa excludente da culpabilidade do agente (salvo hipótese de inimputabilidade);
 \u2022 quando o fato narrado não constituir crime;
 \u2022 quando estiver extinta a punibilidade do agente;
 \u2022 Produz coisa julgada forma e material.
 
 
 
 		
 Renúncia
 
 		
 \u2022 Conceito: ato unilateral do ofendido ou de seu representante legal abrindo mão do direito de promover a ação penal privada com a consequente extinção da punibilidade;
 \u2022 Decorrência do princípio da disponibilidade ou oportunidade da ação penal privada.
 * Nas ações penais públicas condicionadas, o ofendido