Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.754 materiais138.668 seguidores
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pode dispor do direito de representação, que não se confunde com a renúncia da ação penal pública condicionada. Exceções: art. 74 da Lei 9.099/1995, que estabelece que a composição civil dos danos acarreta a renúncia ao direito de representação ou de queixa; e Lei 11.340/2006, que fala em renúncia da representação em casos de violência doméstica.
 \u2022 Características:
 \u2022 ato unilateral;
 \u2022 independe de concordância da parte contrária;
 \u2022 antecede a ação penal;
 \u2022 concedida a um dos coautores estende-se aos demais (art. 49, CPP);
 \u2022 não admite retratação.
 \u2022 Formas:
 \u2022 expressa (é aquela feita por declaração inequívoca do ofendido, representante legal ou procurador com poderes especiais);
 \u2022 tácita (ocorre quando a vítima pratica ato incompatível com a vontade de processar \u2013 art. 104 CP).
 * O recebimento de indenização pela vítima não importa em renúncia ao direito de queixa. Exceção: art. 74 da Lei 9.099/1995 que estabelece que, para os casos acobertados pela lei, a composição dos danos civis importa na renúncia ao direito de queixa.
 
 
 
 		
 Perdão do ofendido
 
 		
 \u2022 Conceito: é o ato pelo qual o ofendido ou seu representante legal desiste de prosseguir com o andamento do processo, perdoando seu ofensor, com a consequente extinção da punibilidade caso o perdão seja aceito;
 \u2022 Cabimento: ação penal exclusivamente privada ou ação penal privada personalíssima;
 \u2022 Momento: após o início da ação penal e antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.
 \u2022 Características:
 \u2022 não admite retratação;
 \u2022 ato bilateral (depende de aceitação do acusado);
 \u2022 decorre do princípio da disponibilidade da ação penal privada;
 \u2022 concedido a um dos coautores estende-se aos demais (princípio da indivisibilidade) que, no entanto, podem recusá-lo (art. 51 do CPP);
 \u2022 o perdão concedido por uma das vítimas não afeta o direito das demais.
 
 
 
 		
  
 
 		
 \u2022 Formas:
 \u2022 expresso;
 \u2022 tácito (quando, após a manifestação de perdão, o querelado quedar-se em silêncio por três dias \u2013 art. 58 do CPP).
 
 
 
 		
 Perempção
 
 		
 \u2022 Conceito: é a perda do direito de prosseguir no exercício da ação penal exclusivamente privada ou personalíssima em virtude da negligência do querelante (sanção ao querelante desidioso).
 \u2022 Características:
 \u2022 causa extintiva da punibilidade;
 \u2022 não cabe na ação penal privada subsidiária da pública (nela, se o querelante for negligente, o Ministério Público reassume a titularidade);
 \u2022 verifica-se com o processo já em andamento.
 \u2022 Hipóteses (art. 60 do CPP):
 \u2022 quando, iniciada a ação penal, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos.
 * Nessa hipótese, parte da doutrina entende ser necessário intimá-lo antes de aplicar a sanção.
 \u2022 quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;
 \u2022 quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais;
 * Nessa hipótese, se o querelante não estiver presente na audiência de conciliação no rito dos crimes contra a honra, não significa perempção (o fato de o querelante não querer conciliar não implica na perempção).
 \u2022 quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor.
 
 
 
 Processo Penal
 
 
 O PROCESSO PENAL BRASILEIRO
 1.1. Conceito e finalidade
 O Direito Processual Penal é o ramo do ordenamento jurídico pertencente ao Direito Público que reúne o conjunto de normas jurídicas regentes da investigação e julgamento dos fatos preestabelecidos pela lei penal como delitos. É, portanto, instrumento para a realização do direito penal, de suas demandas e finalidades.
 A partir do conceito do direito processual penal deduzimos sua finalidade em um Estado Democrático de Direito: aplicar a lei penal ao caso concreto, preservando o exercício pleno dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição.
 Para assegurar o cumprimento dessa finalidade do processo penal, é essencial a admissão do conceito de lide processual penal.
 A lide é, na concepção clássica de Carnelutti, conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida, e, no processo penal, tem a seguinte composição: de um lado, há a pretensão punitiva do Estado (jus puniendi), e do lado oposto, a pretensão de liberdade do réu (jus libertatis). Aceitando-se a existência desse conflito de interesses, o Direito Processual Penal de um Estado Democrático de Direito preserva os direitos dos envolvidos, assegurando a paridade das armas, contraditório, ampla defesa da parte e, ainda, a imparcialidade do juízo.
 Há aqueles que negam a existência de uma lide processual penal, defendendo que o processo penal destina-se a apurar a verdade real (ver conceito a seguir), com o que colaborariam todos os envolvidos: Juiz, Ministério Público e Defesa. Nessa visão, não há partes antagônicas e cabe ao juiz a busca da verdade real, inclusive com a colaboração da Defesa. Essa interpretação, contudo, é hoje minoritária na doutrina, já tendo sido superada em face dos ditames constitucionais da ampla defesa (com o consectário da proibição da autoincriminação, direito ao silêncio, entre outros), contraditório e imparcialidade do juiz.
 \u201c(...) A finalidade do processo penal é a reconstituição do fato criminoso, apurando, assim, a culpabilidade ou inocência do acusado e, por isso, suas palavras devem ser havidas como o centro de polarização de toda a investigação\u201d (STJ, HC 117763 Rel. Min. Jane Silva (Desembargadora Convocada) DJ 05.11.2008. Grifos nossos).
 \u201c(...) As chamadas prisões processuais, sendo medidas cautelares, só podem ser instrumentalizadas não em virtude de uma \u201cpresunção de culpa\u201d, e sim para tutelar a eficácia dos meios e fins do processo penal diante de um risco concreto de prejuízo irreparável ou de dificultosa reparação para a eficaz prestação jurisdicional. O processo penal moderno não está a serviço da tirania, mas sim da proteção da sociedade, finalidade que não afasta a proteção do próprio imputado na medida em que à sociedade civilizada não interessa o sacrifício da liberdade de alguém sem justa causa\u201d (TRF-3.ª Região, Proc. 2007.03.00.021692-0/HC 27194, Rel. Des. Fed. Johonsom di Salvo, Primeira Turma. Grifo nosso).
 1.2. Fontes do direito processual penal
 É fonte do Direito todo o conjunto de modos de produção das normas jurídicas. As fontes de direito processual são divididas em fontes materiais, que consistem em necessidades sociais que geram o direito, e fontes formais, que consistem no modo jurídico de produção de espécies normativas. A fonte material do contemporâneo direito processual penal consiste na necessidade social da correta aplicação da lei penal, assegurando-se os direitos essenciais das partes. Por sua vez, são fontes formais em sentido amplo do processo penal o Estado: União e Estados-membros, conforme a divisão constitucional de competência. Compete à União privativamente legislar sobre Direito Processual (art. 22, I) e ainda, compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre procedimentos em matéria processual (art. 24,