Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.750 materiais138.628 seguidores
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de investigação criminal não são considerados prova. Isso porque, conforme o art. 155, CPP, com a redação dada pela Lei 11.690/2008, a prova que formará a convicção do juiz é somente aquela produzida em contraditório judicial.
 Expressamente a legislação processual penal exclui o material colhido na fase pré-processual desse conceito: a norma veda ao juiz fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas (i) as provas cautelares, (ii) não repetíveis e (iii) antecipadas, todas denominadas, em seu conjunto, provas excepcionais.
 As provas cautelares são aquelas obtidas por intermédio de medida cautelar processual penal, ordenada pelo juízo, como as colhidas no cumprimento de busca e apreensão, quebra do sigilo bancário e fiscal, interceptação telefônica, entre outras.
 Já as provas não repetíveis referem-se a determinadas apurações de fatos durante a investigação criminal que, pelas circunstâncias fáticas, não poderão ser repetidas na eventualidade de uma ação penal. A doutrina menciona, por exemplo, a situação do testemunho colhido na fase do inquérito policial, que não pode ser repetido pelo falecimento da testemunha, ou ainda o laudo pericial de constatação da situação fática, que depois é alterada.
 Finalmente, as provas antecipadas consistem naquelas cuja produção é ordenada pelo juízo, inclusive de ofício, mesmo antes de iniciada a ação penal, por serem consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida (art. 156, I, CPP).
 Nessas três hipóteses, o contraditório é diferido ou postergado, podendo a defesa impugnar a autenticidade e o conteúdo de cada uma das peças informativas colhidas na fase investigativa. Além disso, dessas hipóteses, apenas a prova não repetível pode ser ordenada pela autoridade policial.
 Assim, a prova deve ser produzida perante o contraditório das partes, mesmo quando a produção da prova é ordenada pelo próprio juiz (como admite o CPP, no art. 156).
 A exigência constitucional de um processo penal informado pelo contraditório gera: (i) a vedação do uso pelo juiz na sua decisão, de provas que não tenham sido introduzidas previamente no processo e submetidas ao contraditório; b) vedação do uso pelo juiz de provas colhidas fora do processo (vide supra as hipóteses das provas excepcionais) e não submetidas ao contraditório diferido ou postergado e finalmente, (iii) vedação da produção de prova ex officio sem oitiva prévia das partes e sem que estas possam participar da produção e impugnação.
 Investigação e inquérito judicial. \u201cInquérito judicial. STJ. Investigado com prerrogativa de foro naquela Corte. Interpretação do art. 33, parágrafo único, da Loman. Trancamento. Ausência de constrangimento ilegal. Precedentes. A remessa dos autos do inquérito ao STJ deu-se por estrito cumprimento à regra de competência originária, prevista na CF (art. 105, I, \u2018a\u2019), em virtude da suposta participação do paciente, Juiz Federal do TRF da 3.ª Região, nos fatos investigados, não sendo necessária a deliberação prévia da Corte Especial daquele Superior Tribunal, cabendo ao Relator dirigir o inquérito. Não há intromissão indevida do MPF, porque, como titular da ação penal (art. 129, I e VIII, da CF), a investigação dos fatos tidos como delituosos a ele é destinada, cabendo-lhe participar das investigações. Com base nos indícios de autoria, e se comprovada a materialidade dos crimes, cabe ao Ministério Público oferecer a denúncia ao órgão julgador. Por essa razão, também não há falar em sigilo das investigações relativamente ao autor de eventual ação penal. Não se sustentam os argumentos da impetração, ao afirmar que o inquérito transformou-se em procedimento da Polícia Federal, porquanto esta apenas exerce a função de Polícia Judiciária, por delegação e sob as ordens do Poder Judiciário. Os autos demonstram tratar-se de inquérito que tramita no STJ sob o comando de Ministro daquela Corte Superior de Justiça, ao qual caberá dirigir o processo sob a sua relatoria, devendo tomar todas as decisões necessárias ao bom andamento das investigações\u201d (STF, HC 94.278, Rel. Min. Menezes Direito, j. 25.09.2008, Plenário, DJE 28.11.2008).
 8.2. Classificação da prova
 A doutrina costuma classificar a prova segundo o seu (i) objeto, (ii) sujeito ou fonte, (iii) forma, (iv) efeito e (v) origem.
 Quanto ao objeto, ou seja, quanto aos fatos que devem ser provados, a prova pode ser direta ou histórica, quando a prova, por si mesma, consegue demonstrar o fato; ou indireta, crítica ou circunstancial, como ocorre no caso das presunções e indícios, quando a prova é deduzida a partir de um fato.
 Quanto ao sujeito ou fonte, classifica-se a prova de acordo com o sujeito (pessoa ou coisa) da qual prova é fruto. Nesse sentido, a prova pode ser pessoal ou subjetiva, obtida por meio de manifestação de pessoas (testemunho, confissão etc.), ou real ou objetiva, quando é obtida por intermédio de exames sobre objetos relacionados ao fato, como arma, cadáver, lugar etc.
 Quanto à forma, a prova pode classificada de acordo com o modo de sua produção. Nesse sentido, a prova pode ser testemunhal, que é aquela resultante do depoimento prestado pela vítima ou sujeito estranho ao processo; documental, obtida por documentos de qualquer espécie (forma escrita, por gravação etc.) que esclareçam os fatos; ou por fim material, que é emanada da própria materialidade delitiva: corpo de delito, exames periciais, instrumentos do crime.
 Quanto ao efeito causado no processo, a prova pode ser plena, que é a necessária e convincente para o esclarecimento dos fatos imputados e autoria, ou indiciária, que é aquela que traz somente um juízo de probabilidade sobre o fato e sua autoria.
 Quanto à origem, a prova pode ser originária, quando não há elos intermediários entre o fato e a prova, ou derivada, quando existe essa intermediação, como no caso sempre citado do \u201ctestemunho do testemunho\u201d.
 
 
 
 
 
 
 		
 Classificação da prova
 
 
 
 		
 Quanto ao objeto
 
 		
 \u2022 Direta ou histórica
 \u2022 Indireta, crítica ou circunstancial
 
 
 
 		
 Quanto ao sujeito (fonte)
 
 		
 \u2022 Pessoal ou subjetiva
 \u2022 Real ou objetiva
 
 
 
 		
 Quanto à forma
 
 		
 \u2022 Testemunhal
 \u2022 Documental
 \u2022 Material
 
 
 
 		
 Quanto ao efeito
 
 		
 \u2022 Plena
 \u2022 Indiciária
 
 
 
 		
 Quanto à origem
 
 		
 \u2022 Originária
 \u2022 Derivada
 
 
 
 8.3. Meios de prova previstos na legislação
 Os meios de prova consistem em elementos ou instrumentos idôneos para formar a convicção do magistrado. É o conjunto daquilo que pode ser utilizado, direta ou indiretamente, para demonstrar fatos controvertidos no processo.
 O Código de Processo Penal elenca meios de prova admissíveis, denominados meios legais ou provas nominadas, de forma exemplificativa. Vigora, no Brasil, a regra da liberdade das provas: podem ser utilizados quaisquer outros meios de prova não especificados em lei, desde que não sejam inconstitucionais ou ilegais.
 São elencados no CPP os seguintes meios de prova: exame do corpo de delito, das perícias em geral, interrogatório do acusado (ver a natureza do interrogatório no capítulo próprio), confissão, tomada de declaração do ofendido, testemunhas, reconhecimento de pessoas e coisas, acareação, documentos e busca e apreensão. Os meios de prova não previstos na legislação são chamados de meios ou provas inominadas.
 Os meios de prova podem ser históricos ou críticos.