Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.752 materiais138.640 seguidores
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Históricos são os meios de prova que expõem um fato, podendo ser, por exemplo, o depoimento de uma testemunha ou a apresentação de um documento. Já o meio de prova crítico fornece indicações.
 Os meios de prova podem ainda ser reais (coisas) ou pessoais (depoimentos pessoais, por exemplo).
 8.4. Destinatários, natureza jurídica e objeto
 As provas destinam-se ao juiz. As partes são destinatárias indiretas, uma vez que o acesso ao material probatório permite a verificação (e eventual impugnação) da adequação da decisão.
 Há quatro posições sobre a natureza jurídica das normas que regem a prova judicial.
 A primeira posição, francamente majoritária, entende que as normas que regem o tema da prova são normas de direito processual. Tratando-se de normas de natureza processual, eventual modificação das regras probatórias cumpre o princípio do tempus regit actum, ou seja, tem incidência imediata.
 Uma segunda corrente defende que a regra sobre provas tem natureza jurídica de direito material. A terceira corrente sustenta que tem natureza mista. Por fim, uma quarta corrente defende que há duas categorias de provas, uma de natureza processual e outra de natureza material.
 O objeto da prova consiste naquilo que deve ser demonstrado em um processo penal (lembrando que o inquérito policial, em geral, não colige provas \u2013 serve para formar a convicção do acusador).
 Em síntese, devem ser provados no processo penal: (i) o fato descrito na denúncia; (ii) afirmações apresentadas pelas partes, em especial os fatos modificativos, impeditivos ou extintivos do poder de punir (jus puniendi) do Estado (causas de exclusão de ilicitude ou culpabilidade); (iii) direito consuetudinário, regulamentos e portarias, o direito estrangeiro, o direito estadual e o direito municipal (aceita-se o uso analógico com o art. 337, CPC); (iv) o fato incontroverso indispensável para o esclarecimento dos fatos imputados e da autoria (não contestado): no processo penal, também os fatos que não foram contestados precisam ser provados se considerados imprescindíveis. Assim, a confissão não pode ser considerada prova absoluta.
 Por sua vez, dispensam prova no processo penal: (i) fatos notórios, axiomáticos e os fatos inúteis: fatos notórios são fatos de conhecimento de todos, de cunho ordinário. Fatos axiomáticos ou intuitivos são os chamados fatos evidentes. Fatos inúteis são todos os não interessam à causa criminal; (ii) as presunções legais absolutas ou iure et de iure, que são aquelas que não admitem prova em contrário. O exemplo citado frequentemente é a presunção constitucional da incapacidade do menor de 18 anos de compreender a ilicitude da conduta e de agir de acordo com tal entendimento.
 
 
 
 
 
 
 		
 Prova
 
 
 
 		
 Conceito
 
 		
 Elementos e atos levados destinados a formar a convicção do juízo, sob o crivo do contraditório.
 
 
 
 		
 Devem ser provados no processo penal
 
 		
 1. Fato descrito na denúncia;
 2. Afirmações apresentadas pelas partes;
 3. Costumes;
 4. Regulamentos e portarias;
 5. Direito estrangeiro, direito estadual e direito municipal;
 6. Fatos incontroversos.
 
 
 
 		
 Não precisam de prova no processo penal
 
 		
 1. Fatos notórios, axiomáticos e fatos inúteis;
 2. Presunções legais absolutas;
 *A presunção relativa admite prova em contrário, com inversão do ônus da prova.
 
 
 
 8.5. Princípios das provas
 Além dos princípios que genericamente norteiam todo o processo penal, há princípios que especificamente referem-se à prova.
 8.5.1. Princípio da Verdade Real
 Ainda acolhido pela doutrina tradicional e também pela jurisprudência dos tribunais superiores, o chamado princípio da busca da verdade real, segundo os que o aceitam, fundamenta o sistema de provas brasileiro. De acordo com o princípio da verdade real (ou busca da verdade real), cabe ao processo penal a busca da verdadeira realidade dos fatos. Não é suficiente para o Estado a realidade formal e com os fatos trazidos nos autos pelas partes. Na seara probatória, entende essa corrente doutrinária que o princípio da verdade real justifica a iniciativa probatória do juiz.
 Embora amplamente acolhido e difundido no País, há os que entendem, ainda minoritariamente, que, à luz da Constituição Federal, não cabe ao Judiciário imparcial buscar a verdade material ou real dos fatos, já que a dúvida sobre o que ocorreu deve pender favoravelmente ao réu, em virtude da garantia in dubio pro reo. Caso o juiz busque provas, em geral beneficiará o acusador.
 Possibilidade de diligências pelo juiz na busca pela verdade real. \u201cNão há que se falar em preclusão da produção de prova testemunhal para o julgador, que pode, em busca da verdade real dos fatos, realizar diligências ou admitir provas, desde que oportunize à parte contrária o exercício do contraditório, o que ocorreu no caso dos autos. A prova é produzida para o juiz e não para as partes\u201d (STJ, AgRg no Ag 1216282/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, DJe 03.05.2010).
 \u201cEm observância ao princípio da busca da verdade real, não há nulidade na oitiva das testemunhas indicadas inoportunamente pelo Órgão Ministerial, na qualidade de testemunhas do juízo, nos termos do art. 209 do Código de Processo Penal\u201d (STJ, RHC 27739/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 25.08.2011).
 8.5.2. Princípios do Contraditório e Ampla Defesa
 O princípio da ampla defesa em matéria probatória determina que os acusados têm o direito de participar da obtenção da prova, influindo na sua formação. Por isso, as partes devem ter ciência das provas coletadas e podem influir na produção de provas. Já o princípio do contraditório em matéria probatória exige que a prova apresentada pela parte seja passível de confronto por meio de uma contraprova.
 8.5.3. Princípio da Faculdade da Prova
 Consiste no reconhecimento da não obrigatoriedade de a defesa produzir provas. No caso da defesa, a passividade e a inércia são estratégias que podem resultar em absolvição, uma vez que o ônus da prova do fato imputado é da acusação. Entende-se que o princípio da faculdade da prova é derivado do princípio da verdade real, uma vez que, para se chegar à realidade mais próxima dos fatos, poder-se-iam admitir amplamente quaisquer provas. Contudo, mesmo aqueles partidários do conceito de verdade real no processo penal são unânimes em afirmar que o princípio da liberdade da prova não é absoluto e encontra limites na licitude e constitucionalidade das provas.
 8.5.4. Princípio da liberdade da prova
 No Brasil, os meios de prova, em geral, não são taxativos nem têm peso tarifado, sendo informados pela ampla liberdade na escolha dos instrumentos de produção e liberdade de valoração pelo magistrado (livre convencimento fundamentado). A exceção se dá na vedação das provas ilícitas (vide art. 157, CPP, já citado) e previsão de que somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil.
 8.5.5. Princípio da autorresponsabilidade das partes
 As partes devem suportar as consequências de sua estratégia processual, que pode optar, como vimos, até mesmo pela inatividade.
 8.5.6. Princípio da comunhão da prova
 Consiste na possibilidade de aproveitamento da prova produzida a requerimento de uma das partes ou pelo juízo por qualquer um dos sujeitos processais. Assim, a prova produzida por requerimento da acusação pode ser usada pela na estratégia de defesa e vice-versa. Logo, a prova integra o processo, e não pertence a qualquer das partes. Evita-se também a redundância. Se uma parte requereu um tipo