Serie Carreiras Federais - Processo Penal - Abade, Denise Neves 2014

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DisciplinaDireito Processual Penal I18.702 materiais138.345 seguidores
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de prova, a outra parte não precisa também requerer (caso dela necessite para sua estratégica processual).
 8.5.7. Princípio da legalidade das provas
 Consiste na exigência de que toda prova colhida deva ser lícita. Não se admitem, por sua vez, fraude ou coação na produção da prova.
 
 
 
 
 
 
 		
 Princípios referentes às provas no processo penal
 
 		
 Princípio da verdade real
 Princípios do contraditório e da ampla defesa
 Princípio da faculdade da prova
 Princípio da liberdade da prova
 Princípio da autorresponsabilidade das partes
 Princípio da comunhão da prova
 Princípio da legalidade das provas
 
 
 
 8.6. Distribuição do ônus da prova e iniciativa probatória do juízo
 O art. 156 CPP determina que a prova da alegação incumbirá a quem a fizer. Inicialmente, cabe ao Ministério Público ou ao querelante provar a acusação realizada. Por outro lado, o réu deve provar as causas excludentes da antijuricidade, da culpabilidade e da punibilidade, bem como das circunstâncias que impliquem diminuição da pena (ou concessão de benefícios penais).
 Nessa linha, entende o Supremo Tribunal Federal que \u201cas acusações penais não se presumem provadas: o ônus da prova incumbe, exclusivamente, a quem acusa. Não compete, ao réu, demonstrar a sua inocência. Cabe, ao contrário, ao Ministério Público, comprovar, de forma inequívoca, para além de qualquer dúvida razoável, a culpabilidade do acusado\u201d (STF, HC 88.875/AM, Rel. Min. Celso de Mello, Segunda Turma, acórdão eletrônico DJe-051, divulg. 09.03.2012, public. 12.03.2012. Grifos nossos).
 Já quanto à defesa, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que \u201cnão cabe à acusação demonstrar e comprovar elementares que inexistem no tipo penal, de forma que o ônus da prova da impossibilidade de repasse das contribuições previdenciárias apropriadas ante as dificuldades financeiras da empresa, a evidenciar, assim, inexigibilidade de conduta diversa \u2013 causa supralegal de exclusão da culpabilidade \u2013, é da defesa, a teor do art. 156 do CPP\u201d (STJ, AgRg no REsp 1178817/SC, Rel. Des. Convocado Vasco Della Giustina \u2013 TJRS \u2013 DJe 03.11.2011).
 O art. 156 deve ser interpretado à luz da garantia constitucional de presunção de inocência. A presunção de inocência constitui princípio informador do Processo Penal, assegurado pela Constituição Federal (art. 5.º, LVII: \u201cninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória\u201d) e pela Convenção Americana de Direitos Humanos (\u201cart. 8.º, 2: \u201ctoda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa\u201d).
 Como consequência da presunção de inocência, o ônus da prova recai sobre a acusação. Qualquer dúvida sobre os fatos levados ao processo deve levar à absolvição. Dessa forma, o processo penal deve visar à verificação da existência dos fatos imputados.
 Para a doutrina tradicional, porém, cabe ao juiz, na busca da denominada verdade real, complementar a atividade probatória das partes \u2013 flexibilizando-se, assim, o princípio acusatório. Para essa corrente a dúvida inicial do juiz sobre os fatos admite iniciativa complementar probatória do juiz, não levando à absolvição do réu. Somente após essa atividade probatória, a persistência da dúvida é que beneficiará o réu (art. 156, CPP).
 Apesar de reconhecer a iniciativa complementar probatória do juiz, a doutrina tradicional já não admite que o juiz investigue crimes no Brasil, acolhendo-se como exceção o caso de investigação de crime praticado por juiz (art. 33, parágrafo único, da Lei Orgânica da Magistratura, LC 35/1979), em que a investigação é de atribuição do Tribunal competente para processá-lo; e no caso de investigação de crime praticado por quem goza de prerrogativa de função. Não existe mais no ordenamento investigação judicial no caso de crime falimentar, e o STF considerou inconstitucional o art. 3.º da Lei 9.034/1995 (lei do crime organizado, revogada), que admitia poderes de investigação ao juiz, como já vimos.
 8.7. Momentos de produção da prova
 As provas são, em geral, realizadas na fase da instrução probatória criminal. A instrução probatória consiste no conjunto de atos processuais que visa realizar a produção de provas para futuro julgamento penal. Em regra, essa fase de instrução criminal inicia-se com a inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa e se estende até a fase de requerimento anterior às alegações finais, prevista no art. 403, CPP \u2013 com exceção dos casos do procedimento do júri, nos quais não há essa fase de requerimento. Há possibilidade de produção de provas pelas partes até mesmo antes do início da perquirição das testemunhas, como ocorre quando são juntados documentos à inicial acusatória ou à defesa prévia. Isso porque, embora a prova seja o conteúdo básico da instrução criminal, com ela não se confunde.
 A investigação criminal difere da instrução criminal, uma vez que os atos de produção antecipada de prova ocorridos na primeira (a chamada \u201cprova excepcional, como já vimos) visam fornecer ao Ministério Público elementos para a denúncia; já na instrução criminal a prova dirige-se ao convencimento do juiz imparcial para formar sua convicção.
 Diferentemente do que ocorre com o processo civil, que apresenta o momento de produção de provas de forma bem delimitada, no processo penal há possibilidade, por exemplo, de juntada de prova documental em qualquer fase do processo, salvo as exceções previstas nos arts. 406, § 2.o, e 475, CPP, ambos casos do procedimento do júri.
 O interrogatório, diante da mudança ocorrida com a Lei 11.719/2008, não mais ocorre como primeiro ato de instrução criminal, mas constitui o último ato da instrução (art. 400, CPP).
 O art. 366 do CPP determina que, (i) nos casos em que o réu que não foi localizado e, (ii) convocado por edital, (iii) não compareceu (iv) nem constituiu advogado, fica o juiz autorizado a determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se necessário, decretar a prisão preventiva.
 Com relação a essa possibilidade de produção de provas diante da ausência do réu, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 455, de 25.08.2010, que prevê que \u201cA decisão que determina a produção antecipada de provas com base no art. 366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do tempo\u201d.
 Com isso, o juízo somente pode autorizar tal produção de provas na ausência do réu em casos devidamente justificados, pois o contraditório será postergado ou diferido. A regra, então, é que as provas sejam produzidas em contraditório pleno, com a presença do réu. Somente admite-se, como exceção e com fundamento, que sejam produzidas sem a presença do réu, diferido o contraditório para momento futuro.
 8.8. Restrições ao direito de produzir provas
 O direito à prova tem limites, como já visto. Primeiramente, a prova requerida deve ser relevante, pertinente e necessária. Nesse sentido, prevê o art. 400, § 1.º, CPP, que as provas serão produzidas numa só audiência, podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias.
 Além disso, restringem o direito à prova os arts. 184, CPP (negação de requerimento de perícia que não for \u201cnecessária ao esclarecimento da verdade\u201d); 212, CPP (juiz não admitirá perguntas que \u201cpuderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida\u201d), 217 (\u201cse o juiz verificar que a presença do réu poderá causar humilhação, temor, ou sério constrangimento à testemunha ou ao ofendido, de modo que prejudique a verdade do depoimento, fará a inquirição por videoconferência e, somente na impossibilidade dessa forma, determinará a retirada