Resumo de Direitos Reais
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Resumo de Direitos Reais


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industriais ou artificiais, porque derivam de um comportamento ativo do homem. A regra básica está consubstanciada na presunção de que toda construção ou plantação existente em um terreno foi feita pelo proprietário e à sua custa. Trata-se, no entanto, de presunção vencível, admitindo prova contrária (CC, art. 1.253). A presunção se ilide nas hipóteses mencionadas nos arts. 1.245 e s.
Modos de aquisição da propriedade móvel
Usucapião:
Ordinária: Adquirirá a propriedade da coisa móvel quem a possuir como sua, contínua e incontestadamente durante 3 anos, com justo título e boa-fé (CC, art. 1260).
Extraordinária: Exige apenas posse por 5 anos, independentemente de título ou boa-fé. Aplica-se à usucapião das coisas móveis o disposto nos arts. 1.243 e 1.244 (CC, art. 1.262)
Ocupação: É o modo originário de aquisição de bem móvel que consiste na tomada de posse de coisa sem dono, com a intensão de se tornar seu proprietário (CC art. 1.263).
Achado de tesouro: Tesouro é o depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória. Se alguém o encontrar em prédio alheio, dividir-se-á por igual entre o proprietário deste e o que o achar casualmente (CC, art. 1.264)
Tradição: Dispõe o art. 1.267 do CC que \u201ca propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. Mas esta se subentende \u201cquando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório; quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa, que se encontra em poder de terceiro; ou quando o adquirente já está na posse da coisa por ocasião do negócio jurídico\u201d (parágrafo único).
Espécies: Real, simbólica e ficta.
Especificação: Dá-se a especificação quando uma pessoa, trabalhando em matéria-prima, obtém espécie nova. A espécie nova será do especificador, se a matéria era sua, ainda que só em parte, e não se puder restituir à forma anterior (CC, art. 1.269).
Confusão comissão e adjunção: 
Confusão é a mistura de coisas líquidas;
Comistão é a mistura de coisas sólidas ou secas;
Adjunção é a justaposição de uma coisa sobre a outra.
Modos de perda da propriedade
Modos Voluntários
Alienação: por meio de contrato (negócio jurídico bilateral);
Renúncia: ato unilateral, pelo qual o titular transfere a propriedade a outra pessoa);
Abandono: ato unilateral pelo qual o titular abre mão de seus direitos sobre a coisa;
Modos Involuntários
Perecimento: decorre da perda do objeto;
Desapropriação: casos expressos na Constituição Federal.
Direitos de vizinhança
As regras que constituem o direito de vizinhança destinam-se a evitar e a compor eventuais conflitos de interesses entre proprietários de prédios contíguos. São obrigações propter rem, que acompanham a coisa, vinculando quem quer que se encontre na posição de vizinho, transmitindo-se ao seu sucessor a título singular.
Uso anormal da propriedade 
Espécies de atos nocivos:
Ilegais;
Abusivos;
Lesivos.
Critérios para se aferir a normalidade:
Verificar se o incômodo causado se contém ou não no limite do tolerável;
Examinar a zona onde ocorre conflito, bem como os usos e costumes locais;
Considerar a anterioridade da posse (pré-ocupação).
Soluções para a composição dos conflitos:
Se o incômodo é tolerável, não deve ser reprimido;
Se o dano for intolerável, deve o juiz, primeiramente, determinar que seja reduzido a proporções normais (CC, art. 1.279)
Se não for possível a redução, então determinará o juiz a cessação da atividade, se for de interesse particular;
Se a atividade danosa for de interesse social, não se determinará a sua cessação, mas se imporá ao seu responsável a obrigação de indenizar o vizinho (CC, art. 1.278). 
Das árvores limítrofes: A árvore, cujo tronco estiver na linha divisória, presume-se pertencer em comum aos donos dos prédios confinantes (CC, art. 1.282). Institui-se, assim, a presunção de condomínio, que admite, no entanto, prova em contrário.
Da passagem forçada: O CC assegura ao proprietário de prédio que se achar encravado, de forma natural e absoluta, sem acesso à via pública, nascente ou porto, o direito de, mediante pagamento de indenização, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo será judicialmente fixado, se necessário (art. 1.285). Não se considera encravado o imóvel que tenha outra saída, ainda que difícil e penosa. A passagem forçada é instituto do direito de vizinhança e não se confunde com servidão de passagem, que constitui direito real sobre coisa alheia.
Da passagem de cabos e tubulações: O proprietário é ainda obrigado a tolerar, mediante indenização, a passagem, pelo seu imóvel, de cabos, tubulações e outros condutos subterrâneos de serviços de utilidade pública (luz, água, esgoto, p. ex.), em proveito de proprietários vizinhos, quando de outro modo for impossível ou excessivamente onerosa (CC, art. 1.286).
Das águas: O CC disciplina a utilização de aqueduto ou canalização das águas no art. 1.293, permitindo a todos canalizar pelo prédio de outrem as águas a que tenha direito, mediante prévia indenização ao proprietário, não só para as primeiras necessidades da vida como também para os serviços da agricultura ou da indústria, escoamento de águas supérfluas ou acumuladas, ou a drenagem de terrenos.
Dos limites entre prédios: Estabelece o CC regras para demarcação dos limites entre prédios, dispondo que o proprietário \u201cpode constranger o seu confinante a proceder com ele à demarcação entre os dois prédios, a aviventar rumos apagados e a renovar marcos destruídos ou arruinados, repartindo-se proporcionalmente entre os interessados as respectivas despesas\u201d (art. 1.297). A ação apropriada é a demarcatória (CPC, arts. 946/966).
Do direito de tapagem: A lei concede ao proprietário o direito de cercar, murar, valar ou tapar de qualquer modo o seu prédio, quer seja urbano, quer rural (CC, art. 1 .297). Tem-se entendido que a divisão das despesas deve ser previamente convencionada. Quanto aos tapumes especiais, destinados à vedação de animais de pequeno porte, ou a adorno da propriedade ou sua preservação, entende-se que a sua construção e conservação cabem unicamente ao interessado, que provocou a necessidade deles.
Do direito de construir
Limitações e responsabilidades: Pode o proprietário levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver, salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos (CC, art. 1 .299). A ação mais comum entre vizinhos é a de indenização. A responsabilidade pelos danos causados a vizinhos em virtude de construção é objetiva. Podem ainda ser utilizadas: ação demolitória (CC, arts. 1.280 e 1.312), cominatória, de nunciação de obra nova, de caução de dano infecto, possessória etc.
Devassamento da propriedade vizinha: É defeso \u201cabrir janelas, ou fazer eirado, terraço ou varanda, a menos de metro e meio do terreno vizinho\u201d. Nesse caso, o lesado pode embargar a construção, mediante o embargo de obra nova (CPC, art. 934, I). Conta-se a distância de metro e meio da linha divisória e não do edifício vizinho.
Águas e beirais: Não pode o proprietário construir de modo que o beiral de seu telhado despeje sobre o vizinho. As águas pluviais devem ser despejadas no solo do próprio dono do prédio, e não no do vizinho. Se, porém, o proprietário colocar calhas que recolham as goteiras, impedindo que caiam na propriedade vizinha, poderá encostar o telhado na linha divisória (CC, art. 1.300).
Paredes divisórias: Paredes divisórias (parede-meia) são as que integram a estrutura do edifício, na linha de divisa. O art. 1.305 do CC abre ao proprietário que primeiro edificar a alternativa: assentar a parede somente no seu terreno, ou assentá-la, até meia espessura, no terreno vizinho. Na primeira hipótese, a parede pertencer-lhe-á inteiramente; na segunda, será de ambos. Nas duas hipóteses, os vizinhos podem usá-la livremente.
Uso do prédio vizinho: O proprietário ou ocupante do imóvel é obrigado a tolerar que o vizinho entre no prédio, mediante aviso-prévio, para \u201cdele temporariamente usar, quando indispensável à reparação, construção