Cópia de Zoologia dos vertebrados
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Cópia de Zoologia dos vertebrados


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processo ocorreu diversas 
vezes na evolução do grupo. Por exemplo, os peixes não possuem audição como nós 
 
 
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conhecemos, mas apresentam a linha lateral que não possui funcionalidade no meio 
aéreo. 
 
 
6.13 SISTEMA ENDÓCRINO 
O sistema endócrino transfere informações de uma região do corpo para 
outra via liberação de um mensageiro químico, que possui o nome de hormônio, que 
por sua vez desencadeia uma resposta da célula alvo. O tempo de resposta demora 
de minutos até horas, dependendo dos fatores envolvidos. Os hormônios são 
produzidos em glândulas endócrinas distintas que estão relacionadas à produção 
destas substâncias, ou ainda são produzidos por órgãos ligados a outras funções, mas 
que também produzem essas substâncias. 
 
7 OS PRIMEIROS VERTEBRADOS: OS AGNATOS E A ORIGEM DOS 
GNATOSTOMADOS 
 
As diferenças mais marcantes dos vertebrados em relação aos demais 
cordados é a diferenciação de uma extremidade cefálica com um encéfalo tripartido 
dentro de um crânio e contendo complexos órgãos sensoriais. Em vez de usarem 
cílios para a movimentação da água, usam a musculatura faríngea para tal. Tal 
movimentação da água é usada para a respiração (e não mais para alimentação) e 
tecidos especializados nos arcos branquiais promovem as trocas gasosas. Os 
primeiros vertebrados são reconstruídos como predadores ativos e não filtradores de 
partículas. É proposto ainda que muitos tivessem armaduras de tecido mineralizado ao 
redor do corpo. As estruturas dos primeiros vertebrados são reconhecidas por 
intermédio de diversos grupos fósseis, muitos dos quais com preservações únicas, 
inclusive com a impressão de tecidos moles. Os gnatostomados (vertebrados com 
mandíbulas) são um grupo de vertebrados que surgem mais recentemente, sendo que 
as mandíbulas são homólogas ao primeiro arco branquial modificado. 
 
 
 
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7.1 AS PRIMEIRAS EVIDÊNCIAS DA EXISTÊNCIA DE VERTEBRADOS NO 
REGISTRO FÓSSIL 
Primeiramente, as mais antigas evidências de vertebrados consistiam de 
fragmentos de carapaças ósseas de ostracodermos (grupo de agnatos primitivos, 
muito diferente de qualquer vertebrado atual). Em uma visão bem simplista, este grupo 
era formado por peixes que apresentavam uma armadura óssea extensa, 
diferentemente dos agnatos recentes que não possuem nenhuma estrutura ossificada. 
Alguns fragmentos ósseos são conhecidos do Ordoviciano (há cerca de 480 milhões 
de anos). Todavia, recentemente alguns tecidos mineralizados supostamente de 
vertebrados foram encontrados no Cambriano da América do Norte e Austrália (por 
volta de 500 milhões de anos). 
 
7.2 AMBIENTE DO INÍCIO DA EVOLUÇÃO DOS VERTEBRATA 
 
No Siluriano Superior, os ostracodermes e os primeiros peixes eram 
abundantes em todos os ambientes aquáticos, tanto de água salgada quanto de água 
doce. Inicialmente alguns cientistas propuseram a origem dos vertebrados em água 
doce. Esta inferência inicial foi feita com base nos estudos dos rins e levando em 
conta a alta capacidade desta estrutura de eliminar o excesso de água, propondo que 
a condição plesiomórfica seria esta. Hoje em dia acredita-se amplamente numa origem 
em água salgada para os vertebrados e que a condição dos rins dos vertebrados seria 
derivada. Uma evidência de que a origem dos vertebrados está relacionada à água 
salgada é o registro fóssil. Todos os fósseis de vertebrados mais antigos estão 
associados a ambientes marinhos. Uma segunda linha de evidência é o estudo dos 
grupos irmãos dos vertebrados. Todos os cordados não vertebrados, bem como os 
demais deuterostômios (possivelmente relacionado na origem de Chordata), são 
grupos exclusivamente marinhos. Além do mais, os agnatos atuais apresentam sua 
distribuição grande parte restrita a ambientes marinhos. 
 
7.3 AGNATOS ATUAIS 
 
 
 
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Os agnatos atuais são classificados originariamente na Subclasse Agnatha, 
juntamente com os ostracodermos. No entanto, com base na sistemática filogenética, é 
suposto que este grupo não apresenta um ancestral comum exclusivo, mas que as 
lampreias são mais proximamente relacionadas aos gnatostomados. Ainda, acredita-se 
que os diferentes grupos de ostracodermos são mais próximos dos gnatostomados que 
os agnatos viventes. Apesar deste fato superficialmente soar estranho, a existência de 
grupos fósseis mais derivados que grupos viventes é completamente viável e quando 
observado os fósseis e os animais recentes é possível reconhecer este fato em diversos 
pontos da evolução de Vertebrata. 
 
7.3.1 Feiticeiras \u2013 Myxinoidea 
 
Existem cerca de 60 espécies deste grupo. As maiores feiticeiras não 
ultrapassam mais do que um metro, são alongadas, sem escamas e de coloração 
rósea. Todas são inteiramente marinhas e encontradas em praticamente todas as 
regiões do globo, excetuando-se algumas polares. O hábito deste grupo é pouco 
conhecido devido ao fato de ocuparem em geral águas profundas e frias, sendo que 
são os maiores carniceiros do assoalho oceânico. Um caráter peculiar deste grupo são 
as glândulas de muco que se abrem para o exterior por meio das paredes do corpo. 
Essas glândulas secretam uma grande quantidade de muco proteico que em contato 
com a água forma uma capa em volta do corpo da feiticeira. Martini (1998) aponta que 
uma feiticeira pequena pode em poucos minutos produzir muco suficiente para 
transformar um balde em uma substância gelatinosa. Este comportamento 
aparentemente está relacionado à predação, impedindo que um possível predador 
ataque a feiticeira. 
Os Myxinoidea não apresentam qualquer estrutura vertebral, sendo esta uma 
evidência de que este grupo seja o grupo irmão dos demais vertebrados (figura 7). As 
feiticeiras possuem apenas uma narina externa que se conecta com a faringe por meio 
de um largo tubo. Os olhos são pequenos, rudimentares e recobertos por pele. A boca 
é circundada por tentáculos que podem ser movimentados e são utilizados para 
buscar alimento. Na boca são encontradas duas placas nas laterais com estruturas 
queratinizadas semelhantes a dentes. 
No entanto, não são homólogas aos dentes dos gnatostomados. Estas placas 
associadas ao movimento da língua promovem movimento das placas semelhante a 
 
 
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pinças e arrancam pedaços de carne da presa. Este processo de arrancar pedaços de 
carne é auxiliado por uma habilidade das feiticeiras. Tais animais conseguem dar nó 
no próprio corpo, sendo que o nó começa na cauda e vai sendo movimentado para a 
região anterior, auxiliando a feiticeira a arrancar a carne da presa. 
 
 
 
FIGURA 7 - ESQUEMA BÁSICO DA ANATOMIA EXTERNA E PARTE DA ANATOMIA 
INTERNA DA REGIÃO ANTERIOR DE UM REPRESENTANTE DO GRUPO 
MIXINOIDEA 
 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
Os diferentes gêneros de feiticeiras apresentam números variáveis de 
aberturas branquiais externas. Podem ocorrer de 1 a 15, sendo que tais aberturas não 
necessariamente representam o número de brânquias. Em alguns gêneros existe a 
fusão caudal de tubos branquiais diminuindo o número de aberturas externas. Em geral, 
 
 
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elas estão localizadas na parte posterior do corpo do animal. Tal adaptação acredita-se 
estar ligada ao hábito escavador que estes animais possam ter. 
O sistema circulatório das feiticeiras é diferente dos demais vertebrados. 
Estes animais possuem a pressão sanguínea baixa e corações acessórios são 
encontrados em diferentes regiões como fígado e cauda, além do coração verdadeiro 
próximo às brânquias. Estes corações acessórios não são inervados, sendo que os 
ritmos de contração destes corações não são controlados pelo sistema nervoso 
central. 
Na maioria das espécies, as fêmeas de feiticeiras