Cópia de Zoologia dos vertebrados
177 pág.

Cópia de Zoologia dos vertebrados


DisciplinaZoologia2.954 materiais19.143 seguidores
Pré-visualização38 páginas
são muito numerosas, 
sendo que em algumas delas a existência de um macho é para cada cem fêmeas. O 
motivo disso ainda é desconhecido. Outras espécies apresentam-se hermafroditas. 
Não há informação alguma sobre a reprodução deste grupo, nem mesmo o modo de 
acasalamento. Sabe-se que os ovos destes animais são ovais, ricos em vitelo, 
possuem mais de um centímetro e estão envoltos por uma casca resistente com 
ganchos que os prende no substrato. No entanto, nunca foram encontrados ovos 
fertilizados destes animais. Pouco se sabe sobre a embriologia e primeiros estágios do 
desenvolvimento do grupo. Todavia, acredita-se que as feiticeiras emerjam do ovo 
como uma feiticeira formada, ou seja, sem um estado larval. 
As feiticeiras são encontradas sempre nas regiões profundas da plataforma 
continental e algumas espécies vivem em colônias escavadas no lodo oceânico. Cada 
entrada é demarcada com um acúmulo de lodo. Em estudos do conteúdo estomacal 
das feiticeiras são encontrados poliquetas e camarões e ao que tudo indica, algum 
destes animais obtém seus alimentos do próprio substrato. 
Apesar de estes animais serem desconhecidos para a maior parte da 
humanidade, algumas populações estão seriamente prejudicadas devido à sua 
exploração comercial. Nas ultimas décadas houve um aumento na quantidade de 
pesca destes animais para a obtenção de seu couro, que por sua vez é usado na 
produção de calçados e acessórios. É necessário que mais pesquisas básicas sobre a 
biologia deste grupo sejam feitas para que um manejo adequado da exploração das 
populações ocorra antes que tais animais se tornem raros. 
 
7.3.2 Lampreias \u2013 Petromyzontoidea 
 
 
 
58 
Existem cerca de 50 espécies de lampreias. Apesar de serem semelhantes às 
feiticeiras no formato do corpo e tamanho, são profundamente diversos em outros 
aspectos. Este grupo apresenta várias características ausentes em Myxinoidea, no 
entanto, são compartilhadas pelos gnatostomados. Destas peculiaridades, a mais 
marcante é a presença de estruturas vertebrais. Apesar de estas estruturas 
(denominadas arcuálias) serem rudimentares e cartilaginosas, é proposto a sua 
homologia com os arcos neurais dos gnatostomados. 
A maioria das lampreias é parasita (em geral de peixes ósseos grandes), se 
fixam no hospedeiro por meio de sucção e raspam uma ferida no hospedeiro (figura 8). 
A boca é circular e a porção anterior do esôfago está disposta no fundo de um grande 
funil carnoso, que possui a superfície interna revestida por uma grande quantidade de 
estruturas em formato de espinhos e queratinizadas. Existe ainda uma estrutura 
protrátil recoberta das mesmas estruturas que cobrem o funil que permite a fixação 
mais rápida no hospedeiro. Esta estrutura não é considerada homóloga à língua. A 
principal evidência disto é a diferença na inervação destas estruturas feitas por 
diferentes nervos nos diversos grupos. Uma glândula oral secreta uma substância 
anticoagulante que impede que o sangue da presa coagule, mantendo a alimentação 
constante do parasita. As lampreias adultas provavelmente se alimentam de sangue e 
fluidos corporais do hospedeiro, sendo seu trato digestório compatível com este tipo 
de alimentação: reto e simples. 
Uma característica peculiar deste grupo é a presença de uma narina única no 
topo da cabeça combinada com um ducto que se dirige à hipófise conhecida como 
abertura naso-hipofisiária. A função desta estrutura não é conhecida, mas sabe-se que 
sua presença promove a modificação de grande parte das estruturas cranianas 
anteriores. Os olhos das lampreias são bem desenvolvidos bem como o corpo pineal, 
que pode ser observado atrás da abertura da narina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
59 
 
 
 
 
FIGURA 8 - ESQUEMA BÁSICO DA ANATOMIA EXTERNA, PARTE DA ANATOMIA 
INTERNA DA REGIÃO ANTERIOR E ANATOMIA INTERNA DE UMA LARVA DE UM 
REPRESENTANTE DO GRUPO PETROMYZONTOIDEA 
 
 
60 
 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
As lampreias possuem sete pares de bolsas branquiais que se abrem para o 
exterior logo atrás da cabeça. Diferentemente dos demais vertebrados, a ventilação 
não é feita por fluxo contínuo, mas sim, há ventilação intermitente. As lampreias 
adultas passam boa parte do tempo fixadas nas presas e a ventilação por fluxo 
 
 
61 
contínuo não é possível. Neste grupo existe tanto a entrada quanto a saída de água 
por meio das fendas faringeanas. 
As lampreias têm uma distribuição geográfica global, exceto nos trópicos e nas 
altas latitudes polares. A maioria das espécies são anádromas, ou seja, quando adultas 
vivem no mar, mas utilizam a água doce para reproduzir. Algumas espécies, entretanto, 
vivem somente na água doce, mas a fase adulta é extremamente reduzida e não se 
alimentam, sendo somente a fase reprodutiva do ciclo. Pouco se sabe sobre a biologia 
da fase adulta das lampreias em geral. Na maioria das vezes, os indivíduos são 
observados somente quando apanhados acidentalmente junto ao seu hospedeiro ou em 
suas migrações na etapa reprodutiva. E não se sabe bem, nem ao menos como ocorre 
a localização de seu hospedeiro e sua fixação no mesmo. 
Apesar do pouco conhecimento acerca da biologia geral das lampreias, seus 
eventos reprodutivos são relativamente bem conhecidos. As fêmeas depositam cerca 
de centenas de milhares de óvulos com aproximadamente um milímetro de diâmetro e 
desprovidos de qualquer cobertura externa. Do mesmo modo que as feiticeiras, não há 
ductos especializados na liberação dos gametas. Estes são depositados no celoma e 
posteriormente, por poros próximos da cloaca, são expelidos para a fecundação 
externa. O sinal que dispara a migração reprodutiva é o abaixamento de temperatura. 
Após receber o sinal, as lampreias sobem até as cabeceiras dos riachos de fundo 
pedregoso. Após isto, há a construção de um ninho, que pode durar dois dias, pelo 
macho e pela fêmea, com grandes pedras. Em seguida ocorre a fertilização dos óvulos 
e a morte dos pais. 
As larvas eclodem cerca de duas semanas depois da fertilização e 
apresentam biologia e ecologia completamente diferentes dos pais, sendo que 
inicialmente foram descritas como pertencente a um gênero diferenciado 
(Ammocetes). Este nome sendo inclusive associado para denominar as larvas das 
lampreias até hoje. As larvas são pequenas (seis a dez milímetros) e possuem o corpo 
semelhante a um verme, com um grande funil oral e com os olhos não funcionais. 
Correntes levam as larvas rio abaixo até certas margens calmas onde passam de três 
a sete anos como filtradores sedentários (semelhantes aos cordados não 
vertebrados). As larvas, depois de anos sem nenhuma alteração morfológica, em geral 
no meio do verão, terminam o desenvolvimento gerando um adulto que desce até o 
mar e inicia sua fase adulta, que normalmente não ultrapassa dois anos. 
 
 
 
62 
7.4 IRRADIAÇÃO DOS OSTRACODERMES NA ERA PALEOZOICA (FIGURA 9) 
 
Os ostracodermes representam uma série de linhagens extintas que não 
possuem relações consensuais entre elas, nem com os vertebrados viventes. Este 
grupo é reconhecido por uma carapaça formada por séries de ossos dérmicos que 
apresentam tamanhos variáveis nos diferentes grupos, algumas sendo muito 
pequenas e formando escamas. Este grupo tem sido considerado parafilético (sem um 
ancestral comum exclusivo) nas análises filogenéticas mais recentes. No entanto, as 
análises evidenciam que os ostracodermes são mais próximos dos gnatostomados 
que as feiticeiras e lampreias. Com base nos fósseis encontrados, as espécies 
parecem variar consideravelmente entre espécies de 10 centímetros até 50 
centímetros. Embora não apresentassem mandíbula, alguns grupos possuíam