Cópia de Zoologia dos vertebrados
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Cópia de Zoologia dos vertebrados


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oxigênio na água também é diferenciada. A maioria dos 
vertebrados aquáticos apresenta brânquias onde ocorrem as trocas gasosas. As 
brânquias dos peixes estão dispostas nas bolsas faringeanas e o fluxo da água em 
geral é unidirecional, entrando pela boca e saindo pelas brânquias. A superfície 
respiratória de uma brânquia representa pequenas delicadas expansões da superfície 
dos arcos branquiais. Conforme a água deixa a cavidade bucal, ela passa sobre os 
filamentos branquiais onde ocorrem as trocas gasosas. Este processo de 
movimentação da água funciona com base em diferenças de pressões entre a 
cavidade oral e o ambiente ao redor. Quando a boca está aberta e os opérculos 
fechados se distendem, a pressão dentro da cavidade oral diminui e, portanto, a água 
entra. Quando a boca se fecha e os opérculos se abrem, mas se comprimem, a água 
é forçada a sair pelas brânquias, ocorrendo as trocas gasosas. 
A maioria dos peixes utiliza esse único mecanismo de obtenção de oxigênio. 
Contudo, peixes que ocupam ambientes com baixo nível de oxigênio dissolvido em 
geral apresentam estruturas que auxiliam nas trocas gasosas. Diversos grupos de 
peixes possuem diferentes regiões do corpo adaptadas na obtenção de oxigênio. Além 
das brânquias tais grupos especializados utilizam a boca altamente vascularizada, 
regiões posteriores da cabeça, a bexiga natatória, porções do estômago e do intestino, 
entre outras. 
 
 
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Alguns peixes usam esta respiração como alternativa quando o oxigênio 
dissolvido na água diminui, todavia outros peixes como os anabatídeos (por exemplo, 
o peixe Betta) empregam os distintos sítios de troca gasosa obrigatoriamente. 
Levando em conta os peixes pulmonados é possível reconhecer que o pulmão 
apresentado por estes peixes, bem como os pulmões dos vertebrados terrestres são 
homólogos a regiões do intestino modificados para respiração. Esta condição 
pulmonada, de acordo com estudos mais recentes parece ser a condição 
plesiomórfica dos peixes ósseos. 
 
8.1 AJUSTE DA FLUTUABILIDADE 
 
Uma das diferenças mais evidentes da vida no ambiente aquoso é a 
necessidade do ajuste de flutuabilidade. Os tecidos dos animais são mais densos que 
água fazendo os corpos afundar, a não ser que a força da natação mantenha os animais 
elevados na coluna de água ou que a densidade total do corpo seja reduzida. Alguns 
peixes como os atuns e os peixes-espada se mantêm nadando constantemente. Outros 
apresentam estruturas que diminuem a densidade total do corpo. 
Muitos peixes ósseos apresentam a bexiga natatória. Esta estrutura funciona 
como uma boia interna que reduz a densidade total do corpo. Ela faz com que a energia 
gasta para manter o peixe elevado na coluna d\u2019água seja diminuída. A bexiga natatória 
está localizada entre a cavidade peritoneal e a coluna vertebral. Esta bolsa de ar 
também não apresenta volume constante, ou seja, conforme ocorre a movimentação do 
peixe na coluna d\u2019água a pressão exercida pela água altera o volume da bexiga, e os 
peixes modificam o volume da bexiga para manter a flutuação neutra. Este animal 
regula o volume de sua bexiga natatória por meio de secreção de gás da bexiga quando 
afunda na coluna, ou retirando gás quando se move para cima na coluna. A secreção 
dos gases ocorre por meio da glândula de gás e a retirada do gás se dá de diferente 
maneira nos diversos grupos, podendo ser eliminado pela boca ou jogado no sangue e 
posteriormente eliminado pelas brânquias. 
Diferentemente dos peixes ósseos que utilizam uma bexiga natatória, os 
peixes cartilaginosos empregam outra estrutura para gerar flutuabilidade neutra. Seu 
fígado é utilizado para promover tal flutuabilidade. O fígado de alguns tubarões pode 
compor até 25% do volume total do corpo, sendo que tal órgão apresenta uma grande 
quantidade de óleos que reduzem a densidade total do corpo. A quantidade de óleos 
 
 
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nos fígados destes peixes é diferente, dependendo do hábito. Tubarões que são 
nadadores ativos da coluna de água apresentam a maior quantidade dessa 
substância, enquanto que os que possuem um hábito bentônico (vivendo no fundo) 
apresentam uma menor quantidade de óleos no fígado. 
Esta estratégia dos peixes cartilaginosos também é encontrada em alguns 
peixes ósseos. Eles apresentam certa quantidade de óleos dentro da bexiga natatória. 
Outros perderam esta estrutura e possuem uma grande quantidade de lipídeos 
dissolvida nos tecidos, que de uma mesma maneira são menos densos que a água e 
reduzem a densidade total do peixe. 
 
8.2 PROPRIEDADES DA ÁGUA EM RELAÇÃO AO SISTEMA SENSORIAL DOS 
VERTEBRADOS AQUÁTICOS 
 
A água apresenta propriedades físicas diferentes do ar, de modo que esta foi 
uma pressão seletiva importante na evolução deste grupo, e os sentidos apresentados 
pelos animais aquáticos estão adaptados para este meio. Por exemplo, a luz é 
absorvida pelas moléculas de água e é refletida para as partículas em suspensão. Os 
objetos tornam-se invisíveis em poucas centenas de metros mesmo nas águas mais 
limpas, diferentemente do meio aéreo em que a visão apresenta-se praticamente 
ilimitada no ar limpo. Existem ainda outros sentidos que são funcionais apenas na 
água. O mais notável é a percepção de movimentos aquosos através do sistema da 
linha lateral. Até pequenas perturbações na água são percebidas, devido sua 
densidade e viscosidade. 
Outro sistema sensorial presente em vertebrados aquáticos é a captação de 
campos elétricos, que só funcionam devido à propriedade condutora da água. Um 
terceiro sistema importante presente nos vertebrados aquáticos é o grande número de 
quimiorreceptores na boca, ao redor da cabeça e nas nadadeiras peitorais. Estes 
quimiorreceptores são semelhantes aos presentes nos tecidos olfatórios que, por sinal, 
são extremamente desenvolvidos em alguns peixes. Certos tubarões e salmões 
apresentam a capacidade de detectar odores na água em torno de uma parte por 
bilhão. A migração dos salmões, por exemplo, é guiada por odores particulares dos 
rios gravados na memória do peixe quando este nasce. Em experimentos em que os 
salmões têm seus tecidos olfatórios danificados, estes animais perdem a capacidade 
de reencontrar seu local de nascimento. 
 
 
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8.3 O SISTEMA DA LINHA LATERAL 
 
O sistema da linha lateral é uma intrincada série de receptores mecânicos 
dispostos na cabeça e em regiões laterais do corpo (figura 12). Estes receptores são 
sensíveis ao som, toque, pressão e movimento. Os peixes apresentam também, como 
todo vertebrado, uma orelha interna capaz de detectar sons. Todavia, o sistema de 
linha lateral, em geral, é o sentido mais aguçado. A unidade básica da linha lateral é o 
neuromasto, que são grupamentos de células ciliadas sensíveis ao deslocamento 
mecânico. Na maioria dos peixes, os neuromastos estão arranjados em uma série de 
canais na cabeça e na lateral do corpo chegando até a cauda. Este mesmo sistema é 
encontrado nas larvas aquáticas e adultas dos anfíbios, mostrando-se como uma 
condição plesiomórfica dos tetrápodes. 
As disposições das linhas e dos neuromastos recebem informações dos 
movimentos da água ao redor, de acordo com o sentido da movimentação dos cílios 
presentes nos neuromastos de modo que, dependendo das movimentações recebidas 
pelos diferentes neuromastos ao longo do corpo, o sistema nervoso dos peixes 
interpreta a direção do movimento e a intensidade do meio, disparando uma resposta. 
Este mesmo sistema ocorre em nós humanos diante de um som, sem que 
percebamos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 12 - SISTEMA DE LINHA LATERAL NOS PEIXES CARTILAGINOSOS E 
ÓSSEOS, COM REPRESENTAÇÕES DIAGRAMÁTICAS DA LOCALIZAÇÃO