Cópia de Zoologia dos vertebrados
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DO 
SISTEMA E SUA ANATOMIA 
 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
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8.4 A ELETRORRECEPÇÃO DOS PEIXES CARTILAGINOSOS 
 
Muitos peixes têm a capacidade de perceber campos elétricos, no entanto, os 
Elasmobranchii (tubarões e raias) apresentam este sentido muito desenvolvido. Este 
grupo possui estruturas especializadas denominadas ampolas de Lorenzine. Tais 
estruturas encontram-se na cabeça dos tubarões e nas nadadeiras peitorais das raias 
e são eletrorreceptores sensíveis. O canal que conecta a célula receptora e o poro é 
preenchido por um gel condutor de eletricidade enquanto que a parede do canal não é 
condutora. Como o canal se estende para o interior da pele, a célula é capaz de 
perceber as alterações do campo elétrico do exterior, quando comparado com o tecido 
onde as células estão apoiadas. Deste modo, estas células funcionam como 
voltímetros que detectam alterações no campo elétrico ao redor do corpo. A 
sensibilidade à alteração do campo elétrico destas células é notável, alcançando a 
sensibilidade de 0,01 microvolt por centímetro, alteração capaz de ser detectada 
somente pelos mais sensíveis voltímetros industriais. 
Os Elasmobranchii utilizam esta sensibilidade elétrica na detecção de presas. 
Um tubarão, por exemplo, tem a capacidade de captar uma presa escondida somente 
reconhecendo as alterações no campo elétrico que a presa causa. Toda atividade 
muscular gera um potencial elétrico, além da própria geração do campo elétrico 
resultado da interação química entre o animal e a água circundante. Este mesmo 
sentido pode ser utilizado por este grupo para a navegação. A Terra apresenta um 
campo magnético, sendo que as linhas do campo gerado possuem voltagem suficiente 
para ser percebida pelas ampolas de Lorenzine. Do mesmo modo, as correntes 
oceânicas apresentam campos elétricos suficientes para a detecção pelas ampolas 
conforme movimentam íons dissolvidos na água. 
 
8.5 REGULAÇÃO DO MEIO INTERNO 
 
Os animais aquáticos estão constantemente ganhando ou perdendo água e 
íons para o meio circundante. A água flui de áreas com grande atividade cinética 
(soluções diluídas) para áreas de baixa atividade, enquanto os íons movem-se 
seguindo os gradientes de concentração. Os peixes de água doce são mais 
concentrados que a água ao seu redor, de modo que seus fluidos corpóreos recebem 
 
 
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água, sendo diluídos novamente pela difusão dos íons. Já os peixes marinhos são 
menos concentrados que a água salgada, devendo lidar com a saída demasiada de 
água e a entrada de íons. Alguns peixes, como os cartilaginosos e os celacantos 
acumulam uma grande quantidade de ureia em seus corpos, aproximando a 
concentração dos fluidos corporais à concentração da água, e assim minimizando a 
perda de água. 
De um mesmo modo, dado que água possui capacidade na condução de 
calor, os peixes apresentam mecanismos para diminuir as oscilações de temperatura 
no corpo. A temperatura do corpo de um peixe entra em equilíbrio facilmente com a 
água ao redor conforme o sangue passa pelas brânquias. Todavia, alguns peixes 
utilizam um mecanismo de contracorrente que minimiza a perda de calor de algumas 
regiões. Esses mecanismos de contracorrente empregam o próprio calor do corpo 
para impedir que a temperatura altere muito enquanto passa pela brânquia. O sangue 
que chega frio da brânquia passa por uma rede de capilares venosos que estão indo 
em direção à brânquia, sedo assim reduzida a perda de calor. 
 
9 EVOLUÇÃO E DIVERSIDADE DOS PEIXES CARTILAGINOSOS 
 
Os tubarões e seus semelhantes aparecem indubitavelmente no Siluriano. 
Estes animais têm sido tomados para exemplificar o estado ancestral do plano de 
corpo do gnatostomado ancestral. Os representantes viventes podem ser divididos e 
identificados dependendo do número de aberturas na cabeça. Um destes grupos é o 
Holocephalii, que apresenta apenas uma abertura em cada lateral da cabeça. Neste 
grupo estão incluídas as quimeras. No outro grupo, denominado Elasmobranchii, estão 
contidos as raias e tubarões, sendo estes mais familiares à maioria dos humanos e 
apresentam mais do que uma abertura em cada lado da cabeça. 
Apesar do grande número de fósseis bem preservados a filogenia deste 
grupo ainda não é bem resolvida. As primeiras irradiações deste grupo são tão 
diversas quanto os grupos atuais. Derivado disso existe uma imensa quantidade de 
especializações morfológicas apresentadas por este grupo. O resultado deste padrão 
evolutivo é uma combinação de grupos com caracteres primitivos e derivados 
tornando difícil a reconstrução filogenética. Duas principais radiações são 
reconhecidas no registro fóssil: uma na era Paleozoica e outra na era Mesozoica. Os 
representantes viventes do grupo são representantes de uma terceira irradiação, que é 
 
 
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encontrada pela primeira vez no registro fóssil no Triássico. No Jurássico e Cretáceo 
já são encontrados alguns gêneros viventes. A diferença morfológica mais clara entre 
os representantes atuais e os fósseis é a posição da boca. Nos primeiros, a boca é 
posicionada ventralmente, enquanto que nos representantes extintos das duas 
primeiras radiações a boca é terminal. 
 
9.1 TUBARÕES 
 
Ao longo da história evolutiva, os tubarões têm sido carnívoros. Nesta terceira 
radiação dos peixes cartilaginosos, características locomotoras, tróficas, 
comportamentais e sensoriais evoluíram juntas a partir da era Mesozoica levando este 
grupo a ocupar as regiões mais altas da cadeia trófica. Apesar de todos serem 
carnívoros, nem todos são grandes, algumas espécies não ultrapassam os 25 
centímetros quando adultos. 
O sistema sensorial dos tubarões e raias atuais é muito complexo e refinado, 
sendo possível reconhecer as presas por meio da visão, olfato, linha lateral e pelas 
ampolas de Lorenzine. A visão é um importante sentido na alimentação e 
comportamento dos tubarões, sendo que em intensidades luminosas baixas representa 
uma grande vantagem desses animais. Este grupo apresenta uma grande quantidade 
de bastonetes e cristais de guanina na retina que formam o chamado tapetum lucidum, 
que reflete a luz de volta para a retina aumentando a sua absorção. 
Apesar de os sentidos serem muito aguçados, estudos apontam que os 
tubarões usam vários para localizar uma presa e que, dependendo das condições 
ambientais, um sentido apresenta dominância sobre o outro sendo mais representativo 
para a obtenção da presa. Todavia, uma vez que o tubarão está próximo dela, a visão 
passa a ser o sentido mais importante para a decisão do ataque. 
Caso o tubarão ataque a presa, uma importante característica destes animais 
é a cinese craniana, ou seja, a capacidade de mover os ossos do crânio. Esta cinese 
craniana permite que itens alimentares grandes sejam ingeridos. As ligações da 
mandíbula ao crânio são feitas por ligamentos elásticos, assim, quando as mandíbulas 
se abrem existe a possibilidade de que ela seja projetada anteriormente aumentando o 
ângulo de abertura das mesmas. Este mecanismo permite, por exemplo, que o 
tubarão branco (Carcharodon carcharias) mate presas grandes como focas e leões 
 
 
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marinhos por meio do sangramento. Após uma mordida o tubarão espera o 
sangramento da presa e depois de algum tempo abocanha grandes pedaços de carne 
utilizando-se da cinese craniana. Após as mordidas, o tubarão solta a presa, e esta 
flutua. O procedimento de morder e soltar repete-se várias vezes até que o animal 
morra. 
O sucesso deste grupo algumas vezes não está atribuído prioritariamente a 
seu sistema sensorial ou a sua capacidade de predar, mas sim a seus complexos 
mecanismos de reprodução. Todos os tubarões apresentam