Cópia de Zoologia dos vertebrados
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Cópia de Zoologia dos vertebrados


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fecundação interna 
através dos clásperes pélvicos. Apesar de os machos possuírem um par de clásperes, 
apenas um é utilizado na cópula, sendo inserido na cloaca da fêmea. Na extremidade 
dos clásperes existe um sistema de ganchos que se prendem na cloaca da fêmea. O 
sêmen é ejaculado em um canal dorsal presente no clásper e após alguns movimentos 
o sêmen juntamente com a água do mar entram na fêmea onde os espermatozoides 
seguem até o trato reprodutor da fêmea. 
Apesar de todos apresentarem fecundação interna, existe uma grande 
variação da maneira que estes dão à luz os filhotes. Muitos tubarões são ovíparos, a 
maioria dos ovos apresenta o tamanho semelhante a um ovo de galinha e uma 
condição diferenciada da região posterior do oviduto secreta uma capa proteica que 
protege relativamente o ovo. Neste caso, o embrião nutre-se exclusivamente do vitelo 
contido no ovo. Alguns outros tubarões, no entanto, retêm o ovo no oviduto até o 
nascimento do filhote. Este tipo de reprodução é chamada de ovoviparidade, sendo 
que pouca diferença existe entre o crescimento do embrião nestes grupos em relação 
aos ovíparos. Na ovoviparidade os ovos em geral apresentam uma redução na casca 
e íons e gases podem ser trocados entre a mãe e os filhotes. 
Uma condição que evoluiu diversas vezes na evolução dos peixes 
cartilaginosos é a viviparidade. Neste caso a nutrição é feita exclusivamente pela mãe. 
Nos diferentes grupos que desenvolveram a viviparidade, esta ocorre de diversas 
maneiras. Em alguns grupos o oviduto da mãe desenvolve projeções que entram na 
boca do filhote que secreta uma substância nutritiva. Em outros, a mãe ovula 
constantemente e os óvulos não fecundados alimentam o embrião. Outros ainda criam 
um tecido que funciona da mesma maneira que a placenta, ligando a circulação do 
filhote à da mãe. Um caso extremo é o da mãe que produz uma grande quantidade de 
filhotes e os maiores comem pouco a pouco seus irmãos. 
Observações mais novas apontam ainda que a diversidade não está restrita a 
estruturas, mas o comportamento deste grupo também é muito diverso. Um dos tipos 
 
 
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comportamentais descobertos atualmente é o comportamento gregário. Os tubarões 
têm sido considerados solitários, todavia, observações recentes apontam que diversas 
espécies apresentam comportamento gregário, pelo menos durante o período 
reprodutivo. Em geral os grupos são formados por indivíduos do mesmo tamanho e 
sexo, mas indicações claras do motivo de tais reuniões ainda estão em discussão. 
Não só o comportamento gregário é pouco conhecido dos cientistas. A maior 
parte das espécies de tubarão não é bem estudada. E algumas são conhecidas 
somente por poucos (em alguns casos apenas um) exemplares apanhados 
acidentalmente por pescadores. Apesar de este desconhecimento estar diminuindo, é 
possível que a maior parte das espécies se extinga antes de serem bem estudadas. 
Não obstante à grande variedade de dispositivos de reprodução, os tubarões não 
deixam muitos descendentes e as alterações nos ambientes causadas pelo homem 
estão prejudicando a sobrevivência de várias populações destes animais, em alguns 
casos reduzindo populações a 15% em poucos anos. 
 
9.2 RAIAS 
 
Apesar de menos conhecidas que os tubarões, as raias compõem um grupo 
mais diverso que os tubarões com aproximadamente 450 espécies. A maioria das 
adaptações das raias relaciona-se ao hábito bentônico (de fundo) e a alimentação de 
animais com conchas. Praticamente todos os dentes possuem a coroa chata e estão 
agrupados em estruturas que formam placas dentárias. As raias são representantes 
da última radiação dos Elasmobranchii e as análises filogenéticas mostram que este 
grupo forma um grupo monofilético com os tubarões Saqualomorpha. Enquanto os 
tubarões em geral são animais que não ocupam água doce, as raias apresentam 
diversos representantes neste ambiente. A Família Potamotrigonidae, por exemplo, 
são raias exclusivamente habitantes de água doce, ocupando extensas áreas 
alagadas da América do Sul. 
As raias são similares por serem achatadas dorsoventralmente com bastões 
de cartilagem que sustentam as nadadeiras peitorais aumentadas. Este grupo 
movimenta-se por meio das ondulações de suas nadadeiras peitorais e se alimenta 
em geral de moluscos que apresentam conchas, e seus dentes especializados para tal 
auxiliam na quebra das conchas para a obtenção do interior carnoso. Diversos 
subgrupos de raias possuem diferentes tamanhos e hábitos. Em geral, as raias são 
 
 
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pequenas, mas algumas espécies, como a raia jamanta podem alcançar mais de seis 
metros de diâmetro de seu disco. 
 
9.3 QUIMERAS 
 
As quimeras pertencem ao grupo dos Holocephalii e por volta de 35 espécies 
somente são conhecidas (figura 13). Este desconhecimento está possivelmente 
relacionado ao hábito deste grupo que ocupa águas profundas. Todas as espécies 
conhecidas apresentam pequeno porte, não ultrapassando muito mais do que um 
metro de comprimento e possuem uma morfologia diferenciada dos demais peixes 
cartilaginosos. Várias delas têm prolongamentos do rostro de função desconhecida na 
maioria dos casos. Este grupo movimenta-se por ondulações laterais sinuosas das 
longas caudas e por movimentos das longas nadadeiras peitorais. Este grupo 
apresenta uma dentição modificada formada por placas em que os dentes estão 
aproximados um do outro. Além disso, possuem (como alguns tubarões) uma glândula 
de veneno associada ao espinho da nadadeira dorsal. 
Não existe muito consenso sobre a ancestralidade dos Holocephalii. Não se 
sabe ao certo a qual grupo as quimeras estão relacionadas. Diversos grupos já foram 
apontados como sendo possíveis ancestrais, incluindo os placodermes. Todavia, 
análises filogenéticas abrangentes têm corroborado que todos os peixes cartilaginosos 
atuais formam um grupo monofilético e que os placodermes encontram-se fora do 
grupo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 13 - ESQUEMAS DE REPRESENTANTES DE QUIMERAS VIVENTES 
 
Note o prolongamento do rostro das duas espécies no inferior da figura. 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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10 EVOLUÇÃO E DIVERSIDADE DOS PEIXES ÓSSEOS 
 
A maior parte dos grupos vivos e extintos de peixes coexistiu nas águas 
marinhas e continentais do planeta ao longo do Devoniano, chamada de \u201cEra dos 
Peixes\u201d. Neste contexto evoluiu o grupo ao qual pertencem peixes ósseos atuais 
(Osteichthyes). 
Os primeiros registros deste grupo são apontados com dúvida para o 
Siluriano, no entanto, representantes mais completos são encontrados somente no 
Devoniano. Caracteres cranianos mostram uma ancestralidade comum exclusiva entre 
este grupo e os acantodi, sendo apontada a divergência para estes clados para o 
início do Siluriano. Desde o meio do Devoniano são observadas duas linhagens que 
correspondem às linhagens principais reconhecidas até hoje: os Sarcopterygii (do 
grego sarco = carnosos e pteryg = nadadeiras) e os Actinopterygii (do grego actino = 
raios). A linhagem Sarcopterygii apresenta as nadadeiras sustentadas por músculos e 
ossos que são homólogos aos ossos dos membros dos tetrápodes, enquanto os 
Actinopterygii apresentam as nadadeiras suportadas majoritariamente por raios. 
Apesar do nome, os Osteichthyes (incluindo os tetrápodes) não são os únicos 
vertebrados com ossos. Vários grupos fósseis de agnatos possuem esta estrutura e a 
condição encontrada nos Chondrichthyes (peixes cartilaginosos) é uma condição 
derivada e não a manutenção de uma característica primitiva. Classicamente, este 
grupo era subdividido conforme o grau de ossificação do esqueleto. Com o advento