Cópia de Zoologia dos vertebrados
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Cópia de Zoologia dos vertebrados


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grupos serão avaliados. Uma extensa bibliografia especializada pode 
ser encontrada facilmente (e. g.: NELSON, 1994; STIASSNY, 1996). As relações 
filogenéticas deste grupo são muito complexas, de modo que alguns pontos são 
consensos nas diferentes análises, enquanto outros apresentam mínimas 
sobreposições nas diferentes hipóteses oferecidas. Para demonstrar a diversidade 
deste grupo serão apresentados subgrupos bem conhecidos sob a classificação 
tradicional (presente na maioria dos livros textos). 
 
10.6 POLYPTERIFORMES E ACIPENSERIFORMES 
 
Embora poucos, representantes das formas mais basais dos Actinopterygii 
sobrevivem até o período atual (figura 16). A linhagem mais primitiva vivente trata-se 
dos Polypteriformes, pouco conhecidos dos brasileiros, mas com o nome popular de 
peixes-do-junco africano ou bichirs (nome africano e utilizado por aquaristas). 
Atualmente, acredita-se que existam apenas 11 espécies deste grupo. De tamanho 
modesto, os bichirs raramente ultrapassam um metro de comprimento e ocupam áreas 
alagadas africanas. Todos são carnívoros predadores de pequenos peixes e 
invertebrados. A maior característica do grupo é a presença da nadadeira dorsal 
subdividida em muitos segmentos. Todavia, várias peculiaridades osteológicas os 
diferem dos demais Actinopterygii. Pouco se sabe sobre a evolução do grupo, dado 
que raríssimos fósseis são encontrados. 
Os Acipenseriformes representam um grupo também de diversidade atual 
restrita, compondo basicamente duas famílias que incluem os esturjões e peixes-
espátula, que classicamente recebem o nome de Chondrostei devido ao esqueleto que 
apresenta elementos cartilaginosos e ósseos. Este grupo é pouco conhecido pelos 
brasileiros também, dado que é encontrado somente no hemisfério norte. Tais animais 
apresentam uma morfologia estranha, sendo especializados em uma vida bentônica. 
 
 
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Possuem corpo alongado e achatado, e os peixes-espátula um estranho rostro 
alongado em formato de espátula. 
Os esturjões são conhecidos por seus ovos, com os quais são feitos os 
caviares mais caros. Por esse motivo também, as populações destes peixes 
diminuíram grandemente. De outra forma, os peixes-espátula também estão em 
grande risco de extinção, mas principalmente pela perda de seu ambiente (Mississipi 
na América do Norte e outra ocupando a drenagem do rio Yangtze na China). 
 
 
FIGURA 16 - ESQUEMAS DOS ACTINOPTERYGII VIVENTES 
 
Na região mais posterior um polipteriforme, no meio, um esturjão e em baixo um peixe-
espátula. 
Note o rostro modificado do peixe-espátula em detalhe em vista dorsal. 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
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10.7 NEOPTERÍGIOS PRIMITIVOS 
 
Excetuando-se os dois grupos supracitados, a radiação maior dos 
Actinopterygii compreende os Neopterygii (figura 17). As mais primitivas linhagens 
deste grupo compreendem os Lepisosteiformes e Ammiformes. Os lepisosteiformes 
são conhecidos como gars e as 11 espécies estão distribuídas na América do Norte e 
em Cuba. São peixes grandes, de um a quatro metros, predadores de superfície. 
Possuem corpo e rostro alongados e com muitos dentes. Já os Ammiformes são 
representantes de uma linhagem que foi muito diversa no Mesozoico, mas que 
somente uma espécie sobrevive (Ammia calva) habitando águas norte-americanas, 
alimentando-se de qualquer presa que caiba em sua boca. 
 
FIGURA 17 - ESQUEMAS DOS NEOPTERYGII PRIMITIVOS VIVENTES 
 
No topo um representante dos Lepisosteiformes e abaixo o único representante vivente do 
grupo Ammiformes (Ammia calva). 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
 
 
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10.8 TELEOSTEI 
 
Dentre os Neopterygii, a linhagem mais diversa trata-se dos Teleostei. E, 
dentro deste grupo, quatro principais linhagens são mais representativas. Os 
Osteoglossomorpha, que compõem uma série de linhagens sul-americana e africana. 
Dentre os representantes mais característicos estão os aruanãs (Osteoglossum) e o 
pirarucu (Arapaima), mas os peixes-elefante africanos também fazem parte deste 
grupo. O Elopomorpha é outra linhagem em que as enguias estão incluídas, além dos 
tarpões. Uma das características mais marcantes deste grupo é a presença de uma 
larva leptocéfala. Os Clupeomorpha representam uma linhagem que em geral está 
relacionada à alimentação por meio de filtração. São normalmente prateadas e vivem 
em grandes cardumes, e por isso possuem grande importância comercial nos 
ambientes marinhos. As sardinhas são modelos deste grupo. 
Todavia, a mais diversa linhagem de Teleostei é a Euteleostei. Esta linhagem, 
por sua vez, é subdividida em vários outros grupos. Os dois principais são os 
Ostariophysi e Acanthopterygii. 
O primeiro grupo é o mais diverso de todos os peixes, representando de 25% 
a 30% de todos os peixes viventes e cerca de 80% das espécies de água doce. Neste 
grupo estão incluídos todos os Characiformes e Siluriformes. O primeiro incluindo os 
lambaris, por exemplo, e o segundo os peixes de couro, como pintados. 
O outro grande grupo de Euteleostei são os Acanthopterygii, que são os 
peixes mais derivados e que apresentam a maior quantidade de caracteres 
modificados do padrão básico de Actinopterygii, com controle de natação muito 
preciso. Neste grupo estão incluídos, por exemplo, a Família Cichlidae, que incluem 
tilápias, tucunarés, dentre outros. 
 
 
11 ECTOTÉRMICOS TERRESTRES: ANFÍBIOS, TARTARUGAS E 
LEPIDOSSAUROS 
 
 
 
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A vida na Terra apresenta desafios e demandas muito diferentes da 
vida na água. Provavelmente a mais importante é a gravidade. Diferente dos 
peixes, que possuem a densidade do corpo próxima à da água, o corpo de um 
vertebrado terrestre apresenta densidade muito discrepante da densidade do 
meio. Assim, um sistema em que houve grande diferenciação na transição do 
ambiente aquático para o terrestre foi o sistema muscular esquelético. Alguns 
processos fisiológicos também foram alterados. As brânquias dos peixes são 
sítios de troca para o ambiente tanto de gases, quanto de íons, além de 
excretarem alguns metabólitos. As brânquias não desempenham estes 
processos adequadamente, visto que colaboram, reduzindo muito a área de 
trocas com o ambiente. Nos vertebrados terrestres são observadas outras 
estruturas que desempenham o papel das brânquias no ambiente aquático. 
Outra clara diferença entre os vertebrados aquáticos e terrestres é o 
armazenamento de gordura. Os peixes, de forma geral, retêm gordura em 
gotas lipídicas no fígado e músculos. Enquanto que os vertebrados terrestres 
armazenam gordura na forma de células especializadas (adipócitos) formando 
corpos gordurosos discretos. Nos diversos grupos este armazenamento ocorre 
de maneiras diferentes, por exemplo, os répteis guardam estes corpos 
gordurosos na região abdominal e na base da cauda, enquanto que mamíferos 
e aves armazenam estes corpos em camadas subcutâneas. Todavia, várias 
outras diferenças podem ser apontadas. Na presente apostila não há espaço 
suficiente para que todas as diferenças sejam levadas em conta, todavia, estas 
diferenças são fundamentais para o entendimento da evolução de Vertebrata e 
devem ser buscadas em outras fontes. 
O crânio dos primeiros tetrápodes não é, em linha geral, muito diferente 
do crânio de peixes ósseos primitivos, sendo que ambos apresentam um 
grande dermatocrânio. Todavia, o esqueleto branquial e os ossos do opérculo 
que conectam esta região à cintura peitoral foram muito modificados. O crânio 
dos peixes ósseos apresenta um rostro muito curto e os movimentos das 
mandíbulas faz com que a água seja sugada para a boca para alimentação e 
trocas gasosas.