Cópia de Zoologia dos vertebrados
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das 
 
 
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costelas estão embutidas em tecido conjuntivo e o casco e plastrão estão 
recobertos por pele. A tartaruga de couro (Dermochelys) possui casco 
cartilaginoso com milhares de ossículos poligonais em seu interior. Algumas 
outras tartarugas apresentam ainda no entorno do casco estruturas flexíveis 
denominadas charneiras. Alguns gêneros como, por exemplo, Terrapene, são 
capazes de fechar as aberturas anterior e posterior do casco, para uma maior 
proteção da cabeça e cauda. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 29 - ESTRUTURA DO CASCO E PLASTRÃO DE UM TESTUDINIA 
 
(a) escudos epidérmicos do casco (esquerda) e do plastrão (direita); (b) ossos dérmicos do 
casco (esquerda) e do plastrão (direita); (c) vista interna de um casco. 
Note a ausência de correspondência entre os ossos dérmicos e os escudos córneos, e a fusão 
das costelas e vértebras. 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
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11.5.3 O coração dos Testudinia 
 
 
O coração dos tetrápodes pode ser visto como dois circuitos: o circuito 
sistêmico que transporta sangue oxigenado do coração para a cabeça, tronco e 
membros e o circuito pulmonar que conduz sangue desoxigenado do coração 
para os pulmões. Estes sistemas funcionam em sequência, de modo que o 
sangue que passa pelos pulmões volta para o coração e então é bombeado 
para as demais regiões do corpo. O coração com quatro cavidades separadas 
dos mamíferos e aves faz com que este sistema serial seja obrigatório. 
Todavia, o coração dos demais amniotas e dos anfíbios pode fazer trocas entre 
os sangues dos dois sistemas. 
Apesar de geralmente ser advogado como uma desvantagem a mistura 
dos sangues oxigenados com o não oxigenado, este sistema pode oferecer 
benefícios no caso das tartarugas marinhas. Quando estas iniciam um 
mergulho profundo, o padrão de circulação muda e a quantidade de sangue 
oxigenado que é enviada a certas partes do corpo diminui, abaixando a taxa 
metabólica de certos tecidos e auxiliando a tartaruga a passar mais tempo 
submergida. 
 
 
11.5.4 Respiração nos Testudinia 
 
 
Como um animal que possui cascos rígidos consegue respirar? Os 
amniotas primitivos, bem como os lagartos atuais utilizam movimentos da caixa 
torácica para introduzir ar nos pulmões e para retirá-lo. Nos testudinos, em que 
a caixa torácica está fundida com o casco rígido, estes movimentos são 
impossibilitados, pois somente as aberturas anterior e posterior do casco 
possuem tecidos flexíveis. Os pulmões dos testudinos estão ligados à carapaça 
no sentido dorsal e lateral. No sentido ventral, os pulmões estão presos a uma 
lâmina de tecido conjuntivo que por sua vez está presa às vísceras. O peso das 
vísceras mantém a lâmina diafragmática estirada para baixo. 
 
 
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Os testudinos promovem mudanças de pressão dentro da caixa 
torácica, contraindo os músculos que suspendem as vísceras (músculo 
transverso abdominal e músculo peitoral), de modo que o pulmão é comprimido 
e o ar expelido, e em seguida contraem outros músculos (abdominal oblíquo e 
serrátil) que expandem o volume dos pulmões aspirando o ar. A respiração de 
algumas tartarugas aquáticas, todavia, são auxiliadas por outras superfícies 
respiratórias que não a pulmonar. Algumas tartarugas utilizam a região traqueal 
para absorção de oxigênio, enquanto outras empregam a cloaca com 
invaginações em formato de bolsa que absorvem oxigênio e eliminam dióxido 
de carbono. 
 
 
11.6 LEPIDOSAURIA (TUATARA, LAGARTOS E SERPENTES) 
 
 
Os Lepidosauria apresentam uma diversidade relativamente grande. 
São encontradas aproximadamente 4 mil espécies de lagartos, 2,7 mil de 
serpentes e duas de tuatara (a origem do nome tuatara é Maori e não se 
acrescenta \u201cs\u201d para designar o plural). Estes animais são basicamente 
terrestres com algumas poucas espécies relativamente aquáticas. O tegumento 
deste grupo é recoberto com escamas, sendo pouco impermeável à água. 
Apesar do plano corporal básico deste grupo ser a presença dos quatro 
membros, a perda de membros entre linhagens de lagartos é comum, bem 
como todas as serpentes que são caracterizadas pela ausência de membros. 
Os Archosauria (aves e crocodilos) são o grupo irmão dos Lepidosauria, e os 
Rhynchocephalia (tuatara) compõe o grupo irmão de Squamata (lagartos e 
serpentes). Dentre os Squamata, as análises filogenéticas apontam que os 
lagartos não representam um grupo monofilético, todavia a divisão entre 
lagartos e serpentes será adotada aqui para facilitar a compreensão do grupo. 
Estes animais apresentam comportamentos sociais complexos, 
associados à defesa do território e corte, mas o cuidado parental é reduzido, 
sendo praticamente inexistente. A fecundação é interna e a viviparidade ao que 
parece surgiu independentemente. Bem como muitas espécies são 
partenogenéticas, com as fêmeas produzindo filhotes sem a necessidade de 
 
 
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cópula. 
 
11.7 OS RHYNCHOCEPHALIA 
 
Este grupo, apesar da diversidade e distribuição muito reduzida, com 
apenas o gênero Sphenodon, que ocupa áreas da Nova Zelândia, apresenta-se 
muito diverso no registro fóssil (figura 30). Os fósseis indicam que existiram 
espécies insetívoras e herbívoras de pequeno porte ocupando nichos terrestres 
e arborícolas, mas que existiram também irradiações marinhas deste grupo 
com algumas espécies, alcançando mais de um metro de comprimento. As 
duas espécies de Rhynchocephalia viventes estão em grande perigo de 
extinção, sendo que a Sphenodon guentheri está restrito a cerca de 300 
indivíduos isolados numa região de 1,7 hectares na Nova Zelândia. A outra 
espécie, Sphenodon puncatus, apesar de possuir um número maior de 
indivíduos, também corre sério perigo de extinção. 
 
 
FIGURA 30 - CRÂNIO DE SPHENODON PUNCATUS 
EM VISTA DORSAL (A) E LATERAL (B) 
 
O crânio pouco difere aparentemente de um crânio de \u201clagarto\u201d, entretanto caracteres 
osteológicos bem evidentes delimitam tal diferenciação. Notam-se os dois dentes pré-maxilares 
superiores. 
FONTE: Modificado de Carroll (1988). 
 
 
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Os tuatara adultos medem por volta de 60 centímetros de 
comprimento. São noturnos e carnívoros, alimentando-se de invertebrados e 
pequenos vertebrados. Este grupo apresenta uma articulação diferenciada 
entre o crânio e mandíbula que permite que a mandíbula se desloque para 
frente durante a alimentação criando um efeito cortante, auxiliado pelos dentes 
hipertrofiados da pré-maxila. A temperatura de atividade dos tuatara é muito 
baixa quando comparada com os demais Lepidosauria. Foram relatadas 
temperaturas de até 6ºC em tuatara em atividade, considerada muito baixa. 
Todavia, esta pode tratar-se de uma especialização a vida próxima às colônias 
das aves de onde estes animais retiram seu alimento. 
 
 
11.8 SQUAMATA: LAGARTOS,SERPENTES 
 
 
11.8.1Lagartos 
 
 
As aproximadamente 4 mil espécies de lagartos atuais apresentam uma 
grande variedade de tamanhos, desde diminutas lagartixas até a maior espécie 
vivente, o dragão de Komodo (Varanus komodoensis), que pode atingir até três 
metros de comprimento (figura 31). Todavia, 80% dos lagartos pesam quando 
adulto menos de 20 gramas e são insetívoros. Estes animais apresentam uma 
grande diversidade de nichos ocupados, desde desertos, florestas tropicais e 
regiões temperadas. 
A maioria dos lagartos de grande porte são herbívoros arborícolas. 
Algumas espécies possuem como ambiente regiões alagadas, pantanosas ou 
praias, mas poucas espécies entram com frequência