Cópia de Zoologia dos vertebrados
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Cópia de Zoologia dos vertebrados


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dos Crocodyliformes é 
que apesar dos músculos de fechamento das mandíbulas serem muito fortes, inclusive 
possibilitando que alguns se alimentem de tartarugas, a musculatura que abre as 
 
 
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mandíbulas (depressor da mandíbula) é fraca. Uma pessoa pode facilmente manter 
fechada a boca de um crocodiliforme somente com a força de suas mãos. A mordida 
de um crocodiliforme é muito forte e pode arrancar pedaços grandes de carne de sua 
presa, e engoli-los. Para obter suas presas, em geral, estes animais permanecem 
quietos em corpos de água até que a presa aproxime e o ataque seja inevitável. Com 
a mordida, o crocodiliforme prende a presa e a arrasta para dentro da água onde a 
afoga. Depois de morta, para arrancar os pedaços de carne o animal morde a presa e 
gira repetidamente. A alimentação deste grupo é facilitada pela presença de um palato 
secundário que permite ao mesmo tempo em que o animal se alimente e respire. 
Entre os Crocodyliformes, o cuidado parental e a comunicação vocal são 
menos conhecidos que nas aves, todavia, ao que os estudos indicam são tão 
desenvolvidos quanto naquele grupo. Todos os Crocodyliformes atuais protegem seus 
ninhos e em algumas espécies foi demonstrado um cuidado parental que dura vários 
anos. Os recém-nascidos de Crocodyliformes começam a vocalizar antes mesmo de 
saírem do ovo, sinalizando para a mãe que estão eclodindo, estimulando-a a cavar para 
facilitar sua eclosão. Depois de eclodidos, os filhotes são levados pela mãe para o corpo 
de água mais próximo utilizando a boca para tal. Os filhotes de algumas espécies 
vocalizam também quando estão em perigo utilizando sons estridentes que atraem 
rapidamente a mãe para próximo. Outros estudos estão demonstrando que a gama de 
comportamentos empregados pelos Crocodyliformes pode rivalizar com os das aves em 
complexidade em muitos pontos e que estes foram subestimados por muito tempo. 
Bem como os Lepidosauria, os Crocodyliformes são animais ectotérmicos, 
mas que de maneira geral conseguem manter relativamente constante sua 
temperatura com base em mecanismos comportamentais e fisiológicos. O coração dos 
Crocodyliformes apresenta quatro câmaras (figura 36). O arco aórtico direito abre-se a 
partir do ventrículo esquerdo e recebe sangue oxigenado. O arco aórtico esquerdo e a 
artéria pulmonar abrem-se a partir do ventrículo direito. O fluxo de sangue é controlado 
pela maior resistência em fluir no circuito sistêmico em contraste com a menor pressão 
em fluir no sistema pulmonar, sendo que dependendo das atividades do animal, as 
pressões em cada lado se alteram, permitindo um ajuste fino do direcionamento do 
sangue. Quando o animal está em repouso, a pressão nos dois ventrículos é 
basicamente a mesma. Nessa situação, o sangue desoxigenado flui do ventrículo 
direito para o arco aórtico esquerdo e em seguida para a região posterior e vísceras. É 
interessante notar que o arco aórtico direito fornece o sangue para a cabeça, assim 
esta região, incluindo o cérebro, recebe sangue oxigenado em todos os momentos. 
 
 
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FIGURA 36 - ESQUEMA DO CORAÇÃO DE 
UM CROCODILIFORME EM ATIVIDADE 
 
Note a passagem de sangue oxigenado pelo forame de Panizza invadindo o arco aórtico 
esquerdo e fechando a válvula ventricular, que impede a entrada de sangue não oxigenado por 
este arco. 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
 
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Um padrão diferente de circulação ocorre quando o animal está em atividade. 
Neste caso, a pressão do ventrículo esquerdo aumenta em relação ao direito. Uma 
conexão entre os aórticos direito e esquerdo denominado forame de Panizza tem 
papel importante na regulação neste outro padrão de circulação. Quando a pressão do 
arco aórtico direito excede a do arco aórtico esquerdo há o fluxo do sangue oxigenado, 
através do forame de Panizza, para o arco aórtico esquerdo. A pressão que se instala 
ali mantém a válvula ventricular fechada, impedindo que o sangue desoxigenado flua 
pelo arco aórtico esquerdo. 
Um terceiro tipo de circulação ocorre nestes animais quando estão em 
mergulho. A pressão dos vasos do circuito pulmonar aumenta e uma grande 
quantidade de sangue não oxigenado flui através do arco aórtico esquerdo. 
 
12.3 PTEROSAURIA 
 
Dentro da linhagem dos Archosauria, o voo batido surgiu independentemente 
em dois grupos. Um desses grupos são as aves e o outro são os pterossauros. Este 
grupo é encontrado somente no registro fóssil desde o Triássico até o Cretáceo e 
variavam de formas diminutas, próximos aos menores pássaros viventes, até formas 
muito grandes com a envergadura de mais de dez metros. 
As asas dos pterossauros possuem morfologia radicalmente diferente das asas 
das aves. Neste grupo, a maior parte do membro é suportada pelo quarto dedo da mão, 
que é extremamente alongado, e que suportava uma membrana de pele que se prendia 
à lateral do corpo. Não existe consenso entre os estudiosos do grupo, mas alguns 
acreditam que esta membrana também se prendia à lateral dos membros posteriores, 
que existiria uma segunda membrana entre os membros posteriores e, ainda, uma 
terceira membrana entre os membros anteriores e o pescoço. 
Apesar das asas formarem a mais evidente adaptação ao voo, em todo o 
esqueleto dos pterossauros é possível reconhecer adaptações a este tipo de 
locomoção (figura 37). O voo é um meio de locomoção energeticamente dispendioso, 
sendo que o ambiente apresenta limitações que restringem a morfologia dos animais 
voadores. Assim, os pterossauros apresentam muitas convergências morfológicas 
com as aves. Os ossos dos pterossauros eram ocos, bem como nas aves esta 
morfologia permite uma redução do peso do corpo; todavia, com perda reduzida de 
 
 
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resistência. O esterno, ao qual se prendem os músculos utilizados no batimento das 
asas, embora não apresentem a quilha como nas aves, é bem desenvolvido. Os olhos 
igualmente, e fósseis com moldes internos da cavidade encefálica apontam que a 
região responsável pela visão assim também o era, enquanto a região relacionada ao 
olfato bem reduzida. E, ainda, o cerebelo, responsável pelo equilíbrio, era muito 
desenvolvido, como nas aves. 
 
 
FIGURA 37 - MORFOLOGIA GERAL E TAMANHO DOS PTEROSSAUROS 
 
(a) Vista lateral geral de Pteranodon; (b) vértebra cervical em vista lateral; (c) vértebras dorsais 
fundidas (notário); (d) vértebras sacrais fundidas (sinsacro); (e) esterno em vista ventral; (f) 
proporções entre Quetzalcoaltlus, Pteranodon, Pterodactylus e um homem. 
FONTE: Modificado de Benton (2006). 
 
 
 
 
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Durante as irradiações do grupo, alguns pterossauros perderam os dentes e 
desenvolveram bicos semelhantes aos das aves. Outros pterossauros, entretanto, 
apresentavam uma série de dentes cônicos e uma cabeça arredondada que se 
assemelhava à dos morcegos. Algumas espécies apresentavam mandíbulas 
alongadas e dentes robustos que ao que tudo indica seriam utilizados para capturar 
pequenos peixes e possivelmente outros vertebrados. Alguns pterossauros possuíam 
morfologia craniana tão diferenciada (figura 38) que se acredita que apresentavam 
alimentação também especializada. O Pterodaustro (item \u201ce\u201d da figura 38), por 
exemplo, tinha um focinho desenvolvido e curvo que, juntamente com uma série de 
dentes finos e bem desenvolvidos, parecia um pente. Crê-se que este animal 
permanecia em corpos aquosos rasos e que utilizava aparato de dentição para filtrar 
pequenos organismos, bem como algumas baleias o fazem. 
 
FIGURA 38 - DIVERSIDADE CRANIANA DOS PTEROSSAUROS 
 
 
(a) Dimorphodon, (b) Rhamphorhynchus, (c) Pterodactylus, (d) Ctenochasma, (e) Pterodaustro, 
(f) Ornithocheirus,