Cópia de Zoologia dos vertebrados
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Cópia de Zoologia dos vertebrados


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A maioria das 
linhagens de sinápsidos desapareceu no final do Triássico e as linhagens que 
sobreviveram eram compostas por animais de pequeno porte, compreendendo os 
mamíferos, que seria a única origem representante dos Synapsida a partir do 
Cretáceo. 
A diferenciação dos mamíferos viventes em relação aos demais amniotas 
viventes é simples, todavia, quando consideramos o registro fóssil das linhagens e 
reconhecemos os mamíferos como Synapsida, a caracterização é dificultada. De um 
modo geral, os sinapsidos podem ser caracterizados pela presença de apenas a 
fenestra temporal superior. Uma série de grupos é definida nas linhagens de 
sinápsidos. Boa parte destes grupos não representa grupos monofiléticos. Dentre eles 
apontam-se os pelicossauros e os terápsidos. Dentre os pelicossauros, um 
representante é amplamente conhecido devido sua morfologia peculiar, o Dimetrodon, 
mas na maioria das vezes sem o conhecimento de que se trata de um sinápsido, mais 
relacionado aos mamíferos que aos répteis atuais. 
Durante a evolução dos Synapsida, houve uma série de modificações que 
quando observadas nos mamíferos apontam tendências na evolução do grupo. A 
maioria das modificações é marcada como resultantes do incremento do metabolismo 
e a passagem da ectotermia para a endotermia, que por sua vez resulta em 
modificações ecológicas e comportamentais. As características fisiológicas, ecológicas 
e comportamentais não são passíveis de observações em fósseis, no entanto, 
características anatômicas podem ser utilizadas para traçar nos fósseis essas 
modificações. Tais mapeamentos dos caracteres estão relacionados com a premissa 
de que animais com taxas metabólicas elevadas requerem quantidades maiores de 
alimento e oxigênio. De modo que adaptações relacionadas ao aumento na eficiência 
de obtenção de alimento, bem como de trocas gasosas, podem indicar um incremento 
na taxa metabólica. 
 
 
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Das diversas características esqueléticas apontadas como significativas no 
incremento da taxa metabólica, podem-se destacar algumas (figura 45). 
 
14.1 CARACTERÍSTICAS ESQUELÉTICAS APONTADAS COMO SIGNIFICATIVAS 
NO INCREMENTO DA TAXA METABÓLICA DOS MAMÍFEROS 
 
14.1.1 Tamanho da fossa temporal 
Um aumento progressivo da fossa temporal superior resulta numa maior 
quantidade de fibras musculares inseridas na fossa. Consequentemente, uma maior 
quantidade de musculatura relacionada à abertura e fechamento das mandíbulas, que é 
inferido como um aumento da capacidade mastigatória e de ingestão de alimento. 
 
14.1.2 Condição do arco temporal inferior 
Diferentemente dos demais amniotas, os mamíferos apresentam o arco 
temporal inferior ressaltado, formando o arco zigomático. A presença deste arco 
promove a inserção de musculatura especializada na mastigação, principalmente o 
músculo masseter, indicando também o incremento no processamento e ingestão de 
alimentos. Nos Synapsida não mamíferos é possível reconhecer o aumento 
progressivo desta estrutura indicando uma pressão seletiva para o aumento nas 
habilidades mastigatórias. 
 
14.1.3 Maxila inferior e articulação mandibular 
Modificações na articulação mandibular indicam uma relação muito forte entre 
a mastigação e audição dos mamíferos. A condição plesiomórfica da mandíbula dos 
Synapsidas é a presença da parte portadora de dentes (dentário) ocupando cerca de 
metade do comprimento total e o restante do comprimento é feito por outros ossos. 
Nos mamíferos, o dentário ocupa toda a mandíbula e os ossos que formam o restante 
da mandíbula, os demais amniotas formam os ossículos do ouvido médio (ver sessões 
seguintes). 
 
 
 
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FIGURA 45 - ILUSTRAÇÃO DAS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NO ESQUELETO 
DURANTE A EVOLUÇÃO DOS SYNAPSIDA 
 
Estas modificações estão indicadas em exemplos de diferentes espécies 
em posições distintas na linhagem. 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
 
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14.1.4 Dentes 
Os dentes dos amniotas não mamíferos (com raras exceções) não 
apresentam muitas modificações, sendo que num mesmo animal geralmente todos 
possuem mesma morfologia (dentes homodontes). Além disso, a substituição dentária 
em geral é polifiodonte, ou seja, os dentes são constantemente renovados. No caso 
dos mamíferos, os dentes são muito diversos, tanto nos diferentes grupos, quanto num 
mesmo animal, de modo que este aumento na heterodontia reflete uma ênfase no 
processamento do alimento. 
Houve ainda nos mamíferos a perda da capacidade de substituição constante 
dos dentes com o desenvolvimento da difiodontia, em que existe somente uma 
substituição dos dentes durante a vida de um mamífero. Todas estas adaptações são 
inferidas como relacionadas a um incremento na capacidade de ingestão e 
processamento do alimento, tanto quando adultos como filhotes. 
 
14.1.5 Desenvolvimento de palato secundário 
A presença de um palato secundário permite que o animal respire e se 
alimente ao mesmo tempo. Esta estrutura pode ser mapeada no registro fóssil, sendo 
encontrada nas diferentes linhagens de sinápsidos a ausência total de tal estrutura, 
passando por condições intermediárias até a presença de um extenso palato 
secundário presente nos mamíferos. 
 
14.1.6 Perda de forame parietal 
O forame pineal é um orifício no teto do crânio que permite que células 
fotossensíveis da glândula pineal utilizem sinais do meio externo para a regulação 
comportamental do meio interno. Na linhagem dos mamíferos houve a perda de tal 
orifício indicando que estes animais não utilizavam informações do meio externo para 
regular o meio interno, possivelmente devido a um meio interno estável 
(homeotermia). 
 
 
 
 
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14.1.7 Posição dos membros 
A presença de uma postura ereta, com os membros posicionados na região 
inferior do corpo está relacionada a uma maior atividade do animal de forma que esta 
maior atividade está diretamente relacionada a um aumento das taxas metabólicas, 
diminuindo o conflito entre respiração e locomoção. Os Synapsida não mamíferos 
apresentam a postura semelhante a dos répteis, com os membros dispostos na lateral 
do corpo, sendo que é observada uma gradual modificação de tal postura durante a 
evolução desta linhagem até a condição reconhecida nos mamíferos. 
 
14.1.8 Formas das cinturas 
Do mesmo modo que os membros, as cinturas dos mamíferos são 
modificadas para a postura ereta. Com a rotação dos membros para baixo do corpo 
parte da sua sustentação passa a ser feita pelos membros, de modo que na evolução 
deste grupo é observada uma diminuição das cinturas resultantes desta redistribuição 
das forças exercidas nas cinturas e membros. 
 
14.1.9 Forma do pé 
A presença de dedos longos está relacionada a uma função escavadora, 
enquanto que dedos curtos a uma postura ereta, utilizando-os como alavancas no 
deslocamento da massa do corpo. Na evolução dos mamíferos houve também o 
desenvolvimento de uma projeção do calcâneo (osso que forma a região posterior do 
pé), que permite também a maximização da força durante a caminhada auxiliada pelo 
músculo gastrocnêmico (panturrilha). 
 
14.1.10 Modificações da coluna vertebral 
Plesiomorficamente, todas as vértebras apresentam costelas, todavia, nos 
mamíferos existe a perda das costelas das vértebras lombares e cervicais. Deste 
modo, nos mamíferos estas regiões anatômicas da coluna são facilmente 
distinguíveis. A ausência de costelas lombares tem sido relacionada à presença do 
 
 
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diafragma e da possibilidade de flexão dorsoventral da coluna. Ambas as 
características estão ligadas a um incremento na locomoção e respiração. 
 
14.1.11 Redução da cauda