Cópia de Zoologia dos vertebrados
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A redução da cauda presente nos mamíferos é tida como referida a uma 
movimentação dada majoritariamente pelos membros e não mais por ondulações 
laterais do corpo, como nos répteis. 
 
14.2 PRINCIPAIS PROCESSOS EVOLUTIVOS RELACIONADOS AOS MAMÍFEROS 
 
14.2.1 Evolução das maxilas e ouvido médio 
 
A condição plesiomórfica dos Synapsidas é a mesma encontrada como 
plesiomórfica para os amniota, com o dentário ocupando a região anterior da 
mandíbula e os demais ossos (ossos pós-dentário) formando o restante da mandíbula, 
inclusive a região de articulação com o crânio. A articulação entre a mandíbula e o 
crânio era dada pelo articular na mandíbula e pelo quadrado no crânio. Durante a 
evolução dos Synapsida foi observada uma tendência no aumento do dentário e a 
diminuição dos ossos pós-dentários. A ampliação do dentário é relacionada ao 
aumento na musculatura adutora da mandíbula (que se insere no dentário), majorando 
a capacidade mastigatória destes animais. Nos Synapsida mais derivados, o dentário 
desenvolveu um processo condilar que alcançou o esquamosal no crânio. 
Posteriormente, estes dois ossos passaram a formar a nova articulação entre 
mandíbula e crânio: a articulação dentário-esquamosal (presente nos mamíferos 
atuais). No registro fóssil é possível inclusive observar em algumas espécies a 
presença dos dois tipos de articulação. 
Com o aumento dentário os demais ossos da mandíbula diminuíram, bem 
como a mudança nos ossos que formavam a articulação crânio-mandibular modificou 
alguns ossos do crânio. Os ossos presentes nos Synapsidas não mamíferos (bem 
como nos demais amniotas) \u2013 articular (presente mandíbula), quadrado (presente 
crânio) e columela (plesiomorficamente presente no arco ioide) \u2013 foram incorporados 
 
 
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ao ouvido médio, sendo homólogos aos ossos martelo, bigorna e estribo, 
respectivamente. 
Existe na literatura uma imensa quantidade de trabalhos que analisam esta 
complexa evolução e as pressões evolutivas envolvidas em tal mudança morfológica. 
A hipótese mais aceita atualmente é que estes ossos da mandíbula e do crânio já 
fossem relacionados com a audição nos sinapsidos não mamíferos. Todavia, com o 
incremento da taxa metabólica ligada à especialização da ingestão de alimentos, 
houve o que é chamado de conflito evolutivo, levando também à especialização dos 
ossos relacionados com a audição. 
 
14.2.2 Evolução da postura ereta 
 
Os primeiros sinapsidos provavelmente locomoviam-se por meio de 
ondulações laterais do corpo, como as salamandras e lagartos atuais. Assim, a 
musculatura axial possui grande contribuição na locomoção. Todavia, os mesmos 
músculos axiais são utilizados nos movimentos respiratórios e, desta maneira, um 
lagarto e uma salamandra não respiram enquanto se locomovem. Isto não representa 
nenhum problema visto que estes são animais de baixo metabolismo e, ainda, as 
corridas de pequenas distâncias são supridas pela respiração anaeróbica (mesmo nos 
mamíferos). Nesse caso, acredita-se que houve também um conflito evolutivo entre a 
respiração e locomoção na evolução dos Synapsida. Esse conflito foi tratado 
evolutivamente com a postura ereta que evoluiu na linhagem. 
Com a postura ereta, a propulsão dos animais é dada pela movimentação dos 
membros e não mais pela musculatura axial. Auxiliada pela possibilidade de flexão 
dorsoventral da coluna vertebral presente nos mamíferos mais derivados e a 
existência de um diafragma muscular a locomoção dos mamíferos passa a ser 
sinérgica com a respiração, e não mais conflitante como nos Synapsida primitivos. 
 
14.2.3 Evolução do palato secundário e região nasal 
Modificações na região nasal e palato secundário são atribuídas como 
indicativo de endotermia. A presença dos ossos turbinados é um destes indicativos. 
Estes ossos estão presentes nas duas linhagens de endotermos atuais: os mamíferos 
 
 
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e as aves. Estes ossos laminares estão relacionados (entre outras funções) com a 
conservação de água e calor durante a ventilação. 
As altas taxas de ventilação necessárias para um metabolismo elevado 
geram um problema. Os tecidos dos pulmões são muito finos e sujeitos a 
ressecamento. Para minimizar a perda de umidade nos pulmões, o ar inalado é 
aquecido e umidificado durante a inspiração. Este processo ocorre quando o ar 
inalado passa pela superfície da região nasal. Durante expiração, por sua vez, a 
umidade do ar é retida pela condensação da água ao passar pelos ossos turbinados. 
Nesta mesma região existe ainda nos mamíferos a formação do palato 
secundário. Este palato secundário é formado por processos laminares de ossos da 
região oral que separam as passagens nasais e orais. Deste modo, os mamíferos 
conseguem respirar e se alimentar ao mesmo tempo. Tal separação pode ser 
essencial para um aumento na capacidade de processamento do alimento. 
 
14.2.4 Lactação 
 
A lactação é provavelmente o processo evolutivo mais difícil de traçar durante a 
evolução dos mamíferos. A lactação é dada através de tecidos moles (glândulas 
mamárias) que não se preservam nos fósseis, sendo a inferência sobre a evolução de 
tal estrutura totalmente indireta. As glândulas mamárias apresentam a morfologia 
semelhante às glândulas sebáceas da pele, de modo que se espera que possuem 
mesma origem evolutiva. Observando-se a composição do leite dos mamíferos e suas 
substâncias antimicrobianas, acredita-se que as glândulas mamárias inicialmente 
produzissem uma substância com tais propriedades que auxiliavam a proteção dos ovos 
destes animais. Posteriormente, a ingestão dessa substância pode ter sido vantajosa e 
pode ter substituído a nutrição do vitelo do ovo auxiliando na evolução da viviparidade 
no grupo. Crê-se, ainda, que uma das características mais distinguíveis dos mamíferos, 
a presença de músculos da expressão facial, tenha surgido neste contexto, sendo que 
inicialmente os músculos da face fossem usados para criar a pressão negativa que o 
movimento de sucção necessita. 
 
 
 
 
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14.2.5 Evolução do tegumento 
 
O tegumento dos mamíferos é facilmente diferenciado do tegumento dos 
demais amniotas. Estes animais apresentam como caracteres únicos a presença de 
pelos, glândulas sebáceas lubrificantes e produtoras de óleo e glândulas apócrinas e 
sudoríparas que secretam substâncias voláteis, água e íons. Neste tegumento são 
encontradas também diversas terminações nervosas relacionadas com a percepção 
do mundo externo (por exemplo, receptores de temperatura e pressão). Este 
tegumento apresenta inúmeras variações quando analisadas diferentes regiões do 
corpo de um mesmo animal, ou quando comparadas espécies distintas. Todavia, de 
um mesmo modo que outras características mencionadas anteriormente, o surgimento 
deste tegumento glandular não pode ser recuperado do registro fóssil. Algumas destas 
glândulas especializadas estão relacionadas com o aumento das taxas metabólicas 
(por exemplo, glândulas sudoríparas) e surgimento deste tegumento glandular deve ter 
sido prematuro na história evolutiva do grupo. 
 
15 ANATOMIA INTERNA E FISIOLOGIA 
 
Os mamíferos possuem inúmeras diferenças na anatomia interna e fisiologia 
que os distinguem dos demais amniotas. Várias das características dos mamíferos 
apresentam-se como adaptação às altas taxas metabólicas e a endotermia. Algumas 
destas características são convergentes com caracteres das aves também 
consideradas como adaptações a endotermia. Tanto as aves quanto os mamíferos, 
diferentemente dos demais tetrápodes, não apresentam as células de gorduras 
(adipócitos) confinadas a corpos gordurosos discretos, mas, sim, espalhadas por todo 
o corpo e associadas aos