Cópia de Zoologia dos vertebrados
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Cópia de Zoologia dos vertebrados


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de eutérios mais primitivos seria 
os edentados (Xenarthra). Este grupo é composto por preguiças, tamanduás e tatus. 
Ainda, os pangolins (Pholidota) podem estar relacionados a este grupo. 
Uns dos grupos pouco conhecidos de mamíferos são os Insetívora, que inclui 
os musaranhos verdadeiros, as toupeiras, os \u201chedghogs\u201d e os tenrecs. Estes animais 
variam muito de tamanho e alguns como os \u201chedgehogs\u201d apresentam seu corpo 
coberto por pelos modificados em espinhos. 
Inicialmente pensou-se que os musaranhos arborícolas fossem primatas 
primitivos. Nas hipóteses mais atuais esses animais são agrupados não só com os 
primatas, mas também com os morcegos e dermópteras (lêmures voadores) em um 
grupo denominado Archonta. Já os musaranhos-elefante são agrupados no grupo 
Glires juntamente com roedores e Lagomorpha (coelhos e afins). 
O grupo denominado Ferae inclui os Carnívora atuais (carnívoros). Este 
grupo é distinto dos demais por possuir um par de dentes especializados chamado 
dentes carniceiros. Não só inclui formas carnívoras como os felinos e canídeos, mas 
também os ursos e os pinipédios (focas, leões-marinhos e elefantes-marinhos). 
Outro grupo bem conhecido são os Ungulata, popularmente denominados como 
mamíferos com cascos. Os ungulados são divididos com base no número de dedos. Os 
artiodátilos possuem número par, enquanto que os perissodátilos têm número ímpar. 
Dentre os ungulados estão incluídos ainda as baleias e golfinhos (Cetácea). Esses 
animais foram compreendidos neste grupo com base no registro fóssil de diversas formas 
que apresentam a transição entre um animal terrestre com casco para as formas 
aquáticas com os membros modificados em nadadeira (figura 49). 
Um último agrupamento reconhecido é o dos penungulados. Este grupo inclui 
os hiraces (formas semelhantes a roedores), os sirenios (peixes-boi e manatís) bem 
como os proboscídeos (elefantes). 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 48 - DIVERSIDADE DE EUTÉRIOS VIVENTES 
 
(a) Preguiça de dois dedos (choloepus didactylus); (b) tenrec (tenrec ecaudatus); (c) 
musaranho elefante ( rhynchocyon chrysopygus); (d) toupeira (heterocephalus glaber); (e) 
lêmure voador (cynocephalus volans); (f) hiena (crocuta crocuta); (g) tapir asiático (tapirus 
indicus); (h) trágulo (hyemoschus aquaticus); (i) hírace (procavia capensis). 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
 
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FIGURA 49 - CLADOGRAMA INDICANDO UMA DAS PROPOSTAS 
FILOGENÉTICAS PARA AS INTER-RELAÇÕES DOS MAMÍFEROS 
 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996) 
 
 
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17 EVOLUÇÃO HUMANA 
 
O homem é apresentado classicamente como uma entidade à parte dos 
demais animais. Todavia, somos apenas mais uma espécie de animal e não 
possuímos história evolutiva diferenciada destes. A linhagem de primatas que deu 
origem aos humanos sempre esteve e está (por mais que esqueçamos isso) sujeita à 
seleção natural, e as nossas características foram escolhidas por tal força. 
Quando analisamos os humanos sob a óptica evolucionista, levando em 
conta as diversas inclusibilidades dos grupos (como os demais primatas, mamíferos, 
amniotas etc.), vemos que nossas características são modificações (algumas vezes 
bem sutis) de caracteres já presentes nos demais animais. Na figura 50 está 
representada uma das hipóteses evolutivas para as inter-relações dos primatas e a 
posição do homem neste cladograma. 
A proximidade do homem aos grandes macacos do velho mundo foi 
inicialmente refutada e ridicularizada pelos contemporâneos de Charles Darwin. 
Todavia, apesar dos movimentos criacionistas atuais que tentam negar tal afirmação, 
o reconhecimento de tal proximidade é senso comum na sociedade atual e fortemente 
apoiado pelo conhecimento científico corrente. 
Informações sobre a origem do Homo sapiens são obtidas através do registro 
fóssil de primatas do Cenozoico, bem como de estudos de anatomia comparada entre 
os macacos, grandes macacos e os humanos recentes. 
Os primeiros mamíferos semelhantes aos primatas são reconhecidos no 
Paleoceno, mas os primeiros primatas verdadeiros são conhecidos do Eoceno. 
Possuem o formato geral semelhante ao dos prossímios (lêmures e afins), hábito 
arborícola e volume craniano maior proporcionalmente aos demais mamíferos. 
Após vários eventos climáticos dramáticos do Eoceno, os primatas 
permaneceram confinados a regiões tropicais. No Oligoceno, a grande dicotomia 
presente entre os macacos surgiu: os Platyrrhini e os Catarrhyni; os primeiros são os 
macacos do novo mundo enquanto os segundos são os macacos do velho mundo 
(incluindo o homem). 
 
 
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Dentre os Catarrhyni o homem é incluído juntamente com os gibões, 
orangotangos, gorilas e chimpanzés num grupo denominado Hominoidea. Em meio às 
características que separam os Hominoidea dos demais Catarrhyni, o aumento do 
volume craniano é uma das fundamentais. Os primeiros representantes deste grupo 
são encontrados no início do Mioceno, sendo que no final deste período o grupo tinha 
irradiado para muitos ambientes da África, Europa e Ásia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 50 - CLADOGRAMA INDICANDO UMA DAS PROPOSTAS FILOGENÉTICA 
PARA AS INTER-RELAÇÕES DOS PRIMATAS 
 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
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Dentre os Hominoidea, o homem é ainda incluído no grupo menos inclusivo 
dos homídeos (figura 51), que engloba uma série de espécies fósseis semelhantes ao 
homem. Este grupo apresenta uma diversidade de formas no Plioceno e Pleistoceno 
em depósitos do Quênia e Etiópia principalmente. Os primeiros representantes deste 
grupo são incluídos entre os australopitecíneos e possuíam volume craniano 
relativamente pequeno, eram aparentemente bípedes e retinham o hábito arborícola. 
O mais antigo representante do gênero Homo é datado de cerca de 2,5 
milhões de anos e seu aparecimento é concomitante com o advento das primeiras 
ferramentas de pedra no leste africano. Este gênero parece ser tipicamente terrestre e 
esta característica provavelmente foi importante na evolução das crianças mais frágeis 
que prolongavam seu período de crescimento cerebral. 
O Homo erectus apresentou distribuição pela África e Europa desde 1,8 milhão 
de anos até aproximadamente 30 mil anos. Esta espécie possuía volume craniano 
próximo aos menores já encontrados entre os Homo sapiens, fabricava ferramentas e 
utilizava o fogo. Todavia, o Homo erectus não foi a única casta extinta de Homo, várias 
outras existiram em diversas partes do planeta e a condição de apenas uma espécie 
de hominídeo ocupando o planeta só ocorreu há pouco tempo na história. 
Os Homo sapiens foram a única espécie sobrevivente de hominídeos e ao que 
tudo indica surgiu por volta de 200 mil anos, na África. Datam de 60 mil a 40 mil anos 
atrás registros de populações desta espécie, bem estruturadas em diversas regiões do 
globo. Estas populações apresentam traços de cultura e de linguagem avançados, 
além do uso de ferramentas. Esta habilidade de construir ferramentas elaboradas foi 
sendo incrementada com a evolução cultural, e não biológica, dado que todos os 
requerimentos para tal provavelmente estavam presente em outros hominídeos, como 
os australopitecíneos. 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 51 - EXEMPLO DE QUATRO HOMINÍDEOS (INCLUINDO O HOMEM) 
 
 
Note o aumento de estatura e volume craniano. 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
BENTON, M. J. Paleontologia dos Vertebrados. 3. ed. Oxford, Inglaterra: 
Blackwell