Cópia de Zoologia dos vertebrados
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Cópia de Zoologia dos vertebrados


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gigantescas superando qualquer réptil vivente, sendo muito difícil alguns tipos 
de interpretações sobre seu modo de vida. 
Outro exemplo interessantíssimo são as aves, apesar de a diversidade 
atual ser grande. Quando olhamos o registro fóssil podemos reconhecer uma 
grande variedade de fósseis que ligam a origem deste grupo aos dinossauros. 
Ou seja, as evidências atuais apontam que as aves são sobreviventes de uma 
linhagem que está na Terra há mais de 180 milhões de anos, e que já foi muito 
mais diversa, incluindo os gigantescos saurópodes que podiam alcançar 30 
metros de comprimento. 
A história dos vertebrados é muito ampla e interessante. Os estudos de 
como surgiram, como evoluíram e como sobrevivem promove a produção de 
trabalhos relacionados aos mais variados assuntos. Estes diversos trabalhos 
incluem modos diferenciados de reconhecer os diferentes grupos e classificá-
los, além de aspectos relacionados aos ambientes onde estes animais 
evoluíram. 
Para podermos saber como são e como evoluíram é necessário ter 
ciência de quem são os vertebrados. A maioria das pessoas quando pensa em 
um \u201canimal\u201d, vem à cabeça um vertebrado. Eles estão muito presentes em 
nossas vidas. Muitos são adorados por nós, como os cachorros e gatos que 
estão presente em grande parte dos lares do mundo, já outros são 
injustamente temidos e perseguidos, como as serpentes. Todavia, alguns dos 
vertebrados não são tão conhecidos, como os mamíferos ou as aves. Para 
uma primeira abordagem, trataremos uma subdivisão estanque dos 
vertebrados atuais para uma primeira visualização, mas estes grupos serão 
tratados individualmente ao longo da apostila. A figura 1 mostra a diversidade 
atual dos vertebrados de forma gráfica. 
 
 
 
 
 
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1.1 INTRODUÇÃO AOS GRUPOS DE VERTEBRADOS ATUAIS 
 
 
1.1.1 Feiticeiras (Mixynoidea) e Lampreias (Petromyzontoidea) 
 
 
Estes animais possuem corpo alongado, sem escamas, e sem a 
presença de esqueleto interno muito ossificado, parasitas ou necrófagos. As 
feiticeiras representam cerca de 40 espécies marinhas, ocupando tanto a 
plataforma continental quanto regiões de mar aberto, podendo ser encontradas 
em fundos oceânicos de mais de 100 metros de profundidade. Já as lampreias 
apresentam hábitos migratórios, vivendo parte da vida no oceano e nos rios. 
Esses dois grupos possuem uma condição única entre os vertebrados, 
pois não apresentam mandíbula. Esta condição única incorporada com o 
estudo de fósseis e estudo do desenvolvimento do embrião dos mais diferentes 
vertebrados aponta este grupo como sendo representante das primeiras 
irradiações de vertebrados. Estes dois grupos são tradicionalmente agrupados 
em Agnatha (do grego a: sem, e gnathus: mandíbula), mas representam 
provavelmente duas linhagens diferenciadas. 
 
 
1.1.2 Tubarões e Raias (Elasmobranchii) e Quimeras (Holocephali) 
 
 
Estas duas linhagens representam juntas o grupo denominado 
Chondrichthyes (peixes cartilaginosos). Apesar de os tubarões serem 
conhecidos, muitas vezes temidos, poucas das cerca de 400 espécies de 
Chondrichthyes atuais justificam tal fama. A maior parte das espécies é 
inofensiva aos humanos. 
Os menores Chondrichthyes alcançam no máximo 15 centímetros, 
enquanto que o maior, o tubarão-baleia, alcança 10 metros. 
As por volta de 450 espécies de raias são achatadas e possuem 
 
 
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morfologia peculiar, nadando por meio de ondulações de suas nadadeiras 
peitorais modificadas em formato de disco. A maior parte das espécies é 
encontrada no substrato dos mares rasos e rios. 
Já as quimeras são as menos conhecidas do grupo e compõem cerca 
de 30 espécies, todas marinhas, e apresentam uma morfologia estranha para 
as pessoas que não as conhecem. Possuem cauda longa e a face de 
morfologia peculiar diferindo tanto dos tubarões quanto das raias. 
 
 
1.1.3 Peixes Ósseos (Osteichthyes) 
 
 
Os peixes ósseos apresentam morfologia tão variável que dificilmente 
uma descrição única teria êxito em descrevê-los. Todavia, quando a maioria das 
pessoas pensa em um \u201cpeixe\u201d, a imagem formada representa um Osteichthye. 
Duas principais linhagens são facilmente reconhecidas, os peixes de nadadeiras 
lobadas (Sarcopterygii) e os peixes de nadadeiras raiadas (Actinopterygii). 
A diversidade atual dos peixes de nadadeiras lobadas é restrita, 
apenas oito espécies são reconhecidas. Seis espécies de peixes pulmonados 
encontrados nos continentes Australiano, Africano e Americano e duas 
espécies de celacanto (uma das espécies encontrada nas águas profundas da 
costa leste da África e uma no arquipélago indonésio). Estudando aspectos 
evolutivos dos Sarcopterygii, acredita-se que estes são os peixes mais próximos 
dos vertebrados terrestres. 
Os peixes de nadadeiras raiadas, ao contrário dos de nadadeira 
lobada, apresentam um grande número de espécies viventes, sendo 
encontrados nos mais variados ambientes de água doce e salgada. 
Atualmente, há mais de 25 mil espécies atuais descritas, de modo que este 
grupo representa o mais diverso grupo de vertebrados. Dentre os 
Actinopterygii, dois grupos são facilmente reconhecidos: os Chondrostei 
(bichirs, esturjões e peixes-espátula) e os Neopterygii. Os Chondrostei são 
representantes de uma série de linhagens artificialmente agrupadas e que os 
brasileiros apresentam pouca familiaridade. 
Bichirs são um pequeno grupo (aproximadamente dez espécies) que 
 
 
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habita brejos e lagos rasos da África, alguns representantes podem ser 
reconhecidos nas lojas especializadas em aquarismo. 
Esturjões (aproximadamente 25 espécies) são peixes que podem 
alcançar grande porte, com uma boca protátil sem dentes que se alimentam 
dos detritos dos fundos de rios lagos e mares de regiões frias. Os esturjões são 
conhecidos por fornecerem o caviar mais tradicional, e, por este apelo 
comercial, muitas espécies têm apresentado forte declínio populacional. 
Já os peixes-espátula são um grupo ainda mais reduzido, apenas duas 
espécies \u2013 uma habitando a drenagem do rio Mississipi (América do Norte) e outra 
ocupando a drenagem do rio Yangtze, na China. Este grupo apresenta morfologia 
peculiar com o focinho alongado em formato de espátula (do onde vem seu nome 
popular). 
Já os Neopterygii são ainda classicamente divididos em três grupos: 
Lepisosteiformes, Amiformes e Teleostei. Os dois primeiros são bem pequenos e 
praticamente desconhecidos dos brasileiros, já o terceiro grupo engloba a 
grande maioria da diversidade de peixes. Os Lepisosteiformes 
(aproximadamente sete espécies) e a Amia calva (única espécie vivente de 
Amiformes) são peixes de formato cilíndrico, predadores, com escamas 
diferenciadas e que caçam por emboscada. 
Os Teleosteis englobam cerca de 22 mil espécies e apresentam uma 
enorme variedade de tamanho, forma e hábito. Desde os pequenos e coloridos 
guppies, famosos no ramo da aquariofilia, os peixes-espada tidos como troféu 
para os pescadores, os pacus, dourados, lambaris e tucunarés, ou seja, a 
grande diversidade de peixes encontrados em todo o mundo, em especial nas 
áreas tropicais, são representantes deste grupo. 
 
 
1.1.4 Anfíbios: Salamandras (Caudata), Sapos (Anura) e Cecílias 
(Gymnophiona) 
 
 
Estes animais são chamados tradicionalmente de anfíbios que têm 
como etimologia os radicais gregos amphi= dupla e bios= vida. Este nome é 
dado porque a grande maioria apresenta um ciclo de vida complexo que inclui 
 
 
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uma larva aquática (como os girinos no caso dos Anura) e uma parte da vida 
terrestre (em geral adultos). Todos estes animais apresentam pele nua, sem 
escamas, pelos ou penas, que facilita a