Cópia de Zoologia dos vertebrados
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Cópia de Zoologia dos vertebrados


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Estas palavras usadas 
devem ser palavras em latim, de modo que muitas vezes os nomes científicos 
são extremamente bizarros, outros, no entanto, são muito familiares a nós. 
Por que o latim? Essa língua já foi muito difundida entre os sábios e 
pesquisadores antigos. Adotada como padrão, é utilizada na nomeação das 
 
 
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espécies independentes da língua de origem do pesquisador. A padronização de 
um nome científico vem da necessidade de se uniformizar o reconhecimento da 
mesma. Por exemplo, o lagarto denominado Tupinambis merianae é 
amplamente distribuído na América do Sul, entretanto nas diferentes regiões 
possui nomes populares específicos como: teiú, teiú-açu ou tegú. Quando 
tratado cientificamente, todos os biólogos do mundo sabem de qual espécie se 
trata quando leem o nome Tupinambis merianae. 
 
 
3.3 GRUPOS HIERÁRQUICOS MAIS ELEVADOS 
 
 
Os naturalistas da época de Linnaeus desenvolveram o que é chamado 
de Sistema Natural de Classificação. Neste sistema, as espécies são 
agrupadas em gêneros que, por sua vez, são incluídos consecutivamente em 
grupos mais inclusivos. Com o desenvolvimento da sistemática, sete categorias 
básicas são empregadas nas classificações zoológicas. Elas estão listadas 
abaixo em ordem decrescente de inclusibilidade: 
Reino 
 Filo 
 Classe 
 Ordem 
 Família 
 Gênero 
 Espécie 
 
 
3.4 CLASSIFICAÇÕES (TRADICIONAIS E CLADÍSTICAS) 
 
 
Apesar de todas as classificações basearem-se em características 
compartilhadas, algumas semelhanças são mais significativas para reconstruir 
as relações filogenéticas que outras. Por exemplo, a presença de extremidades 
pares diz pouco sobre as inter-relações entre os vertebrados que a presença 
 
 
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de glândulas mamárias. Excetuando alguns grupos específicos, todos os 
vertebrados possuem as extremidades pares, enquanto que a presença de 
glândulas mamárias apenas os mamíferos possuem, de modo que esta 
característica é mais significativa para a reconstrução sobre a evolução dos 
vertebrados. 
 
 
4 NOÇÕES SOBRE A IRRADIAÇÃO INICIAL DOS VERTEBRADOS 
 
 
4.1 HISTÓRIA DA TERRA E A EVOLUÇÃO DOS VERTEBRADOS 
 
 
Desde as origens dos vertebrados (provavelmente no Paleozoico 
Inferior), esses vêm evoluindo enquanto o planeta se modifica constantemente. 
Estas modificações afetaram direta e indiretamente a evolução dos 
vertebrados. Uma compreensão das sequências de alterações nas 
configurações continentais, que por sua vez acarretam em mudanças 
climáticas e intercâmbios faunísticos, constituem uma peça central no 
entendimento da história dos vertebrados (figura 1). 
A história da Terra é dividida (artificialmente, com base em evidências 
geológicas e paleontológicas) em três éons: Arqueano, Proterozoico e 
Fanerozoico. Destes três éons, a história dos vertebrados ocorreu toda dentro 
do éon Fenerozoico. Este éon começa por volta de 545 milhões de anos no 
passado e, por sua vez, é dividido em três eras: Paleozoica, Mesozoica e 
Cenozoica. Tais eras também podem ser decompostas de diferentes maneiras, 
sendo que a tabela do tempo geológico assumida pela comissão internacional 
de estratigrafia será adotada na presente apostila. 
Os movimentos das placas tectônicas têm sido marcantes na Terra. 
Isso funciona como um pano de fundo para a evolução biológica, inclusive no 
que concerne aos vertebrados. Por volta de 545 milhões de anos atrás, os 
mares haviam se formado, os continentes solidificados flutuavam sobre o 
manto da Terra, a vida tornara-se mais complexa e uma atmosfera com 
oxigênio havia se formado. 
 
 
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Os continentes ainda permaneciam a deriva. A América do Sul e África 
moviam-se em sentido divergente alguns poucos centímetros por ano. Estes 
movimentos são complexos, sendo que sua sequência e direções variáveis, 
tornando muito difícil a determinação precisa dos mesmos. Há cerca de 300 
milhões de anos os vários continentes que haviam se separado na crosta 
terrestre uniram-se e formaram uma única massa continental denominada 
Pangeia. Esse enorme continente primeiramente se fragmentou em duas 
massas, por volta de 150 milhões de anos atrás. As duas massas geradas são 
denominadas Laurásia, ao norte, e Gondwana, ao sul. Posteriormente, tais 
massas dividiram-se em diferentes pontos dando origem aos continentes como 
conhecemos hoje. 
Estes movimentos complexos dos continentes ao longo do tempo 
influenciaram significativamente na evolução dos vertebrados. Uma das relações 
mais óbvias é a influência da configuração continental nos climas. A Pangeia 
permaneceu na faixa da linha do Equador até meados do Mesozoico. Nessa 
região do globo, a irradiação solar é mais intensa e o clima é 
correspondentemente mais quente. Durante o Paleozoico e Mesozoico, boa 
parte das terras emersas apresentava condições tropicais e os vertebrados 
terrestres espalharam-se por estas áreas. Posteriormente, com a movimentação 
continental, as massas alastraram-se mais pela superfície da terra e boa parte 
dos climas tropicais tornou-se temperado. 
Outro efeito um pouco menos óbvio da influência da configuração 
continental é a influência disto nas correntes marítimas. Um exemplo é o atual 
Oceano Ártico. Esse oceano encontra-se isolado das correntes quentes dos 
demais oceanos, de forma que tal isolamento é um dos fatores que auxilia na 
manutenção de boa parte do oceano congelado. Um processo semelhante 
parece ter ocorrido no final do Eoceno na América do Norte, levando à extinção 
de um grande número de mamíferos. 
Além de influenciar o clima, a deriva continental formou e interrompeu 
conexões de terra entre os continentes ao longo do Fanerozoico. O isolamento 
de diferentes linhagens em distintas massas continentais gera tanto padrões 
em linhagens próximas quanto a evolução dramática de padrões convergentes 
em linhagens distantes. Um dos exemplos típicos é a presença de peixes 
pulmonados na América do Sul, África e Austrália. Esse padrão posteriormente 
 
 
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foi reconhecido como resultado de uma maior proximidade pretérita entre essas 
três massas continentais. Já um exemplo de convergência está na fauna de 
marsupiais australiana e a fauna de placentários no resto do globo (figura 2). 
Há equivalentes ecológicos aos mamíferos placentários nos marsupiais 
australianos, gerando morfologias convergentes, no entanto, essas 
semelhanças foram geradas por homoplasias e não são homólogas. 
A deriva é um componente muito importante na evolução dos 
vertebrados de modo que compõe um elemento estocástico, ou seja, ao acaso, 
que atua sobre as diferentes linhagens diferentemente, dependendo do local e 
tempo em que ocorrem (figura 3). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 1 - DIVERSIDADE ATUAL DE VERTEBRADOS 
 
Os dados indicam o número aproximado de espécies de cada grupo. Na parte interna do 
diagrama estão apresentados os nomes clássicos de cada grupo. Já na parte externa estão 
indicados os nomes formais utilizados para cada um. 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 2 - CLADOGRAMA SOBRE HIPÓTESES DE INTER-RELAÇÕES 
DOS VERTEBRADOS 
 
Os números indicam os nós com os nomes adotados pela sistemática filogenética. 
Na parte superior encontram-se os nomes tradicionais dos grupos de vertebrados e sua 
abrangência na sistemática tradicional. 
FONTE: Modificado de Pough et al. (1996). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 3 - CLADOGRAMA SOBRE HIPÓTESES