Cópia de Zoologia dos vertebrados
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Cópia de Zoologia dos vertebrados


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O átrio é formado por dobras dérmicas que envolvem o corpo 
como se fosse uma capa. Esta capa abre-se para o exterior através do 
atrióporo e parece auxiliar no controle das substâncias que entram na faringe. 
Os cefalocordados apresentam várias características derivadas ausentes 
nos tunicados. Além dos miômeros, os anfioxos possuem um sistema circulatório 
semelhante ao dos vertebrados, com uma aorta dorsal e uma bomba ventral 
(homólogo ao coração) que força o sangue através das brânquias. Ainda, apesar 
de não possuir um rim diferenciado, os cefalocordados possuem células 
excretoras especializadas denominadas podócitos, além de uma nadadeira caudal 
como a dos vertebrados. 
Cephalochordata e Vertebrata compartilham ainda algumas 
características embrionárias: mesoderma da placa lateral (tecido derivado da 
porção não segmentada do mesoderma) e indução embrionária de vários 
tecidos neurais, tanto encéfalo quanto nervos, pela notocorda durante o 
desenvolvimento (GANS, 1989). Dado o foco da apostila, este assunto não 
será abordado profundamente. 
 
 
5 DEFINIÇÃO DE UM VERTEBRADO 
 
 
O termo vertebrado é derivado da estrutura vértebra. As vértebras estão 
 
 
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serialmente arranjadas formando a coluna vertebral. Na maioria dos vertebrados 
as vértebras substituem a notocorda após o período embrionário e do mesmo 
modo circundam o tubo nervoso. Esta coluna vertebral ossificada não é 
encontrada em boa parte dos peixes que apresentam tais estruturas formadas 
por tecido cartilaginoso. 
Apesar do nome do grupo, nem todos os animais incluídos no subfilo 
Vetebrata possuem vértebras. Entre os ágnatos viventes, os peixes-feiticeiros 
não possuem qualquer vestígio de vértebra, enquanto que as lampreias 
possuem apenas estruturas cartilaginosas recobrindo lateralmente o tubo 
nervoso oco. Vértebras como conhecemos com um centro vertebral 
circundando a notocorda são encontradas apenas nos vertebrados com 
mandíbula. Alguns peixes mantêm a notocorda funcional quando adulto, com 
os centros vertebrais formados por diversos elementos distintos em vez de uma 
única peça óssea circundando a notocorda. Alguns agnatos fósseis da 
linhagem dos gnatostomados provavelmente possuíram vértebras 
cartilaginosas de algum tipo. 
Todos os vertebrados apresentam uma estrutura diferenciada 
circundando o encéfalo. Esta estrutura é denominada crânio, que pode ser 
óssea, como na maioria dos vertebrados terrestres, mas também pode ser 
cartilaginosa em alguns grupos. O crânio é o principal componente da cabeça e 
apresenta uma concentração dos órgãos sensoriais. Estudos recentes sobre 
embriologia identificaram uma série de genes denominados genes Hox, que 
são encontrados tanto em Cephalochordata quanto em Vertebrata, indicando 
que a cabeça não é uma estrutura completamente nova, mas que os 
componentes genéticos para tal já estavam presentes no ancestral comum 
mais recente destes dois grupos. Alguns pesquisadores preferem denominar o 
grupo classicamente como Craniata. Isso porque nem todos os animais 
incluídos em Vertebrata possuem vértebras, no entanto, todos possuem crânio. 
Um dos aspectos importantes na definição dos vertebrados é a 
presença de um tecido embrionário denominado crista neural. Apesar de este 
tecido ser encontrado em muitos grupos não vertebrados, nos vertebrados ele 
dá origem a uma série de estruturas, principalmente no encéfalo. Inclusive, 
alguns autores sugerem que a crista neural nos vertebrados seria um quarto 
folheto germinativo único entre todos os grupos zoológicos (HALL, 2000). O 
 
 
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encéfalo dos vertebrados é mais desenvolvido que os encéfalos dos demais 
cordados e é dividido em três principais regiões: o prosencéfalo, mesencéfalo e 
rombencéfalo. 
 
 
6 ESTRUTURA BÁSICA DOS VERTEBRADOS 
 
 
No módulo introdutório anterior delimitamos o que é um vertebrado. Neste 
módulo, passaremos a investigar quais são as suas principais características. Quando 
comparamos os vertebrados com os demais cordados, uma das principais 
peculiaridades facilmente reconhecidas é o aumento de tamanho corporal. Os 
vertebrados mais primitivos provavelmente atingiam um comprimento corporal de 
cerca de dez centímetros, uma ordem de grandeza superior aos maiores cordados não 
vertebrados. Devido a isso, os processos de difusão e ação ciliares responsáveis por 
praticamente todas as trocas com o ambiente nos cordados não vertebrados são 
praticamente desprezíveis nos vertebrados e os processos de troca com o ambiente 
são feitos por meio de sistemas especializados. E, dada à presença destes sistemas 
especializados, os vertebrados apresentam uma complexidade fisiológica que levou o 
grupo a uma atividade muito maior durante a vida quando comparados aos cordados 
não vertebrados. 
Os vertebrados são caracterizados por uma maior mobilidade que, por sua 
vez, é possibilitada através da presença de músculos e um endoesqueleto. Essa 
mobilidade permite ainda que o vertebrado esteja em contato com uma maior gama de 
ambientes e componentes daquele ambiente que foi possibilitada por um revestimento 
resistente e flexível. Ossos e outros tecidos mineralizados tiveram sua origem neste 
tegumento de revestimento. 
 
6.1 EMBRIOLOGIA 
 
 
 
 
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Por que o estudo da embriologia deve ser empregado? O estudo da 
embriologia de um vertebrado pode evidenciar o desenvolvimento dos sistemas, de 
forma que tal desenvolvimento está baseado nos contingentes históricos e pode 
fornecer evidências sobre a evolução dos sistemas. Apesar da máxima \u201ca ontogenia 
recapitula a filogenia\u201d não ser empregada mais como uma unanimidade, como foi 
proposto por embriologistas do século XIX, tais como Haeckel, a embriologia fornece 
evidências sobre o estado ancestral de certas estruturas e facilita a proposição de 
homologias. 
O desenvolvimento de um vertebrado por meio do zigoto é uma série de 
eventos extremamente complexos e não compreendidos por completo (como quase 
todos os pontos das ciências). Todos os animais (excetuando-se as esponjas) são 
formados por camadas de tecido germinativo, sendo que o destino que cada folheto 
germinativo toma durante a evolução é muito conservativo, algumas vezes fácil de 
propor homologias nos diversos grupos zoológicos. O tegumento externo denominado 
ectoderma origina as camadas mais externas do tegumento do adulto, as porções 
mais anteriores e posteriores do trato digestório e o sistema nervoso (incluindo a maior 
parte dos órgãos do sentido, como olhos e orelhas). O endoderma (folheto mais 
interno) forma o restante do trato digestório, incluindo o revestimento das glândulas 
associadas (fígado, por exemplo) e a maior parte das superfícies respiratórias dos 
pulmões e brânquias. 
O folheto intermediário (mesoderma) em geral é o último a aparecer no 
desenvolvimento e dá origem às demais estruturas (músculos, esqueleto, tecido 
conjuntivo e sistemas circulatório e urogenital). Mas posteriormente ao 
desenvolvimento forma-se uma fenda no mesoderma originando o celoma (cavidade 
do corpo onde estão os órgãos internos). O celoma, por sua vez, é dividido em duas 
partes: cavidade peritoneal (em torno das vísceras) e cavidade pericárdica (em torno 
do coração). 
Como citado anteriormente, os vertebrados possuem ainda um possível 
quarto folheto germinativo, denominado crista neural. Este tecido forma estruturas da 
região anterior da cabeça, incluindo ossos e músculos. Este tecido forma ainda todo o 
sistema nervoso periférico (fora do encéfalo e medula espinhal), além de algumas 
partes do encéfalo e estruturas que são consideradas como exclusivas dos 
vertebrados, como as glândulas adrenais, as células pigmentadas