Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)
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Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)


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Esses encontros ser-
vem para aprofundar o conhecimento, discutir as ações e suas
dificuldades e facilidades, e fortalecer o compromisso do gru-
po, além de avaliar os resultados.
Os adolescentes que participam de programas como es-
ses vêem favorecido o seu amadurecimento emocional, eleva-
da a sua auto-estima e facilitada a formação de líderes na cons-
trução de um jovem cidadão.
 Suporte emocional à família/comunicantes
A família é um sistema dinâmico e auto-organizador.
Define fronteiras, norma de funcionamento e estabelecimento
de papéis. A cada modificação individual ou das condições ex-
ternas ou internas corresponde um reajuste de papéis. Se há
uma patologia ou conflito que demande o atendimento do mem-
bro adolescente por parte do ser-
viço, a família tende a desenvol-
ver mecanismos de defesa que
podem ir desde um sentimento
de culpa, punição e incapacida-
de até a mudanças nos papéis fa-
miliares, sentimento de perda do
controle, ameaça, isolamento ou
desinteresse reativo. Esses me-
canismos estão freqüentemente
associados ao incremento da ansiedade e à dificuldade de com-
preensão e colaboração com o processo terapêutico.
Há um papel reconhecido da família no processo de
adoecer. A ansiedade familiar será maior se a instalação da
patologia/conflito se deu de forma súbita, se há incerteza quan-
to ao prognóstico ou mesmo quanto à duração da crise. \u201cNa
realidade, doença, hospitalização, procedimentos diagnósticos,
terapêuticos e/ou cirúrgicos ameaçam o sistema familiar, seus
papéis, seus canais de comunicação\u201d (Romano, 1999, p. 74).
Na estrutura de funcionamento dos serviços de saúde
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pública, muito dificilmente encontramos um profissional que tome
a família como seu tema. Sendo assim, freqüentemente, a
interação com a família é percebida como estressante, limitada,
insatisfatória. Não há espaço adequado para esse encontro, nem
tempo disponível para ele. A falta de formação para lidar com a
família pode ser determinante no excesso de escrúpulos ou
mesmo na pouca importância dada a esse apoio.
O suporte à família deve aproximar a equipe
multiprofissional daquelas pessoas que são responsáveis pelo
cuidado direto ao adolescente, mas, dependendo de como é fei-
ta essa abordagem, pode facilitar ou dificultar a adesão ao tra-
tamento e à compreensão das terapêuticas recomendadas. Uma
abordagem adequada facilita a restruturação cognitiva, aumen-
tando a percepção, por parte da família, do apoio social e da
própria equipe. Esse suporte pode ser oferecido através de
aconselhamento ou de grupo de apoio, ajudando os familiares a
perceber que não estão sós, reduzindo a ansiedade e facilitando
a compreensão da doença/conflito/crise e dos cuidados a se-
rem dispensados. No grupo de apoio aos familiares, o psicólogo
condutor pode contar com a participação de outros profissio-
nais. O grupo deve ajudar a identificar aqueles familiares que
requeiram algum tipo de acompanhamento individual, o que pode
ser oferecido em dia e hora acordados.
 O suporte familiar é um facilitador para a criação de
vínculos entre a família e os adolescentes com o serviço. Não
podemos esquecer que a doença/conflito é experienciado cole-
tivamente e não individualmente, mas que o vínculo primordial
do psicólogo é com o adolescente que ele atende. Qualquer
dúvida do adolescente de que esse vínculo esteja estabelecido
com ele pode acarretar abandono do atendimento, ressentimen-
tos e mal-entendidos.
 Intervenção hospitalar
\u201cO sujeito não vem sozinho ao hospital; com ele, vêm a
doença, seus familiares e todas as implicações com relação a
papéis, necessidades adaptativas, revisão de vínculos etc \u201d (Ro-
mano, 1999, p. 21).
Na intervenção hospitalar, evidencia-se por demais a
necessidade do trabalho multi-profissional. O psicólogo, no con-
texto do hospital, tem sua atenção focalizada no paciente e seus
familiares. É seu interlocutor, um observador qualificado que
vai ser um tradutor dos anseios do adolescente, das limitações
de sua condição e das normas da instituição.
De acordo com Romano (1999), o psicólogo hospitalar
deve interessar-se por quatro tipos de relações: da pessoa com
ela própria (valores, condições sociais, procedência), da pessoa
com os grupos (família, equipe e demais pacientes), da pessoa
com o processo de adoecimento e internação e da pessoa con-
sigo mesmo (demandas, anseios e fantasias).
O psicólogo, na instituição hospitalar, é um profissional
fundamental para minimizar possíveis desencontros de infor-
mações na equipe, além de colaborar no fechamento do diag-
nóstico e nas escolhas de estratégias adequadas ao tratamento
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e/ou no desenvolvimento do plano terapêutico.
De acordo com Lima (1994), o psicólogo hospitalar pos-
sui três níveis essenciais de atuação: o psicopedagógico, o
psicoprofilático e o psicoterapêutico. No nível psicopedagógico,
cabe ao psicólogo fornecer as informações precisas e simples
sobre a enfermidade, os procedimentos a serem vivenciados.
\u201cInformar tudo o que está ao alcance do saber está protegido
pelo princípio ético da autonomia\u201d (Romano, 1999, p. 33). O
nível psicoprofilático é freqüentemente conseqüência das ações
psicopedagógicas, uma vez que o fornecimento de informações
hábeis e adequadas favorece a redução do estresse e dissipa
ou atenua as fantasias e o medo, reforçando sentimentos de
cooperação, confiança e esperança. A intervenção no nível
psicoterápico é a mais clara para o psicólogo, está definida na
graduação e na prática clínica, mas esta não deve ser a única a
ser utilizada. Independente do nível no qual ele atue, é impor-
tante fazer uma adaptação técnica do instrumental teórico, le-
vando em conta a realidade institucional.
 Assistência domiciliar terapêutica
Dentro de uma visão de assistência integral ao paciente,
o Ministério da Saúde implantou o programa de Assistência
Domiciliar Terapêutica (ADT). O programa é desenvolvido por
equipe multiprofissional permanente de ADT \u2013 com pelo menos
assistente social, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, médico
e psicólogo.
O programa de ADT tem como objetivo proporcionar
assistência integral aos pacientes, promover a melhoria da qua-
lidade de vida e a adesão ao tratamento, reduzir a duração e a
demanda de internação hospitalar, reduzir as infecções, estabe-
lecer mecanismos de referência e contra-referência com hos-
pitais e ambulatórios, desenvolver o papel do \u2018cuidador\u2019, refor-
çar os vínculos de familiares e amigos na assistência e convi-
vência com o paciente acamado e organizar os recursos dispo-
níveis, no que tange à saúde pública, promoção social e partici-
pação comunitária.
\u201cAo psicólogo cabe
promover a melhoria das
condições emocionais do
paciente e do seu
relacionamento com os
familiares, amigos e
comunidade, facilitando e
ampliando a compreensão da doença e as suas implicações no
dia a dia de cada um dos personagens do seu universo afetivo\u201d
(Coordenação Nacional de DST/Aids 1999a, p. 14).
Cabe ainda ao psicólogo a orientação à família quanto
ao manejo adequado do adolescente e a facilitação da incorpo-
ração de voluntários para os cuidados dos adolescentes e seus
familiares. Através desse acompanhamento, espera-se que o
psicólogo possa identificar as demandas psicológicas do ado-
lescente e familiares, observar e avaliar a dinâmica familiar e
as suas formas de sociabilidade, elaborar um planejamento e
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definir visitas de intervenção psicoterápica.
O psicólogo, como membro da equipe de ADT,
responsabiliza-se pelo exercício do papel de facilitador da
integração da equipe e da formação da rede de cuidadores na
comunidade,