Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)
142 pág.

Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)


DisciplinaDesenvolvimento na Adolescência14 materiais92 seguidores
Pré-visualização44 páginas
podendo oferecer a estes apoio, supervisão e
treinamento.
 Trabalho com equipe multiprofissional
Há pelo menos dois olhares possíveis para quem traba-
lha em uma equipe multiprofissional. O primeiro, como mem-
bro, e o segundo como aquele que cuida dos cuidadores.
O psicólogo está inserido no grupo de profissionais e o
trabalho da equipe multi-profissional suscita a discussão sobre
como deve ser esse relacionamento. O psicólogo precisa de
informações sobre a situação física do adolescente, a situação
social, a rotina de exames e/ou terapias (fisioterapia, terapia
ocupacional, serviços de enfermagem, etc.), sendo fundamen-
tal o intercâmbio de informações entre os diversos profissio-
nais. Esse intercâmbio facilitará o tratamento psicológico e/ou
médico, além de sensibilizar a equipe para os aspectos
psicossociais que vêm favorecendo, impedindo ou dificultando
a comunicação com o adolescente. As reuniões da equipe
multiprofissional devem ser momentos de crescimento para to-
dos os participantes, devendo ter sua freqüência estabelecida
por seus membros.
No trabalho em equipe dos serviços de saúde, é fre-
qüente a ocorrência de desgastes (burn-out) que comprome-
tem o envolvimento dos profissionais que atuam na assistência
direta às pessoas, principalmente quando a assistência ocorre
em situações específicas, por exemplo, UTI, serviço de assis-
tência a renais crônicos, serviços oncológicos, DST/Aids etc.
Algumas intervenções do profissional de psicologia po-
dem trazer grande melhoria na qualidade da assistência presta-
da. Reuniões, atividades de integração e capacitação de pesso-
al colaboram para o entendimento e a compreensão das causas
do desgaste e na promoção de ações para minimizá-las.
Cuidar dos cuidadores exige também uma visão ampla
dos diversos setores e de suas funções na unidade de
serviço.\u201cAtravés da compreensão do objetivo a que se desti-
nam as diferentes unidades administrativas e físicas do serviço
é possível identificar o tipo de contribuição, de ajustes
metodológicos necessários para que seja eficiente e eficaz a
atenção, bem como a contribuição do psicólogo\u201d (Romano, 99,
p. 27).
 Participação no controle social
\u201cOs esforços da comunidade constituem requisito fun-
damental para que os bloqueios que impedem as condições ne-
cessárias de saúde pública sejam desafiadas e enfrentadas\u201d
(Souza, 1987, p. 39).
Os psicólogos no Brasil têm, nos últimos anos, se en-
volvido cada vez mais nas questões de desenvolvimento comu-
42
nitário, ou seja, aquela visão estereotipada e elitista do profissi-
onal de consultório tem sido substituída pela do profissional com-
prometido socialmente, que tem uma responsabilidade com a
comunidade, colocando o seu saber a esse serviço. Sendo as-
sim, a participação nos organismos de controle social é apenas
uma conseqüência dessa nova postura, mais coerente e
dignificante da nossa profissão.
Mas o que é controle social? Esta expressão é utilizada
para designar a influência do coletivo sobre as ações do Esta-
do. É a capacidade de a comunidade interferir na gestão públi-
ca, orientando as ações e gastos públicos na direção dos inte-
resses da mesma.
O psicólogo que atua na saúde pública tem os conse-
lhos municipais e estaduais de saúde, de assistência social e
dos direitos das crianças e dos adolescentes como campos de
ação e de mecanismos de atuação social.
\u201cA criação e fortalecimento de mecanismos de con-
trole social e a democratização da gestão do fundo público se
fazem urgente. (...) A saúde - condição vital - não pode ficar à
mercê das leis do mercado. O SUS precisa ser retomado e
consolidado\u201d (Correia, 2000, p. 136).
O psicólogo tem um lugar a ocupar nesse processo;
abster-se dele é reafirmar a estereotipização a que fomos rele-
gados durante anos.
43
Referências
Boff, L. (1999). Saber cuidar. Ética do humano, Compaixão pela terra. São Paulo - SP. Vozes.
Contini, M. L. J. (2001). O psicólogo e a promoção de saúde na educação. São Paulo - SP. Casa do Psicólogo.
Coordenação Nacional de DST/Aids. (1997). Aconselhamento em DST/HIV e AIDS: Diretrizes e procedimentos básicos. Brasília
- DF. Ministério da Saúde.
Coordenação Nacional de DST/Aids. (1999a). Avaliação das ações de aconselhamento em DST/Aids. Brasília - DF. Ministério
da Saúde.
Coordenação Nacional de DST/Aids. (1999b). Diretrizes dos centros de testagem e aconselhamento, CTA: Manual. Brasília -
DF. Ministério da Saúde.
Correia, M. V. C. (2000). Que controle social? Os conselhos de saúde como instrumento. Rio de Janeiro - RJ. Fiocruz.
Hycner, R. (1995). De pessoa a pessoa. Psicoterapia dialógica. São Paulo - SP. Summus.
Lima, A. M. C. (1994). O papel do psicólogo na instituição hospitalar. Caderno de Debates Plural, 3(8): 28-30.
Ministério da Saúde. (2002). Adolescentes promotores de saúde: Uma metodologia para capacitação. Brasília - DF. Ministério
da Saúde.
Ribeiro, J. P. (1999). Gestalterapia de curta duração. São Paulo - SP. Summus.
Romano, B. W. (1999). Princípios para a prática da psicologia clínica em hospitais. São Paulo - SP. Casa do Psicólogo.
Souza, M. L. (1987). Desenvolvimento de comunidade e participação. São Paulo - SP. Cortez.
Zimerman, D. E. & Osorio, L. C. (1997). Como trabalhar com grupos. Porto Alegre - RS. ArtMed.
44
O momento da adolescência:
Práticas em campo
Parte II
Capítulo IV
Saúde sexual e reprodutiva
Monalisa Nascimento dos Santos Barros
A participação dos jovens e
sua integração à sociedade reque-
rem que eles estejam aptos a lidar
com a vida sexual e reprodutiva
de forma responsável e informa-
da. \u201cAtualmente, as necessidades
e direitos dos adolescentes nessa
área têm sido largamente ignora-
dos pelos programas existentes e
pela sociedade como um todo\u201d
(Clairand, Damoiseau, Diaz, Merialdo & Nagalingon, 1991, p.
13).
A história da saúde sexual e reprodutiva no Brasil tem
marco em 1983, quando as organizações feministas conquistaram
uma importante vitória na formulação do Programa de
Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), que tinha a
perspectiva de integralidade, ampliava a atenção para além dos
cuidados materno-infantis e incluía a educação para a saúde
como um espaço para a construção da autonomia da mulher
em relação a seu corpo e a sua sexualidade. Esse programa
nunca foi aplicado na íntegra, limitando-se à ampliação da oferta
de contraceptivos.
Quando se fala de saúde sexual e reprodutiva, é comum
restringir-se à oferta de serviços de planejamento familiar, de
DST/Aids ou de pré-natal. Muito dificilmente encontramos no
serviço público de saúde espaço para que as questões sexuais
possam ser acolhidas, tais como dúvidas a respeito das práticas
sexuais, queixas de disfunções orgásticas ou eréteis ou mesmo
simples curiosidades. Mesmo o conceito de atividade sexual
pode ter vários significados e implicar situações diferentes para
cada adolescente. Enquanto para alguns a atividade sexual
significa as poucas vezes em que ejaculou, para outros pode
significar os primeiros jogos sexuais ou a primeira experiência
sexual completa.
A atenção às doenças sexualmente transmissíveis pas-
sou a figurar como serviço efetivo com o advento da epidemia
da Aids, principalmente pelo aumento do risco de contágio do
HIV pelos portadores de DST comparado aos não portadores.
\u201cApenas a partir de 1997 a coordenação Nacional de DST/
Aids e a Coordenação de Saúde da Mulher demonstraram inte-
46
Deborah
Realce
Deborah
Realce
Deborah
Nota
Tópico 1
resse em trabalhar juntas, definindo estratégias comuns de
integração DST/Aids e saúde reprodutiva, no sentido de mútua
potencialização\u201d (Villela & Diniz, 1998,