Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)
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Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)


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de dos outros. Uma educação libertadora deve favorecer a ca-
pacidade de o jovem cuidar da sua saúde e bem-estar sexual,
deve problematizar situações referentes à sexualidade, promo-
vendo uma discussão
sobre atitudes, cren-
ças e preconceitos e
ajudando-o a encon-
trar soluções, trans-
mitindo de forma cla-
ra e objetiva conteú-
dos que atendam as
demandas dos jovens e sobretudo encorajá-los a buscar o ser-
viço e referenciá-lo quando necessário.
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 Disfunções sexuais na adolescência
Todas as pessoas têm o direito à autonomia sexual, ao
prazer, à expressão sexual e ao cuidado com a saúde sexual
disponível para a prevenção e tratamento de todos os proble-
mas sexuais, preocupações e desordens. Esses direitos cons-
tam da Declaração dos Direitos Sexuais, aprovada durante o
XV Congresso Mundial de Sexologia, ocorrido em Hong Kong
(China) entre 21 e 27 de agosto de 1999. \u201cA sexualidade está
inscrita no corpo, permeada por pensamentos, afetos, fantasi-
as, desejos e sonhos. Ela é construída na interação com o outro,
com os modelos culturais e simbólicos\u201d (Baleeiro, Siqueiro, Ca-
valcante & Souza, 1999, p. 59).
As disfunções sexuais são desordens psicossomáticas
que tornam difícil para o indivíduo ter coito e/ou obter prazer
durante este. No homem, observam-se três tipos de síndromes
disfuncionais: impotência, que é uma falha na ereção, ejaculação
retardada e ejaculação prematura, ambas constituindo proble-
mas no controle do orgasmo. As disfunções sexuais femininas
podem ser divididas em: vaginismo, que é um espasmo do intróito
vaginal que impede a penetração, disfunção geral feminina (mais
conhecida como frigidez) e disfunção orgástica.
Em todos os casos, é necessário pesquisar se o proble-
ma é primário (sempre existiu) ou secundário (passou a existir
depois de determinado momento). As disfunções primárias ten-
dem a ser predominantemente orgânicas, enquanto as secun-
dárias, psicológicas. Exceções existem em ambos os casos.
Mesmo as disfunções de base orgânica têm reflexos psicológi-
cos. É comum o usuário rebelar-se contra o diagnóstico de
disfunção predominantemente psicológica, pois isso torna a
afecção não visível e não pressupõe soluções externas a si
mesmo (como tomar uma injeção, engolir alguns comprimidos,
enfim, seguir uma prescrição). Exige, sim, uma reavaliação de
posturas e a busca de solução em si.
O temor, o medo e a ansiedade, em geral, são algumas
das grandes causas, em nível psicológico, das disfunções sexu-
ais. As queixas mais freqüentes na adolescência são a
ejaculação precoce nos rapazes e a disfunção orgástica nas
garotas. As primeiras experiências da vida sexual deixam, por
vezes, uma marca decisiva e são comumente vinculadas a situ-
ações ansiogênicas. O temor em não corresponder às expecta-
tivas do outro, a insegurança, a cobrança social para a ocorrên-
cia do encontro sexual (mais comum nos rapazes) torna possí-
vel compreender como a relação sexual pode se transformar
numa circunstância desfavorável e pouco prazerosa. Muitas
vezes, os encontros sexuais ocorrem em lugares pouco ade-
quados, e o medo de ser surpreendido por alguém é constante,
assim como a culpa, presente em muitos casos. \u201cO mundo adulto
(pais e educadores) não lhes dá permissão clara para ter vida
sexual ativa com relações genitais completas. Entretanto, a li-
beração dos costumes e a erotização da mídia estão estimulan-
do os adolescentes a experimentar o sexo cada vez mais pre-
cocemente\u201d (Baleeiro, Siqueira, Cavalcante & Souza, 1999, p.
191).
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Discutir com os adolescentes sobre crenças ligadas à
sexualidade e prover informações sobre a fisiologia da resposta
sexual e dos sentimentos envolvidos podem minimizar insegu-
ranças, constrangimentos e sentimentos de inferioridade e de
culpa. É importante que eles distingam a decisão de manter
relações sexuais da decisão de ter filhos. Ser livre é poder es-
colher! Agir preventivamente nessa fase pode evitar disfunções
futuras e colaborar para que o jovem tenha a oportunidade de
vivências sexuais positivas, que seja capaz de desfrutar criati-
vamente da intimidade com o parceiro(a).
 Anticoncepção na adolescência
Quando um jovem chega a pensar na anticoncepção, é
porque já assumiu internamente que as atividades sexuais fa-
zem parte da sua vida. É comum, no início da vida sexual, a
dificuldade em assumir as atividades como naturais e até pla-
nejadas. Quando as relações ocorrem de forma inesperada, por-
que \u2018não deu para segurar\u2019 ou \u2018foi coisa de momento\u2019, pa-
recem menos carregadas de culpa.
Em se tratando de jovem com demanda para
anticoncepção, precisamos deixar claro que não existe anticon-
cepcional totalmente seguro. Trabalhar com a atenção centrada
no usuário exige informações claras sobre os métodos (como
usar, seus efeitos e eficácia, etc.) para facilitar uma escolha
livre e informada. Aspectos como idade, saúde, possibilidade
econômica, freqüência de relação sexual, sentimentos e dúvi-
das sobre a gravidez e eficácia do método devem ser conside-
rados durante uma sessão de aconselhamento sobre
anticoncepção. A orientação para a anticoncepção não deve
deixar de enfatizar o envolvimento do parceiro na decisão e na
responsabilidade da prevenção à gravidez.
Todos os métodos reversíveis (comportamentais, de bar-
reira, hormonais ou intrauterinos) podem, com maior ou menor
restrição, ser utilizados na adolescência. Entretanto, apenas os
preservativos masculinos
ou femininos protegem
também das DST/Aids.
Como, em geral, os jo-
vens não têm uma vida
sexual regular, o preser-
vativo, alem da dupla
proteção, contraceptiva
e contra as DST/Aids, tem a vantagem de ser usado apenas no
momento do ato sexual.
Os métodos comportamentais - tabelinha, mucocervical
e de temperatura - exigem abstinência sexual no período fértil.
Esses métodos são pouco eficazes para a grande maioria dos
adolescentes por causa da dificuldade em seguir suas regras.
Muitas vezes, as relações sexuais ocorrem sem planejamento
prévio, podendo coincidir com o período que deveria ser de abs-
tinência implicando a quebra do uso do método. Embora a tabe-
la ainda seja o método mais citado pelos adolescentes, os méto-
dos de barreira devem ser estimulados.
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Os métodos hormonais ou intra-uterinos exigem pres-
crição e acompanhamento médico. Recentemente, a
anticoncepção de emergência foi incorporada à lista de anti-
concepcionais reconhecida e distribuída pelo Ministério da Saúde
aos serviços de planejamento familiar. É a contracepção reali-
zada imediatamente após ocorrer uma relação sexual sem pro-
teção para a gravidez. Para que tenha efeito, deve ser utilizada
até 72 horas após a relação desprotegida, sendo mais eficaz
nas primeiras 24 horas. Só deve ser usada em casos excepcio-
nais. Se uma jovem necessitou usar anticoncepção de emer-
gência, é um bom indício de que precisa ser reorientada para
sentir-se segura no uso de meios de prevenção e proteção da
sua saúde sexual e reprodutiva. Os métodos com contra-indi-
cação absoluta na adolescência são os irreversíveis. Dificilmente
o jovem tem maturidade emocional suficiente para decidir de
forma definitiva o futuro de sua vida reprodutiva. Portanto, a
laqueadura e a vasectomia não devem fazer parte do rol de
opções para o adolescente.
Os seres humanos dão ao ato sexual outros significa-
dos além da reprodução, e cada um tem o direito de escolher o
sentido que deseja para sua sexualidade. Para assegurar a ga-
rantia dos direitos sexuais e reprodutivos, os serviços devem
oferecer uma ampla gama de métodos contraceptivos e infor-
mações adequadas sobre eles. Com a quantidade