Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)
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Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)


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de métodos
disponíveis, informações claras, escolha livre e informada e
espaço para a construção da identidade sexual, diminuem as
chances para que a gravidez indesejada ocorra como subproduto
do prazer e do amor.
As conseqüências psicossociais, culturais e econômi-
cas são maiores que as biológicas ao se considerar uma gravi-
dez na adolescência. A atitude dos adultos e da sociedade fren-
te à gravidez, os valores e recursos internos do garoto e garota,
a condição social e educacional e, principalmente, o apoio fami-
liar e/ou profissional serão o diferencial para a qualidade da
vivência da gestação. Os maiores conflitos ocorrem no primei-
ro trimestre, quando da descoberta da gestação. É nesse mo-
mento que a garota vivencia situações de grande ansiedade
que envolvem o conflito entre manter ou não a gestação, o re-
ceio da reação do pai da criança e dos familiares, o medo do
abandono e a vulnerabilidade ao desenvolvimento de doenças
de fundo emocional (principalmente depressão e sentimento de
solidão). É grande a incidência de abandono real do parceiro
(às vezes, também adolescente) e da ocultação da gestação
por insegurança e temor, gerando falta de cuidados pré-natais
regulares e fracasso e abandono escolar. As tentativas mal su-
cedidas de abortos clandestinos elevam a taxa de ocupação
dos leitos das maternidades e favorecem o aumento da morta-
lidade e de doenças materno-infantis. Algumas ações do psicó-
logo podem fortalecer as redes de apoio na comunidade. No
acompanhamento às jovens gestantes, deve-se buscar a inclu-
são do pai na assistência prestada, favorecer a vivência da pa-
ternidade/maternidade e promover discussões de gênero nos
contextos público e privado. Muitas vezes, a intervenção do
psicólogo pode facilitar o processo de comunicação entre jo-
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Nota
Tópico 8null
vens casais, favorecendo-os a aumentar a capacidade de com-
partilhar sentimentos. A comunicação profunda é útil para o
desenvolvimento de uma relação autêntica e essencial para a
integridade e a saúde.
 Doenças sexualmente transmissíveis
As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são do-
enças infecto-contagiosas provocadas por microorganismos
(bactérias, vírus ou fungos) contraídas por atividade sexual com
parceiro contaminado. Essas doenças podem ser evitadas ou
diagnosticadas precocemente e tratadas. Os tabus e precon-
ceitos fazem com que as pessoas evitem buscar cuidados
especializados, o que pode determinar sérias conseqüências para
a saúde. Nem sempre a doença é visível, existindo algumas em
que o homem é apenas hospedeiro da bactéria e outras em que
os sintomas na mulher são menos identificáveis que no homem.
O risco de contaminação por HIV aumenta em até 18 vezes
quando a pessoa já porta uma DST (Coordenação Nacional de
DST/Aids, 1999 p.31).
Os adolescentes são vulneráveis às DST, particular-
mente as do sexo feminino. A grande maioria tem pouca infor-
mação a respeito das doenças e não utiliza adequadamente a
camisinha. Além disso, os patógenos das DST podem penetrar
mais facilmente através do muco cervical da adolescente. O
cérvix da adolescente é mais susceptível à infecção por papiloma
vírus humano (HPV), que causa câncer cervical, e à infecção
por gonococos e clamídia, que podem causar doença inflama-
tória pélvica e/ou esterilidade.
Quanto mais cedo se inicia a vida sexual, maior a pos-
sibilidade da troca de parceiros e maior o risco de contrair uma
DST. Os adolescentes têm mais resistências a buscar a pre-
venção e o tratamento, preferindo, muitas vezes, buscar o bal-
conista da farmácia ou fazer uso de paliativos. O tratamento
inadequado pode mascarar os sintomas, aumentando as chances
de complicações, como a infertilidade.
Na gestação, as DST podem trazer conseqüências tam-
bém para o bebê, como é o caso da sífilis (que pode ser respon-
sável pela morte do bebê ou o
desenvolvimento de graves de-
feitos físicos) e da gonorréia
(que pode levar o bebê à ce-
gueira). O atendimento a paci-
entes com DST visa a interrom-
per a cadeia de transmissão de
forma imediata e efetiva e a evi-
tar complicações advindas das
DST. Nesse aspecto, o psicó-
logo pode prover a orientação
para a prevenção e discutir com
eles os comportamentos de risco. \u201cÉ importante ressaltar que o
provedor deve ter o máximo de cuidado e de sensibilidade ao
tratar das DST com os adolescentes, por ser um tema que des-
perta muitas emoções e envolve sentimentos de medo, raiva,
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Referências
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O maior desafio é fazer com que o jovem se perceba
vulnerável frente às DST. O papel do psicólogo é de facilitador
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do processo de reflexão e de tomada de decisão pelo adoles-
cente.
Capítulo V
A questão da adolescência numa
 perspectiva \u201cantimanicomial\u201d
Rosalina Martins Teixeira
Em vários anos
de atendimento em
serviços públicos de
saúde mental, temos
assistido uma contínua e
crescente demanda por
tratamento de crianças e
adolescentes. Inúmeras
famílias e escolas os encaminham na expectativa de que os
psicólogos possam auxiliá-los em face dos freqüentes \u201cfracassos
escolares\u201d, \u201cdistúrbios de comportamento\u201d, \u201cdificuldades
cognitivas\u201d, \u201clevadeza\u201d. Em geral, as escolas e familiares trazem
também uma demanda de encaminhamento das crianças e jovens
para as denominadas escolas especiais. Nesse caso, querem
apenas que forneçamos um \u201cpassaporte\u201d, sob a forma de um
laudo, que lhes abra as portas para o requerido encaminhamento.
Não obstante o profissionalismo que nos incumbe e uma
ética própria à profissão a nos impor um olhar específico sobre
cada caso, com o tempo fomos levados a constatar também
que a assiduidade da demanda e sua constante intensificação
estariam a denotar, no mínimo, uma certa impaciência social
com a infância e com a adolescência, um \u201caborrecimento\u201d so-
cial com essa etapa da vida. Concordar com isso e \u201cpsicologizar\u201d
o que pode ser considerado próprio à idade pode ser também