Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)
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Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)


DisciplinaDesenvolvimento na Adolescência16 materiais92 seguidores
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o conceito de saúde enquanto
ausência de doença, e deficiência enquanto ausência de
capacidade. Cabe ao psicólogo romper com a visão ortopédica
e curativa, o que implica afirmar que a intervenção psicológica
não se limita a dar \u201creceitas\u201d, mas que consiga re-significar o
papel da psicologia na saúde, incluindo na pauta o trabalho com
adolescentes que apresentam deficiência.
 Saúde deve ser compreendida no seu contexto mais amplo,
e envolve a proteção, a promoção e a prevenção. Moraes,
Carvalho e Minto (2001) mencionam que:
- A promoção de saúde está relacionada a todas as prá-
ticas e condutas que procuram melhorar o nível de saúde
da população;
- A proteção à saúde diz respeito a todas as ações e
mecanismos que visam a assegurar e manter a saúde do
indivíduo;
- A prevenção está associada aos procedimentos que têm
por objetivo evitar que o sujeito adoeça ou que sua
\u201cdoença\u201d se agrave ou volte a ocorrer (p. 45).
O termo prevenção inclui, ainda, três níveis: primário,
secundário e terciário. O primeiro objetiva evitar o aparecimento
de doenças; o segundo visa a prevenir que a doença avance, ou
se agrave, o que implica um diagnóstico precoce; o terceiro
envolve ações que visam a amenizar os problemas que decorrem
das patologias através de tratamento, reabilitação.
Diante disso, pode-se afirmar que os trabalhos com
adolescentes que apresentam deficiência deveriam estar
integrados aos programas organizados pelas unidades básicas
de saúde, o que necessita que o psicólogo esteja atuando junto
com os demais profissionais da saúde.
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 Em que consiste a atuação do psicólogo?
Podemos afirmar que a maioria das ações dos psicólogos
com a pessoa deficiente têm ocorrido em instituição
especializada, o que significa que os serviços básicos de saúde
têm se omitido. Nesse sentido, vale afirmar que essas pessoas
também precisam ser incluídas nos programas de saúde, e, para
isso, torna-se necessária uma certa mobilização dos profissionais
para o intento.
Considerando que o psicólogo numa equipe é um dos
profissionais que apresenta condições para promover reflexões
sobre preconceitos, caberá a ele romper o silêncio existente
sobre o atendimento aos sujeitos deficientes. Segundo Amaral
(1994), \u201cCada um de nós, deficientes e não deficientes, que
tem se apropriado de seu espaço social e profissional continuando
o caminho na busca da integração social da pessoa portadora
de deficiência e, portanto, da construção de uma sociedade mais
justa e mais acolhedora para todos, é co-responsável pelos
caminhos futuros. Mas também o são, infelizmente, aqueles
que se têm calado\u201d (p. 70).
Uma outra sugestão é a de que a avaliação psicológica
seja re-pensada e sirva para que o psicólogo consiga quebrar
as cristalizações presentes sobre a situação de incapacidade à
qual essas pessoas estão expostas. Para isso, é necessário tomar
cuidado para que o diagnóstico psicológico não se torne uma
fonte de mascaramento dos problemas que estão ao redor das
pessoas e, também, para não lhe imputar as causas de suas
dificuldades e fracassos, agravando ainda mais a sua situação.
O diagnóstico psicológico precisa compreender como o
sujeito que lhe foi encaminhado funciona, enfatizando não só os
limites, mas também as possibilidades de cada um. Entender
essa dinâmica impõe a necessidade de se construir novos
caminhos rumo a uma proposta de intervenção que atenda às
necessidades desses adolescentes.
 Nessa perspectiva, o psicólogo assume o papel de agente
que averiguará os determinantes
sociais da ação do sujeito.
Seguindo esse raciocínio, é preciso
que ele tenha conhecimentos das
técnicas de exame psicológico,
dos conteúdos que versam sobre o
desenvolvimento humano normal
e atípico. Além disso, há que se
atentar para os efeitos de sua
orientação e, junto com o
adolescente, profissionais e
familiares podem redimensioná-la
ou mesmo buscar outras formas de atuação.
O trabalho de aconselhamento é imprescindível, pois cabe
a ele aliviar o sofrimento psíquico das pessoas com deficiência
e de seus familiares. Sobre isso, vale lembrar que é muito comum
as famílias viverem novamente o sentimento de luto já
experimentado por elas na ocasião da notícia, uma vez que os
adolescentes são expostos a situações novas, como sexo,
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Aguiar, W. M. J., Bock, A M. & Ozella, S. (2001). A orientação profissional com adolescentes: um exemplo de prática na aborda-
gem sócio-histórica. Em A. M. B. Bock, M. G. M. Gonçalves & O. Furtado (Orgs), Psicologia sócio-histórica (Uma
perspectiva crítica em psicologia) (pp. 163-178). São Paulo. Cortez.
Amaral, A. L. (1994). Pensar a diferença/deficiência. Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.
Brasília - DF.
Anache, A. A. (1991). Discurso e prática: A educação do deficiente visual em Mato Grosso do Sul. Dissertação de Mestrado
não publicada. Curso de Educação, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Campo Grande - MS.
Andrade, N. A. & Novo, H. A. (2000). Eles ficam, nós namoramos: algumas reflexões sobre a adolescência. Em H. A. Novo & M.
C. S. Menandro (Orgs.), Olhares diversos: estudando o desenvolvimento humano (pp. 91-106). Programa de Pós-
Graduação em Psicologia: CAPES, PROIN. Vitória - ES.
namoro, profissionalização, escolarização. Registre-se que a
história mostra que essas pessoas estão quase sempre em
desvantagem frente aos não deficientes.
Alguns problemas freqüentes que afetam a saúde dos
adolescentes e que precisam ser abordados pela psicologia
são:
- práticas nocivas à saúde, como obesidade, ingestão de
bebidas alcóolicas, fumo e até mesmo o uso de substâncias
psicoativas;
- aumento do risco de acidentes na rua ou nas residências;
- dificuldades de adaptação ao meio familiar, à escola, e ao
ambiente social;
- aparecimento de problemas novos, como os relacionados
ao trabalho, namoro, escola, família etc.
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Sugerem algumas ações como:
- pesquisas visando a identificar na comunidade a existência
de comportamentos nocivos para a saúde entre os
adolescentes, bem como as circunstâncias que os
favorecem;
- assessoramento e capacitação de profissionais e membros
da equipe de saúde acerca dos problemas psicológicos dos
adolescentes e as técnicas que podem utilizar;
- organização de serviços de consulta, orientação psicológica
e terapêutica de fácil acesso aos adolescentes e a seus
familiares;
- participação em programas de prevenção à deficiência
na comunidade.
Referências
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Calatayud, F. M. (1999). Introducción a la psicología de la salud. México. Paidós SAICF, 1999.
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Organização das Nações Unidas. (1981). O Correio da Unesco, 9(3).
Ribas, J. B. C. (1983). O que são pessoas deficientes. São Paulo - SP. Brasiliense.
Vash, L. C. (1988). Enfrentando a deficiência. São Paulo - SP. Pioneira.
Capítulo VIII
Gravidez na adolescência:
Dando sentido ao acontecimento
Suyanna Linhares Barker
Dulce Maria Fausto de Castro
Nos últimos dez a quinze
anos, tem aumentado significati-
vamente a preocupação de diver-
sos setores da sociedade pelo fe-
nômeno da gravidez na adoles-
cência, fato que se traduz em po-
líticas e programas voltados para
essa problemática com investi-
mentos crescentes de recursos
humanos e econômicos.
Muitos