Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)
142 pág.

Adolescencia e Psicologia (Contini et. al.)


DisciplinaDesenvolvimento na Adolescência14 materiais92 seguidores
Pré-visualização44 páginas
bem-estar emocional, de acordo
com o grau de severidade e de comprometimento da vítima
ou testemunha da violência;
2) promoção de programas de atendimento familiar, de
preferência domiciliar, com psicólogos e assistentes sociais,
com o objetivo de trabalhar as crenças, mitos, segredos
familiares, auto-estima dos membros da família e fortalecê-
la para resolver seus conflitos e estabelecer a comunicação
entre os membros;
3) promoção de atendimento psicológico e social aos pais
abusadores, com o intuito de conhecer os motivos pelos
quais esses pais são abusadores e encaminhá-los para
tratamento psicológico ou psiquiátrico, emprego, serviço de
apoio etc.
4) promoção de programas de prevenção à violência nas
escolas, através dos educadores e professores, incentivando
a formação de grupos de discussão sobre direitos, cidadania,
tipos de abuso, planos de ação. Grupos artísticos também
podem ser organizados para tratar a questão da violência
através de teatro, música, dança, prática de esportes etc.
5) promoção de programas de prevenção à violência nas
associações de bairro, clubes de mães, grêmios esportivos
e carnavalescos, com palestras e grupos de discussão com
pais e filhos, sobre como identificar, evitar e denunciar os
casos de violência na comunidade e nas famílias;
6) promoção de programas de prevenção à violência com
grupos de gestantes e casais, adolescentes ou não, sobre o
pré-natal, a gestação, o parto e os cuidados com seus recém-
nascidos, preparando-os para assumir os novos papéis;
7) promoção de programas de prevenção à violência com
grupos com mães e pais sobre educação e criação de seus
filhos, estilos parentais, práticas educativas, punição e
recompensa etc.
8) promoção de programas de prevenção à violência com
adolescentes, incentivando-os a criarem ou a articularem
redes de apoio social e efetiva com pessoas, parentes e
instituições que possam auxiliar no conhecimento e
esclarecimento sobre as questões ligadas à violência.
Adolescentes capacitados em programas desse tipo podem
servir como multiplicadores em suas comunidades.
9) divulgar o Estatuto da Criança e do Adolescente e conhecer
a finalidade e a atuação do Conselho Tutelar, da Promotoria
da Criança e do Adolescente, do Ministério Público e de
outros recursos disponíveis na comunidade para o combate
à violência.
 Programas de prevenção são o caminho ideal para ame-
nizar a violência contra adolescentes. No entanto, para
multifatores de risco que vão desde a incapacidade dos pais de
relembrar como é ser adolescente até a dificuldade de o ado-
lescente conquistar o primeiro emprego ou estágio, o psicólogo
deve buscar soluções diversificadas. Além das propostas cita-
das anteriormente, cabe aos psicólogos desenvolverem uma visão
estratégica, isto é, ter ações eficazes no combate à violência
90
que envolvam o incentivo à cultura da paz, o rompimento do
ciclo intergeracional da violência, a valorização dos potenciais
individuais e do grupo \u2013 no qual o adolescente está inserido,
entre outros aspectos. Ações isoladas são importantes, mas não
Referências
suficientes. Tratar o adolescente é importante, mas trabalhar
com a família e a comunidade é que poderá fazer a diferença.
Pensem nisso!
De Antoni, C. & Koller, S. H. (2000). Vulnerabilidade e resiliência familiar: Um estudo com adolescentes que sofreram maus tratos
intrafamiliares. Psico, 31, 39-66.
Dlugokinski, E. & Allen, S. (1997). Empowering children to cope with difficult and build muscles for mental health. Department
of Psychiatry and Behavioral Sciences, University of Oklahoma Health Sciences Center. Oklahoma - USA.
Farinatti, F., Biazus, D.B. & Leite, M.B. (1993). Pediatria social: A criança maltratada. Rio de Janeiro. MEDSI.
Garbarino, J., Dubrow, N., Kostelny, K. & Pardo, C. (1992). Children in danger: coping with the consequences of community
violence. San Francisco. Jossey-Bass.
Kashani, J. & Allan, W. (1998). The impact of family violence on children and adolescents. Developmental Clinical Psychology
and Psychiatry, 37: Sage.
Koller, S. H. (1999). Violência doméstica: uma visão ecológica. Em Amencar (Org.), Violência doméstica (1ª ed., pp. 32-42).
Brasília. UNICEF.
Lisboa, C. S. M. & Koller, S. H. (2001). Considerações éticas na pesquisa e na intervenção sobre violência doméstica. Em C. Hutz
(Org.), Situações de risco e vulnerabilidade na infância e na adolescência (pp. 187-212). São Paulo. Casa do Psicólogo.
Peralva, A. (2000). Violência e democracia. O paradoxo brasileiro. São Paulo. Paz e Terra.
Velho, G. (2000). Violência, reciprocidade e desigualdade: uma perspectiva antropológica. Em G. Velho & M. Alvito (Orgs.),
Cidadania e violência (pp. 11-25). Rio de Janeiro - RJ. UFRJ/FGV.
91
Capítulo X
Dependência química, adolescência e família
Ana Regina Noto
Eroy Aparecida da Silva
Uso de drogas psicoativas em diferentes contextos
 O uso de substâncias
psicoativas tem acompanha-
do o homem no decorrer da
história, adquirindo diferentes
significados ao longo dos
anos, com marcantes trans-
formações das funções des-
sas substâncias na vida de
seus usuários. O uso pelos
povos antigos estava mais relacionado à integração social e/ou à
transcendência espiritual, principalmente em ocasiões festivas e
ritualísticas. Não há indícios de que as drogas tenham represen-
tado risco social e de saúde nessa época (Paulino, 1997).
No entanto, com a industrialização, o surgimento da far-
macologia, o isolamento de princípios ativos de plantas, como a
morfina e a cocaína, as formas de uso de substâncias psicoativas
foram sendo ampliadas. Foi iniciada uma forte busca por medi-
camentos capazes de diminuir os vários tipos de sofrimentos físi-
cos e psíquicos. Muitos artistas também passaram a usar drogas,
como fonte de inspiração de suas criações (MacRae, 2001).
Nesse contexto histórico, o consumo de drogas passou a ocupar
novas funções, como a busca de prazer individual, alívio imediato
de desconforto físico ou psíquico, entre outras. Nas últimas dé-
cadas, o consumo também passou a ganhar espaço entre a popu-
lação jovem e a representar alvo de preocupação em vários pa-
íses.
Uso de drogas entre adolescentes brasileiros:
epidemiologia
Estudos realizados entre estudantes mostram que as bebi-
das alcoólicas e o cigarro, atualmente, são as drogas mais
consumidas. Em 1997, o consumo pesado (diário) de álcool foi
declarado por 7,4% dos estudantes entrevistados em dez capitais
brasileiras, valor superior ao observado em anos anteriores, indi-
cando o crescente e preocupante hábito de ingestão de bebidas
alcoólicas entre jovens brasileiros. Nesse mesmo estudo, 24,7%
dos estudantes relataram já ter feito uso ilícito de alguma droga;
os inalantes como lança-perfume, cola e cheirinho da loló (uma
92
mistura clandestina à base de éter e clorofórmio) foram as mais
freqüentes (13,8% do entrevistados já haviam ao menos experi-
mentado), seguidos pela maconha (7,6%), medicamentos
ansiolíticos (5,8%), anfetamínicos (4,4%) e cocaína (2,0%). Com-
parando esses dados com os obtidos em estudos anteriores, é
possível observar o crescente consumo tanto de maconha quan-
to de cocaína (Galduróz e cols., 1997).
Entre crianças e adolescentes em situação de rua, os
estudos denunciam uma realidade diferenciada, na qual são ob-
servados índices muito elevados de consumo. Em um estudo
realizado no ano de 1997 em seis capitais, 88,1% dos entrevis-
tados declararam já ter ao menos experimentado alguma droga
e 48,3% faziam uso diário. Os inalantes, (especialmente cola e
loló) já haviam sido experimentados por 53% dos jovens e a
maconha por, 50%. Para as demais drogas, as diferenças regi-
onais