Anatomia Radiográfica
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CAPÍTULO 9 ANATOMIA RADIOGRÁFICA NORMAL 169
C A P Í T U L O
Anatomia Radiográfica
Normal
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A
interpretação radiográfica das alterações patológi-
cas requer um grande conhecimento radiográfico
da aparência de normalidade das estruturas. Diagnós-
ticos precisos requerem um amplo conhecimento da va-
riabilidade das estruturas anatômicas normais. Da
mesma forma, a maioria dos pacientes apresenta mui-
tos acidentes anatômicos normais na radiografia, mas a
imagem do paciente raramente mostra todas as estrutu-
ras anatômicas. Portanto, a ausência de um ou mais aci-
dentes anatômicos dentro de um indivíduo não deve
necessariamente ser considerado anormal.
Dentes
Dentes são compostos principalmente de dentina, com
uma capa de esmalte sobre a parte coronária e uma fina
camada de cemento sobre a superfície radicular (Fig.
9-1). A capa de esmalte caracteristicamente aparece
mais radiopaca que os outros tecidos por ser natural-
mente a substância mais densa que ocorre no corpo.
Sendo 90% mineral, isso causa a maior atenuação dos
fótons de raios X. A dentina é aproximadamente 75%
mineralizada, e por causa desta menor quantidade de
mineral sua aparência radiográfica é comparável à do
osso. A dentina é lisa e homogênea na radiografia de-
vido à sua morfologia uniforme. A junção amelodenti-
nária, entre o esmalte e a dentina, apresenta-se como
uma interface distinta que separa estas duas estruturas.
A fina camada de cemento na superfície radicular tem
um conteúdo mineral comparável (50%) ao da dentina.
Em geral o cemento não é visível radiograficamente em
função de o seu contraste com a dentina ser muito bai-
xo e a camada de cemento ser muito fina.
Áreas radiotransparentes difusas com bordas mal
definidas podem aparecer radiograficamente na mesial
ou distal dos dentes na região cervical entre a borda da
capa de esmalte e a crista do osso alveolar (Fig. 9-2). Este
fenômeno é chamado de burnout cervical, que é causa-
do por uma configuração normal que os dentes apre-
sentam, que resulta num decréscimo de absorção dos
raios X nestas áreas em questão. Inspeções minuciosas
irão revelar bordas íntegras nas superfícies proximais.
Além disso, a percepção destas áreas radiotransparentes
é resultado do contraste entre o esmalte radiopaco e o
osso alveolar adjacente. Tais radiotransparências devem
ser previstas em quase todos os dentes e não devem ser
confundidas com cáries na superfície radicular, que fre-
qüentemente têm aparência similar.
A polpa de um dente normal é composta de tecido
mole e conseqüentemente aparece radiotransparente. As
câmaras e os canais radiculares que contêm a polpa se
estendem do interior da coroa até o ápice das raízes.
Embora a maioria dos formatos das câmaras pulpares
sejam razoavelmente uniformes dentro dos grupos de
dente, grandes variações existem entre individuos quan-
to ao tamanho das câmaras pulpares e a extensão dos
cornos pulpares. O clínico deve ter em mente estas va-
riações dentro das proporções e distribuições das pol-
pas e verificá-las radiograficamente quando planejar
um procedimento restaurador.
Normalmente, em dentes totalmente formados, o
canal radicular em geral está aparente, estendendo-se da
câmara pulpar até o ápice da raiz. Um forame apical é
freqüentemente reconhecido (Fig. 9-3). Em outros den-
tes o canal pode aparecer atrésico na região do ápice e
não discernível no último milímetro ou em todo o seu
comprimento (Fig. 9-4). Neste caso, o canal pode,
ocasionalmente, sair ao lado do dente, um pouco abai-
xo do ápice radiográfico. Canais laterais podem ocor-
rer como ramificações de um canal normal sob todos os
outros aspectos. Eles podem se estender até o ápice e
170 PARTE 4 PRINCÍPIOS DE FORMAÇÃO DA IMAGEM E TÉCNICAS RADIOGRÁFICAS
terminar em um forame visível normal ou podem sair
ao lado da raiz. Em ambos os casos, dois ou mais fo-
rames terminais podem causar a falha no tratamento
endodôntico se não forem identificados.
No final do desenvolvimento da raiz do dente, o ca-
nal pulpar diverge e as paredes das raízes se afunilam
como uma lâmina de faca (Fig. 9-5). O espaço forma-
do entre as paredes das raízes, e que se estende um
pouco além delas, apresenta-se como uma pequena área
radiotransparentes circular no osso trabecular, circun-
dado por uma fina camada de osso hiperostótico. Esta
é a papila dental limitada por sua cripta óssea. A papila
forma a dentina e o primórdio da polpa. Quando o
dente chega à maturidade, há constrição das paredes
pulpares na região apical e finalmente ocorre o fecha-
mento do ápice. O conhecimento desta seqüência e
deste padrão radiográfico é freqüentemente utilizado
na avaliação do estágio de maturação do dente em de-
senvolvimento; também ajuda a evitar erros de identi-
ficação de áreas radiotransparentes apicais como lesões
periapicais.
Em um dente maduro, a forma da câmara pulpar e
do canal pode mudar. Com a idade, ocorre deposição
gradual de dentina secundária. Este processo começa
apicalmente, seguindo coronalmente, e pode levar à
obliteração pulpar. O traumatismo dentário (p. ex.: pro-
FIG. 9-1 Os dentes são compostos por polpa (seta no se-
gundo molar), esmalte (seta no primeiro molar), dentina
(seta no segundo pré-molar) e cemento (geralmente invisí-
vel radiograficamente).
FIG. 9-2 Burnout cervical causado pela superexposição da
porção lateral dos dentes entre o esmalte e a crista alveolar
(setas).
FIG. 9-3 Canais radiculares de adultos abertos nos ápices
dos incisivos (setas).
FIG. 9-4 Embora o canal radicular não seja radiografica-
mente visível nos 2 mm da região apical do dente, ana-
tomicamente ele está presente (seta).
CAPÍTULO 9 ANATOMIA RADIOGRÁFICA NORMAL 171
veniente de cáries, traumatismo, restaurações, atrição
ou erosão) pode também estimular a produção de den-
tina, levando a uma redução no tamanho da câmara
pulpar e dos canais. Estes casos geralmente incluem evi-
dências de alguns estímulos patológicos. No entanto,
em caso de um traumatismo dentário, somente o histó-
rico do paciente pode indicar a verdadeira razão para
a redução do tamanho da câmara pulpar.
Estruturas de Suporte
LÂMINA DURA
A radiografia de um dente sadio dentro de uma arca-
da dentária normal demonstra que o alvéolo dentário
é limitado por uma fina camada radiopaca de osso den-
so (Fig. 9-6). O termo lâmina dura é derivado de sua
aparência radiográfica. Essa camada é contínua com a
sombra da cortical óssea na crista alveolar. Ela é ape-
nas ligeiramente mais densa e não mais mineralizada
que as trabéculas do osso medular da região. Essa apa-
rência radiográfica é causada pelo fato de o feixe de
raios X tangenciar muitas das vezes a fina espessura
da parede óssea, que resulta na atenuação observada.
Durante o desenvolvimento, a lâmina dura é uma ex-
tensão de um revestimento da cripta óssea que envol-
ve cada dente.
A aparência da lâmina dura na radiografia pode va-
riar. Quando os raios X produzidos são direcionados
através de uma estrutura relativamente extensa, a lâmi-
na dura aparece radiopaca e bem definida. Quando o
feixe é direcionado mais obliquamente, entretanto, a
lâmina dura aparece mais difusa e pode não ser dis-
cernível. Na verdade, mesmo que o osso de suporte em
uma arcada saudável seja intacto, identificar a lâmina
dura completamente em volta de todas as raízes no fil-
me é com freqüência difícil, embora isso geralmente
seja evidente em algumas extensões sobre as raízes em
cada filme (Fig. 9-7). Além disso, pequenas variações
e interrupções na continuidade da lâmina dura podem
ser resultado de sobreposições de osso trabecular e
pequenos canais nutrientes que passam pelos espaços