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Formação Humanistica Aula 02

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DISCIPLINAS COMPLEMENTARES 
Henderson Fürst 
Filosofia do Direito 
Aula 01 
 
 
ROTEIRO DE AULA 
 
 
Objetivo da matéria: organizar o desenvolvimento do pensamento do Direito como ciência através do estudo 
das diversas escolas hermenêuticas. 
Hermenêutica e Interpretação 
• No mundo, tudo é linguagem. O direito existe enquanto linguagem, ainda que não escrito, ele existe 
como linguagem, é comunicado, vivenciado. Mesmo enquanto cultura, ele só pode ser expresso 
através de linguagem. Aqui repousa a razão da importância da hermenêutica e da interpretação. 
• A Hermenêutica pura surge como uma ciência que vai analisar os textos religiosos. Posteriormente, ela 
se dimensiona como hermenêutica filosófica, e entra para o direito tornando-se a hermenêutica 
jurídica. Mais do que um simples método em específico (gramatical, lógico, sistemático, etc.) a 
hermenêutica se compõe como o conjunto de métodos, considerando, inclusive, diversos elementos 
na atividade interpretativa, tais quais: o ambiente, a cultura, o emissor que proferiu a comunicação, 
além dos próprios métodos de interpretação. Por isso torna-se ciência, com grande relevância nos dias 
de hoje, pois a presente é a era da hermenêutica. Como tudo é comunicação (ambiente pré-
hermenêutico), é necessário entender este fenômeno complexo. 
• Hermenêutica jurídica vai compreender o ato comunicativo que é o direito, a linguagem que transmite 
o direito. 
Dois momentos: 
I - Hermenêutica Jurídica Clássica (livro Carlos Maximiliano) simplesmente considerada como o 
complexo dos métodos de interpretação; 
 
 
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 II – Atualmente é mais complexa do que interpretação dos termos da norma jurídica que é apenas 
uma das formas de comunicação do direito. Todavia, o direito não se basta no texto normativo (ex: os 
princípios no pós-positivismo fazem parte do suporte normativo, podem-se encontrar escritos, mas a 
definição de seu conteúdo exige esforço para além das meras técnicas de interpretação, as quais não 
bastam para atribuir o sentido correto.) 
 
• A filosofia do Direito em cada um desses momentos servia a determinados interesses por trás das 
variadas escolas. Não há, portanto, como optar de forma apaixonada por uma escola, pois o Direito 
sempre possui interesses não anunciados. 
• Os problemas da metodologia jurídica giram em torno da resposta de três questões: 
- como se interpreta 
- como se aplica 
- como se fundamenta o direito. 
 
➢ Marco na metodologia jurídica: Racionalismo (René Descartes, 1596-1650) 
• Rompe com a ideia de um direito divino, natural, ligado à cosmologia, inato e incompreensível. 
- Legislador racional: criador de uma novam ordem, desvinculado dos costumes e tradições 
infundados. 
- Filosofia do direito liberta-se da teologia e o direito natural é secularizado. 
- Hobbes, Locke e Rousseau: o Poder não tem origem divina. Não há direito fora do Estado. Poder 
surge por um contrato que organiza o Estado. 
• O conteúdo e a interpretação das leis passam a ser analisados pelo racionalismo através de diversos 
métodos. 
• Constante tensão entre segurança jurídica e justiça. 
- As diversas escolas se sucedem, respondendo às ideias das anteriores, sendo uma consequência da 
outra. Esta transição sempre oscila entre justiça (encontro do que é justo, do que se ajusta ao seu 
tempo, permitindo flexibilização) e segurança jurídica (mais ligada ao formalismo, objetivando o 
direito). As escolas se colocam entre esses dois extremos. Esta tensão é reflexo da cultura humana. 
Nietzsche afirma que a literatura oscila entre dois extremos, a dionisíaca (Dionísio) e a apolínea 
(Apolo), a primeira liga-se ao conteúdo, à essência, à busca do entendimento, enquanto a segunda ao 
formalismo, à rigidez material. O direito faz o mesmo, ora busca o sentido sendo flexível, ora o 
formalismo, a rigidez, a lógica. 
- Movimento pendular MARCIO LIMA DA CUNHA - 05308192790
 
 
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1. Jusnaturalismo 
- Bobbio: Doutrina segundo a qual existe e pode ser conhecido um “direito natural” – sistema de normas de 
conduta intersubjetiva diverso do sistema constituído pelas normas fixadas pelo Estado (direito positivo). 
- Variações: 
• Lei estabelecida por vontade da divindade e revelada aos homens. 
• Lei natural em sentido estrito, fisicamente natural a todos os seres animados à guisa de instinto. 
• Lei ditada pela razão, específica do homem que a encontra autonomamente dentro de si. 
 
Na idade antiga e medieval: 
- Trata-se de um discurso que pretende justificar o Direito a partir de um princípio que é exterior ao sujeito e 
que existe independentemente do pensamento. 
- Conforme varie o conceito filosófico que responde pela condição suprema de natureza, será alterado o 
princípio justificador que serve como totalidade fundadora de todo o direito: 
• Platão: a ideia 
• Aristóteles: a substância (direito natural seria substancial a todos os seres) 
• Idade Média: Deus (materialização da lei divina) 
 
Na modernidade: 
- Jusnaturalismo racionalista: constrói abstratamente um sistema cerrado de normas que aparece como uma 
espécie de direito ideal em contraposição a um direito positivo condicionado a questões sociais, políticas e 
históricas. 
- Procura o fundamento sobre a qual se opera a subjetividade humana para afastar tal subjetividade e 
encontrar a objetividade do fundamento. 
• A ideia do direito natural seria semelhante a matemática. Ela esta presente em tudo, mas não é 
perceptível, não se vê e dentro do plano cartesiano, há fenômenos que podem ser medidos e 
mensurados. Assim seria o direito positivo que se manifesta de diversas características de acordo com 
o tempo, sociedade a cultura, etc., mas por trás desse fenômeno singular, há um direito natural que se 
pode perceber e servir de parâmetro para verificar se o direito aplicado esta correto ou pode ser 
corrigido, comparando com o plano cartesiano que seria o direito natural. 
 
Contemporaneamente: 
MARCIO LIMA DA CUNHA - 05308192790
 
 
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- Após a crise do Direito na Europa entre 1920 e 1945, há uma retomada do jusnaturalismo científico do 
Direito 
- Gustav Radbruch, Castanheira Neves... 
- “Neojusnaturalismo”, não mais cosmológico, teológico ou psicológico, mas sim axiológico. 
- Terceira via entre jusnaturalismo vc juspositivismo: positivismo axiológico. 
 
• Imagine-se os horrores das grandes guerras, a grande pergunta que o direito se fez foi: “onde estava o 
direito enquanto a sociedade sofria isto? O que é que esquecemos na complexa ciência jurídica que 
sucumbiu ante a barbaridade? Porque o direito não freou isto? 
Para os críticos, o direito é uma mera ficção, e atende a interesses dos que dominam o poder. Neste 
momento histórico os que detinham o poder criaram uma ficção que permitia tais violações (caráter 
ficcional do direito). Para os autores críticos, o direito não tem capacidade de frear as barbáries 
humanas. É por isso que a corrente jusnaturalista axiológica (baseada em valores) volta a florescer nos 
dias de hoje. 
 
• Princípios gerais do direito seria um resquício do direito natural (jusnaturalismo racional e axiológico) 
presente em nosso ordenamento como técnica de colmatar lacunas. 
 
 
2. Escola da Exegese 
- Começa do séc. XIX 
- Crença de que o direito e os fatos se bastavam no código. Era da codificação. Napoleão ao criar o Código Civil 
queria limitar o poder dos juízes. Quem interpreta possui poder discricionário, Napoleão gostaria dos juízes 
apenas como aplicadores (juiz boca da lei). Pretensão de que o CC preveria todos os casos fáticos, abrangendo