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Formação Humanistica Aula 01

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DISCIPLINAS COMPLEMENTARES 
Formação Humanística 
Henderson Furst 
Aula 01 
 
 
ROTEIRO DE AULA 
 
 
DOGMÁTICA JURÍDICA 
 
1) Dogmática x Zetética 
 
Esses conceitos foram apresentados no Brasil pelo professor Tercio Sampaio Ferraz Junior aos seus alunos que hoje 
compõe o Supremo Tribunal Federal como Dias Tófoli e Alexandre de Moraes, e hoje permeia a Filosofia e a Teoria do 
Direito brasileiro. 
 
Professor Tercio enumera duas formas de se observar o direito: 
 
▪ Zetética: Observa o direito como um objeto visto por fora, é toda forma de analisar o direito como manifestação 
cultural de um determinado espaço e tempo que influencia e é influenciado (sociologia). Ex.: analisar o direito 
que evolui na história (historiografia), comparar dois sistemas jurídicos distintos ( direito comparado), etc. 
 
A zetética é a área que questiona, que perquire algo. A filosofia do direito é zetética pois está sempre 
questionando os paradigmas, os fundamentos, analisando como o direito se forma por isso olha o direito por fora. 
 
▪ Dogmática: Observa o direito como um objeto visto por dentro, quanto a sua essência e à sua estrutura – direito 
que possui uma estrutura científica (teoria do direito) preenchida por um conteúdo normativo. Teoria do direito 
se preocupa com a dogmática jurídica, tem pressuposto dos quais parte, e só olha o direito dali em diante. 
 
A teoria do Direito é dogmática, não questiona os pressupostos, mas faz um recorte dogmático do direito a partir 
de pressupostos já consolidados e analisa o direitos a partir da perspectiva da própria norma jurídica. 
 
 Dokein – Zetein (Tercio Sampaio) 
 
2) Direito posto x Direito pressuposto 
 
O Direito Posto e o Direito pressupostos são termos presentes na Resolução 75 do CNJ oriundos do livro do Min. 
aposentado Eros Grau. 
 
 
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▪ Eros Grau: “O Direito Posto e o Direito Pressuposto”, Malheiros, 1996 
 
▪ “Doutrina efetiva do direito” é o conjunto do d. posto e do d. pressuposto 
 
✓ O fenômeno jurídico vai muito além do direito “oficial”, posto pelo Estado 
 
✓ Relação à ideia marxista de infraestrutura e superestrutura 
 
O direito posto é aquele oficial, emanado do estado que pode ser positivado por processo legislativo ou de formulação 
de súmulas vinculantes, mas recentemente os precedentes vinculantes. Na teoria marxista a superestrutura. 
 
O Direito pressuposto por sua vez é aquele que não está escrito, mas o qual a sociedade entende como sendo justo 
embora não exista a sua positivação, acontece na manifestação da sociedade civil. O direito pressuposto envolve o que a 
sociedade entende como sendo moral e justo, tem um flexibilidade maior e pode ser constantemente alterado pela 
sociedade conforme a sua época e espaço. Na teoria marxista a infraestrutura. 
 
Para Eros Grau, o conceito de Direito posto e pressuposto é a doutrina efetiva do direito. Entende que o direito está 
localizado num contexto social que possui uma infraestrutura (debate para formulação de normas). O direito posto só 
será efetivo se houver uma aceitação da sociedade civil, caso contrário embora ela seja posto não teria a eficácia que se 
espera. 
 
A doutrina do direito é a compreensão de um instituto jurídico não só pelo direito posto, mas também pelo direito 
pressuposto, representado pela forma como se compreende o que está se vivendo e se ambiciona alterar. 
 
▪ O legislador possui limitações pressupostas do contexto sociocultural e histórico do qual ele retirará a norma 
jurídica. 
 
Como legislador, deve-se entender que se uma norma que está sendo colocada como direito posto não for harmônica 
ao direito pressuposto naquele momento em que é criada, ela será uma norma ilegítima. Esse é um fenômeno de 
limitação ao legislador que acontece naturalmente. 
 
Exemplo: o estado faz campanhas de opinião para saber se a sociedade anseia pela redução da maioridade penal, 
nesse caso o estado quer saber se o direito pressuposto caminha nesse mesmo sentido para que só então o direito posto 
efetive esse anseio de forma que venha a ser eficaz. 
 
A Doutrina efetiva do direito é uma teoria que nos permite fazer a análise crítica da formulação científica do 
ordenamento jurídico. 
 
▪ Não existe Direito enquanto ideia absoluta, mera abstração, mas sim como conceito relativo a cada 
cultura. 
 
Essa afirmação tem forte intervenção do culturalismo, o direito enquanto uma manifestação cultural. 
 
Não existem dois direitos pressupostos iguais, o nosso direito pressuposto neste território e nessa determinada época 
não é o mesmo direito pressuposto desse mesmo território a cinquenta anos atrás. E quando precisarmos fazer um 
comparativo entre direitos pressupostos temos que observar diversos fatores como: tempo, espaço, cultura, território, 
etc. 
 
Essa teoria é ligada ao relativismo cultural, não existe a possibilidade de termos um direito absoluto ou uma justiça 
absoluta. 
 
MARCIO LIMA DA CUNHA - 05308192790
 
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▪ É no direito pressuposto que se manifestam as ambições da sociedade civil, onde sentidos normativos começam 
a ser forjados. 
 
✓ |?| Quando o STF assume o papel de “ouvir o clamor da sociedade”, ele cumpre seu papel de 
guardião da CF? 
 
Essa resposta vai depender do referencial teórico que se adota: 
 
1 – Se seguirmos o referencial teórico crítico – diremos que a CF deve ser aberta pelos seus interpretes, e no momento 
em que se “ouve o clamor do povo” estamos aceitando que o STF faça o seu papel de guardião da constituição. 
 
2 – Se seguirmos o referencial teórico do positivismo – ao ouvir o clamor do povo o STF não está cumprindo o seu papel 
de guardião da constituição, uma vez que estará dando uma interpretação diversa daquela que é para ser feita a 
constituição. 
 
Na dúvida sobre qual posição deva ser adotada numa prova, prefira a defesa da constituição em detrimento ao clamor 
do povo. 
 
3) Direito Objetivo x Direito Subjetivo 
 
▪ Objetivo: o Direito como norma de organização social: Jus norma agendi. 
▪ Subjetivo: direito personalizado, possibilidades ou poderes de agir, que a ordem jurídica garante a alguém. Jus 
facultas agendi. 
 
O direito objetivo é o direito posto e estabelecido. 
 
O direito subjetivo representa uma grande conquista do processo civilizatório do direito, se analisarmos em diversos 
momentos da sociedade o indivíduo não tinha espaço para a manifestação da sua vontade em relação a determinadas 
normas. Em alguns momentos ele se quer era sujeito de direitos. 
 
É no direito subjetivo que como indivíduos conseguimos manifestar as nossas pretensões, nos autodeterminarmos e 
com outros indivíduos determinarmos as normas que nos regeram. 
 
A complexidade e a evolução de determinado direito subjetivo de uma determinada comunidade está intrinsecamente 
ligado a evolução do seu processo civilizatório. 
 
 
Não existe um lugar ideologicamente neutro, cada forma de ideologia estabelece um espaço diferente para cada direito 
subjetivo. Há movimentos liberais que querem, que cada vez mais, o direito subjetivo seja maior, e que a autonomia da 
pessoa prevaleça em detrimento ao direito objetivo. 
 
O grau de direito subjetivo permitido pela norma é que define a posição ideológica que cada qual possui. 
 
 
4) Codificação e descodificação 
 
4.1 A Era da Codificação 
 
Após o movimento de racionalismo do direito surgem os primeiros códigos. O código napoleônico foi o primeiro deles, 
mas Napoleão não admitia que seu código fosse interpretado por juízes, em razão da interpretação ser uma relação de 
poder, e declarava