Civil III - Classificação dos Contratos
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Civil III - Classificação dos Contratos


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contratos, artigo 104. Exemplo: Fomento mercantil (factory).

Art. 1.225. São direitos reais:
I - a propriedade;

Para haver um novo direito real é preciso que haja uma lei nesse sentido.II - a superfície;
III - as servidões;
IV - o usufruto;
V - o uso;
VI - a habitação;
VII - o direito do promitente comprador do imóvel;
VIII - o penhor;
IX - a hipoteca;
X - a anticrese.
XI - a concessão de uso especial para fins de moradia;
XII - a concessão de direito real de uso.

6) Quanto à forma - os contratos podem ser solenes e não solenes. São contratos solenes, também chamados de formais, são aqueles cuja eficácia depende de forma prescrita em lei, ou seja,,só tem eficácia quando obedece à forma prevista em lei. Exemplo: contrato de fiança. (819). Não solene, ou informal, são aqueles em que é admitida a forma livre, em que não há necessidade de nenhuma solenidade para a sua eficácia. Exemplo: locação. A dificuldade de contratos com forma não solenes é a prova da sua eficácia, da sua validade.

Art. 819. A fiança dar-se-á por escrito, e não admite interpretação extensiva.

7) Quanto à maneira como se aperfeiçoam - os contratos podem ser consensuais e reais. Consensuais são aqueles que se ultimam pelo mero consentimento, ou seja, basta a manifestação de vontade. Existem alguns contratos em que não se cria uma prestação efetiva, consistente na entrega de uma coisa. Alguns contratos se aperfeiçoam com a mera manifestação de vontade. Exemplo: contrato de mandato. O CC define o contrato de mandato no artigo 653.

Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato.

	A procuração é um instrumento de mandato. Essa denominação de mandato não é comumente utilizada; normalmente consideramos mandato apenas aquele instrumento do contrato, que nos é familiar pela denominação de procuração. Procuração é um instrumento do contrato. Contrato de mandato é aquele em que uma pessoa convenciona com outra a prática de atos. Quando o mandante confere esse poder de representação e o mandatário o aceita, configura-se o aperfeiçoamento do contrato de mandato. Quanto à maneira que se aperfeiçoa, o contrato de mandato é consensual.

	Reais são aqueles cujo ajuste depende a entrega de uma coisa. Essa denominação "real" vem do latim "res". Quando num contrato tiver a prestação de entregar uma coisa, sendo essa entrega da própria natureza do contrato, teremos um contrato real. Exemplo: contrato de depósito.

Art. 627. Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel, para guardar, até que o depositante o reclame.

	É da natureza do contrato de depósito, que o depositante entregue ao depositário uma coisa móvel para que ele a guarde até que seja reclamada a sua restituição. Só haverá contrato de depósito quando o depositante entregar ao depositário o bem móvel. Exemplo: comodato.

Bem fungível
 é aquele que pode ser substituído por outro
 de mesma natureza, espécie e quantidade.
Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se com a tradição do objeto.

	Não haverá contrato de comodato se o comodante não entregar ao comodatário a coisa a ser emprestada.

É DA NATUREZA DO CONTRATO REAL A ENTREGA DE UMA COISA.

8) Considerados uns em relação aos outros - os contratos podem ser principais ou acessórios. Principais são aqueles que existem independentemente de outro; ele não depende de outro para existir. Exemplo: locação. Acessórios são aqueles que dependem de outro para existir. Exemplo: fiança.

Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal.

9) Quanto à maneira como são formados - os contratos podem ser paritários e de adesão. Paritários são aqueles em que, no seu processo de formação, as partes estabelecem as suas condições em igualdade de posição. Então, não há uma superioridade de uma em relação à outra; os contratantes discutem a proposta e a aceitação em pé de igualdade. Exemplo: contrato de compra e venda - as partes discutem e estabelecem as condições dos contratos. A REGRA GERAL É QUE OS CONTRATOS SEJAM PARITÁRIOS. De adesão são aqueles contratos em que todas as condições são previamente estipuladas por uma das partes; a outra simplesmente adere. O aderente não discute nenhuma condição dos contratos; essas condições lhes são dadas a conhecer previamente e, aceitando, ele adere. Exemplo: contrato de transporte coletivo.

O nosso CC traz duas referências explícitas aos contratos de adesão, os artigos 423 e 424.

Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada¹ do aderente a direito resultante da natureza do negócio.

1- O contrato de adesão não pode impor uma prestação que seja desfavorável; não é porque alguém estabeleceu as condições de um contrato que vai poder causar dano, prejuízo ao aderente. Exemplo: Faculdade não pode impor a aluno, no ato de matrícula, que ele renuncie ao direito de trancamento de matrícula.

10) Quanto ao objeto - os contratos podem ser definitivos e preliminares. Definitivos são aqueles que têm objeto peculiar definido. Exemplo: compra e venda. Preliminares são aqueles nos quais se busca conferir apenas efeitos parciais, pois objetivam a celebração de um contrato definitivo. Exemplo: promessa de compra e venda. Os contratos preliminares possuem tanta importância que o legislador determinou algumas regras especiais. A prestação da promessa de compra e venda é prometer vender; acontece comprando e vendendo, respectivamente. A compra e venda é um contrato preliminar porque os seus efeitos são parciais. Já a compra e venda é um contrato definitivo porque não depende de outro. Quem celebra um contrato de promessa de compra e venda cumprirá o contrato celebrando um contrato de compra e venda.

DA INTERPRETAÇÃO DOS CONTRATOS

	Trata-se de atividade de hermenêutica que se manifesta importante quando há necessidade de se esclarecer o exato sentido do acordo. É uma forma de se esclarecer o exato sentido do acordo de contrato. Evidentemente que, a necessidade de interpretação se manifesta quando houver divergência no conteúdo do contrato; é aí que vem a margem de discussão das suas condições. É a análise do ato negocial; a busca da identificação da efetiva intenção dos contratantes.
	Nem sempre existe dúvida quanto ao conteúdo de um contrato. O contrato deve ser estipulado de modo claro para evitar divergência quanto ao seu conteúdo, mas, às vezes, isso pode acontecer; há, então, a necessidade dessa tarefa de hermenêutica, que é interpretar o verdadeiro sentido da manifestação de vontade estabelecida no contrato.
	Quando se contrata, deve-se representar a vontade dos contratantes, não deve restar dúvida. Esse processo de identificação da vontade dos contratantes é que caracteriza a interpretação. Na interpretação da declaração de vontades tem que se buscar qual foi a intenção dos contratantes ao estabelecerem aquelas condições do contrato. O que se deve buscar ainda na manifestação de vontade? Devem-se interpretar com base na boa fé, os usos e costumes do lugar da sua celebração; deve-se buscar o sentido que se quer dar às palavras.

Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem.

	Como visto anteriormente, no momento da contratação é preciso obedecer ao princípio da boa fé objetiva, de modo que os contratantes devem ser claros.