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aula 9 - Ação Civil Pública e Ação Popular

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CURSO MARCATO 2ª FASE - OAB
DIREITO ADMINISTRATIVO -
AÇÃO CIVIL PÚBLICA e AÇÃO POPULAR – Aula 09
Professora Amanda Alves Almozara
Pós-graduada e mestranda pela PUC/SP
Advogada
www.professoraamanda.com.br 
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AÇÃO CIVIL PÚBLICA
PEQUENA INTRODUÇÃO
Processo Civil Brasileiro: fundado e com cunho individualista. Legitimação ordinária – parte demonstra seu interesse de agir e postula o seu interesse de mérito para o Estado-Juiz (provimento pedido soluciona o problema da parte).
Regra: pessoa defende em nome próprio o seu direito (somente a própria pessoa pode demandar em juízo). Assim, somente quem participa do processo é atingido pela sentença (ligado à ideia de contraditório)
O provimento jurisdicional obtido produz efeitos inter partes.
Art. 3º do CPC: Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade.
Art. 472 do CPC: A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros.
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Processo Coletivo: rompe duas barreiras – início de ACESSO AO JUDICIÁRIO E FINAL DE COISA JULGADA MATERIAL.
Assim, ele elege DETERMINADAS PESSOAS QUE GUARDAM RELAÇÃO COM O CONFLITO para serem as aptas a DEFENDER DO INTERESSE DE TODOS.
O processo coletivo ganha destaque legislativo com a lei de ação popular.
Esse novo processo defende o quê?
Basicamente, os INTERESSES INDIVISÍVEIS (DIFUSOS E COLETIVOS). O CDC ampliou:
Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo.
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato;
(indivisibilidade: não pode ser fruído, aproveitado, individualmente.
José Carlos Barbosa Moreira: beneficio um, beneficia todos, prejudica um, prejudica todos.)
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II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base;
(É indivisível, mas o grupo afetado é determinado ou determinável. Portanto, não dizem respeito a todos)
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum.
PORTANTO, A TUTELA NÃO PODE SER A DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
O PROCESSO COLETIVO AMPLIA O ACESSO À JUSTIÇA (UNIVERSALIZAÇÃO DA JURISDIÇÃO)
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E os conflitos que não dizem respeito somente a alguma pessoa?
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ORIGEM E EVOLUÇÃO
A primeira referência legislativa (LC 40 de 14/12/81 – Lei Orgânica do MP) e o artigo 14, §1º da Lei de Política Nacional do Meio Ambiente (6938/81) – Só MP e dano ambiental.
Disciplina legal: Lei 7347/85, de 24 de julho de 1985. Algumas alterações foram CDC (lei 8078/90), Estatuto da Cidade (lei 10257/01) e MP 2180/01.
A referência constitucional encontra-se no artigo 129, III (não está expressa no artigo 5º).
Não constitui, a rigor, meio específico de controle da Administração Pública
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
§ 1º - A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na lei.
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COMPARAÇÃO DA ACP COM A AÇÃO POPULAR E MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO
Todas fogem aos esquemas tradicionais do DIREITO DE AÇÃO.
Nas três hipóteses o que se protege são direitos METAINDIVIDUAIS: interesse geral, interesse difuso e interesse coletivo.
Grande diferença: LEGITIMIDADE
Ação popular: legitimidade ativa: cidadão; legitimidade passiva: pessoa jurídica (pública ou privada) + causador do ato lesivo
Ação civil pública: legitimidade ativa: poder público e legitimidade passiva: qualquer pessoa física ou jurídica – pratique ato lesivo.
MS coletivo: legitimados ativos fixados pela CF:
Artigo 5º, LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
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CONCEITO 
É o instrumento processual criado pela Lei 7347/85 para se postular em juízo a TUTELA JURISDICIONAL DOS INTERESSES TRANSINDIVIDUAIS.
Ação Civil Pública: instrumento judicial adequando à proteção dos interesses difusos e coletivos (José dos Santos Carvalho Filho. Curso de Direito Administrativo. p. 1053.)
Cuidado: o CDC a chama de AÇÃO CIVIL COLETIVA – ART. 91.
Natureza jurídica: ação de rito especial, preordenado por tutela específica.
BENS TUTELADOS
A CF deu expressa destinação, com vistas à proteger:
Patrimônio público e social
Meio ambiente 
Outros interesses difusos e coletivos (rol exemplificativo)
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Lei 7347/85. Art. 1º  Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: (Redação dada pela Leu nº 12.529, de 2011).
l - ao meio-ambiente;
ll - ao consumidor;
III - a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo. (Incluído pela Lei nº 8.078 de 1990)
V - por infração da ordem econômica; (Redação dada pela Leu nº 12.529, de 2011).
VI - à ordem urbanística. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 2001)
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CUIDADO: Não é cabível a ACP (ingerência nas políticas públicas):
Art. 1º, Parágrafo único.  Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente determinados. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 2001)
ESPÉCIES DE TUTELA:
Repressiva: dano já ocorreu. Pretensão de cessar a conduta, retornar ao status quo ante ou/e reparação do dano causado.
Art. 3º A ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.
Preventiva: dano não ocorreu. Pretensão é evitar a sua consumação:
AÇÃO CAUTELAR (ART. 4º)
TUTELA LIMINAR (ART. 12)
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Art. 4o Poderá ser ajuizada ação cautelar para os fins desta Lei, objetivando, inclusive, evitar o dano