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PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES

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PATOLOGIA DAS
CONSTRUÇÕES
Patologia das construções Eng. José Eduardo Granato
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PATOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES
CAPÍTULOS
1. Introdução na Patologia das construções 3
2. Características e qualidade do concreto 9
3. O uso de aditivos na qualidade do concreto 21
4. Agressividade do meio ambiente 33
5. Trincas e fissuras 53
6. Impermeabilidade nas construções 69
7. Eflorescências 79
8. Patologia das fachadas revestidas de cerâmica e granito 85
9. Diagnóstico das Patologias e Ensaios de avaliação 105
10. Materiais utilizados em reparos 131
11. Procedimentos de execução de reparos no concreto 151
12. Reforços de estruturas de concreto 171
13. Desenvolvimentos recentes no Projeto de Estruturas de Concreto
Armado para Longo Serviço, Visto de uma Perspectiva de Corrosão
183
14. Selantes para uso em construções 197
15. Vernizes e hidrofugantes para concreto e alvenaria aparente 217
Patologia das construções Eng. José Eduardo Granato
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Patologia das construções Eng. José Eduardo Granato
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1. Introdução na Patologia das
Construções
Patologia das construções Eng. José Eduardo Granato
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1. Introdução na Patologia das Construções
As obras de construção civil continuam sendo apropriadas para as utilizações e
exigências para que foram projetadas. O suporte das cargas imposta no projeto devem
ser sempre avaliadas, pois a construção pode ao longo do tempo apresentar sérios
problemas de manutenção.
Inspecionar, avaliar e diagnosticar as patologias da construção são tarefas que devem
ser realizadas sistematicamente e periodicamente, de modo a que os resultados e as
ações de manutenções devem cumprir efetivamente a reabilitação da construção,
sempre que for necessária.
Dentre dos diferentes parâmetros que contribuem para a degradação das construções
são decorrentes de inúmeros fatores, como variações de temperatura, reações
químicas, vibrações, erosão, e, um dos mais sérios, o fenômeno da corrosão das
armaduras do concreto armado, que ocupa um importantíssimo fenômeno patológico,
contribuindo de sobremaneira para a degradação da construção.
Os sintomas da corrosão e as causas da corrosão não são habitualmente conhecidos
e seu conhecimento se torna necessário para a adoção de métodos e procedimentos
de correção bem definidos, de modo a que as intervenções sejam eficazes.
Devido às complexas naturezas dos efeitos ambientais sobre as estruturas e sua
consequente reposta, a verdadeira melhora de desempenho da edificação não pode
ser alcançada somente pela melhoria das características dos materiais utilizados, mas
também na técnica de execução, da melhora dos projetos arquitetônicos e estruturais,
dos procedimentos de fiscalização e manutenção, incluindo a manutenção preventiva.
Alguns conceitos de patologia são fundamentais para os engenheiros e muito se
assemelham a padrões médicos, inclusive na adoção de certos nomes e conceitos,
conforme citados muitas vezes por patologistas de renome nacional e internacional,
como Antônio Carmona, L.A. e Roberto Bauer, Paulo Helene, Dirceu F. de Almeida,
Manuel F. Cánovas, Aleida Carruyo, dentre outros.
Conceitos
Patologia: É a ciência que estuda a origem, os sintomas e a natureza das doenças.
No caso do concreto, a patologia significa o estudo das anomalias relacionadas à
deterioração do concreto na estrutura.
Pathos = doença Logos = estudo
Terapia: É a ciência que estuda a escolha e administração dos meios de curar as
doenças e da natureza dos remédios.
Therapeia = método de curar, tratar.
Profilaxia: É a ciência que estuda as medidas necessárias à prevenção das
enfermidades.
Prophylaxis = prevenção
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Sintoma: É a manifestação patológica detectável por uma série de métodos e
análises.
Falha: É um descuido ou erro, uma atividade imprevista ou acidental que se traduz em
um defeito ou dano.
Origem: É a etapa do processo construtivo (planejamento/concepção, projeto,
fabricação de materiais etc) em que ocorreu o problema.
Diagnóstico: É o entendimento do problema (sintoma, mecanismo, causa e origem).
Correção: É a metodologia para a eliminação dos defeitos causados pelos problemas
patológicos.
Recuperação: É a correção dos problemas patológicos.
Reforço: Aumento da capacidade de resistência de um elemento, estrutura ou
fundação em relação ao projeto original, devido à alteração de utilização, degradação
ou falha que reduziram ou não atendem a sua capacidade resistente inicial.
Reconstrução: É o refazimento de um elemento, estrutura ou fundação em razão de,
mesmo que este recebesse uma ação corretiva, não atenderia mais a um desempenho
mínimo aceitável ou, de um custo dado que a intervenção corretiva seja maior que o
custo de sua reconstrução.
Classificação dos reparos: Está associado à escolha dos materiais e definição dos
métodos de reparo, isto é, da terapia, que pode ser classificado em:
 Reparos rasos, localizados ou generalizados, de 5 mm a 30 mm de profundidade;
 Reparos semiprofundos, de 31 mm a 60 mm de profundidade;
 Reparos profundos, de 61 mm a 300 mm de profundidade;
tratamento de fissuras.
Na pesquisa abaixo, podem-se exemplificar as principais causas dos problemas
patológicos em estruturas de concreto. A somatória em alguns casos não implica em
100 % pelo fato de alguns autores considerarem mais de uma causa resultante de um
problema.
Causas dos Problemas Patológicos em Estruturas de Concreto
Causas dos Problemas Patológicos em Estruturas de
Concreto
Fontes de Pesquisa Concepção
e projeto
Materiais Execução Utilização
e outras
Edward Grunau 44% 18% 28% 10%
D.E.Allen (Canadá) 55%  49% 
C.S.T.C. (Bélgica) 46% 15% 22% 17%
C.E.B. Boletim 157 50%  40%  10%
FAAP – Verçoza (Brasil) 18% 6% 52% 24%
B.R.E.A.S. (Reino Unido) 58% 12% 35% 11%
Bureau Securitas  88%  12%
E.N.R. (USA) 9% 6% 75% 10%
S.I.A. (Suíça) 46% 44% 10%
Dov Kaminetzky 51%  40%  16%
Jean Blévot (França) 35% 65%
L.E.M.I.T. (Venezuela) 19% 5% 57%
Fonte: Palotogia, recuperação e reforço de estruturas de concreto- Vicente C.M Souza e Thomaz Ripper
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Em outras pesquisas realizadas em diversos países, o projeto de uma edificação é responsável pela
maior parte das falhas patológicas de construção, como demonstra a tabela abaixo:
Origem das falhas em edificação em diversos países
País e período de pesquisa
Origem das
falhas
Bélgica
1974/1975
(%)
Bélgica
1976/1977
(%)
Grã-Bretanha
1970/1977
(%)
República
Fed. Alemã
1970/1977
(%)
Dinamarca
1972/1977
(%)
Romênia
1971/1977
(%)
Projeto 49 46 39 37 36 37
Execução 22 22 29 30 22 19
Defeitos dos
Materiais
15 15 11 14 25 22
Erros de
Utilização
09 08 10 11 09 11
Diversos 05 09 01 08 08 11
Fonte: Impermeabilização de coberturas: Flavio Augusto Picchi
Também verificamos que a natureza dos problemas está na sua maior parte
relacionada com a presença de umidade, como explícito abaixo:
Natureza das falhas em diversos países
Natureza das falhas Bélgica Grã-Bretanha Suíça
Umidade 27 53 10
Deslocamento 16 14 28
Fissuração 12 17 27
Instalações 12 - 17
Diversos 33 16 18
Fonte: Impermeabilização de coberturas: Flavio Augusto Picchi
Todos os profissionais relacionados com a execução e utilização das edificações
devem ter um conhecimento mínimo dos processos mais importantes de degradação,
assim como dos elementos causadores. No caso